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'Gesto de autonomia': nova coalizão sul-americana de segurança faz mais do que responder aos EUA
'Gesto de autonomia': nova coalizão sul-americana de segurança faz mais do que responder aos EUA
Sputnik Brasil
Coalizão regional busca unir países contra facções do crime organizado, mas enfrenta diferenças políticas entre governos, assimetrias de capacidade estatal e... 22.06.2026, Sputnik Brasil
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Após uma reunião realizada na França, durante a cúpula do G7, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou que 12 países da América do Sul vão unir forças contra o crime organizado, utilizando o escritório da Interpol de Buenos Aires como central de operações. A coalizão espera asfixiar economicamente organizações criminosas, rastreando e recuperando ativos ligados a operações ilícitas.À Sputnik Brasil, o coordenador de relações internacionais do Centro Universitário Internacional Uninter, Guilherme Frizzera, afirma que a pressão da Casa Branca, que utiliza cada vez mais o combate ao narcotráfico como forma de expandir sua influência política e militar na região, acelerou a criação da aliança.Foi o caso do sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no início do ano, movimento precedido pela intromissão militar de Washington contra cartéis de droga locais, como Tren de Aragua e o suposto Cartel de Los Soles, cunhado pela Casa Branca para responsabilizar Maduro pessoalmente pelo fluxo de drogas.No entanto, a coalizão é muito mais do que uma mera resposta aos Estados Unidos. Por décadas, os países sul-americanos trataram as facções como falhas de segurança pública. Enquanto isso, o crime organizado passou a ser uma forma de poder transnacional, capaz de governar territórios, regular mercados ilegais, infiltrar-se em economias legais, capturar instituições frágeis, alterar eleições, controlar fluxos logísticos e produzir o medo como linguagem política.Essa passagem do doméstico ao geopolítico resultou no fato de que agora o Estado é obrigado a disputar soberania com essas organizações.Para Lívia Milani, pesquisadora do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais (IPPRI), da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), a atual falta de alinhamento dos países sul-americanos com o Brasil será "um dos grandes desafios" da coalizão.Segundo a especialista, a maneira de medir o sucesso dessa aliança não está em indicadores como prisões ou apreensões de drogas, mas na capacidade de enfraquecer a estrutura de funcionamento das organizações criminosas. Só que a maior parte dos governos sul-americanos está alinhada à visão militarista de Washington no combate ao crime.Dados como aumento do encarceramento não necessariamente representam uma redução do poder do crime organizado, alerta Milaini à Sputnik Brasil.Na visão de Frizzera, essa coalizão contra o crime organizado pode ser o início de uma cooperação ainda maior, que consiga unir a agenda de defesa dos países. "A América do Sul deveria ser capaz de produzir uma agenda própria sobre defesa, reconhecer seus interesses específicos e evitar que ameaças regionais sejam definidas de fora para dentro."Não seria o caso de uma união militar, aos moldes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), diz o internacionalista, mas sim de um embrião que permita fazer operações coordenadas, trocar inteligência sensível, rastrear ativos em mais de uma jurisdição e manter essa continuidade apesar das mudanças de governo.
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'Gesto de autonomia': nova coalizão sul-americana de segurança faz mais do que responder aos EUA
17:40 22.06.2026 (atualizado: 19:00 22.06.2026) Especiais
Coalizão regional busca unir países contra facções do crime organizado, mas enfrenta diferenças políticas entre governos, assimetrias de capacidade estatal e desafios institucionais na cooperação em segurança e troca de inteligência.
Após uma reunião realizada na França, durante a cúpula do G7, o diretor-geral da Polícia Federal (PF),
Andrei Rodrigues, afirmou que
12 países da América do Sul vão unir forças contra o crime organizado, utilizando o escritório da Interpol de Buenos Aires como central de operações. A coalizão espera asfixiar economicamente organizações criminosas, rastreando e recuperando ativos ligados a operações ilícitas.
À
Sputnik Brasil, o coordenador de relações internacionais do Centro Universitário Internacional Uninter,
Guilherme Frizzera, afirma que a
pressão da Casa Branca, que utiliza cada vez mais o combate ao narcotráfico como forma de expandir sua influência política e militar na região,
acelerou a criação da aliança.
Foi o caso do
sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no início do ano, movimento precedido pela intromissão militar de Washington contra cartéis de droga locais, como Tren de Aragua e o suposto Cartel de Los Soles, cunhado pela Casa Branca para responsabilizar Maduro pessoalmente pelo fluxo de drogas.
No entanto, a coalizão é muito mais do que uma mera resposta aos Estados Unidos. Por décadas, os países sul-americanos trataram as facções como falhas de segurança pública. Enquanto isso, o crime organizado passou a ser uma forma de poder transnacional, capaz de governar territórios, regular
mercados ilegais, infiltrar-se em economias legais, capturar instituições frágeis, alterar eleições, controlar fluxos logísticos e produzir o medo como linguagem política.
Essa passagem do doméstico ao geopolítico resultou no fato de que agora o Estado é obrigado a disputar soberania com essas organizações.
"A coalizão sul-americana, nesse sentido, pode ser lida como um gesto de autonomia."
Para Lívia Milani, pesquisadora do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais (IPPRI), da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), a atual falta de alinhamento dos países sul-americanos com o Brasil será "um dos grandes desafios" da coalizão.
Segundo a especialista, a maneira de medir o sucesso dessa aliança não está em indicadores como prisões ou apreensões de drogas, mas na capacidade de enfraquecer a estrutura de funcionamento das organizações criminosas. Só que a maior parte dos governos sul-americanos está alinhada à
visão militarista de Washington no combate ao crime.
Dados como aumento do encarceramento não necessariamente representam uma redução do poder do crime organizado, alerta Milaini à Sputnik Brasil.
"Muito pelo contrário, muitas vezes o encarceramento em massa é um ativo para organizações, que se fortalecem nas próprias prisões."
Na visão de Frizzera, essa coalizão contra o crime organizado pode ser
o início de uma cooperação ainda maior, que consiga
unir a agenda de defesa dos países. "A América do Sul deveria ser capaz de produzir uma agenda própria sobre defesa, reconhecer seus interesses específicos e evitar que ameaças regionais sejam definidas de fora para dentro."
Não seria o caso de uma união militar, aos moldes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), diz o internacionalista, mas sim de um embrião que permita fazer operações coordenadas, trocar inteligência sensível, rastrear ativos em mais de uma jurisdição e manter essa continuidade apesar das mudanças de governo.
"Não mais a defesa pensada apenas como fronteira, quartel, hipótese de guerra ou compra de equipamentos. Defesa como capacidade política de nomear os próprios problemas antes que outra potência os nomeie."
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