Rubio leva acordo EUA-Irã ao golfo em meio a temor de fortalecimento de Teerã, diz mídia

© AP Photo / Jose Luis Magana
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A viagem de Marco Rubio ao golfo Pérsico expõe a tensão entre o acordo EUA-Irã e o temor das monarquias árabes de que concessões fortaleçam Teerã, ampliem sua influência regional e ameacem rotas estratégicas de petróleo, obrigando Washington a equilibrar diplomacia, segurança e desconfiança crescente entre aliados.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, inicia uma rodada sensível de reuniões no golfo para apresentar o acordo de paz proposto por Washington ao Irã, em meio ao temor de que concessões fortaleçam Teerã e alterem o equilíbrio regional.
Ele visita Emirados, Kuwait e Bahrein, encontrando líderes do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), cujos países abrigam bases norte-americanas e foram atingidos por ataques iranianos durante a guerra iniciada há quatro meses por EUA e Israel.
Segundo a mídia britânica, o projeto de acordo preocupa as monarquias sunitas por excluir limites aos mísseis balísticos iranianos, prever um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões (aproximadamente R$ 1,5 trilhão) e admitir maior influência de Teerã sobre rotas estratégicas como o estreito de Ormuz.
Alguns governos do golfo, de acordo com a apuração, se dizem surpresos com a possibilidade de normalização entre EUA e Irã, adversário histórico da região. Para Washington, a posição desses aliados é crucial, já que qualquer mudança no alinhamento de segurança afetaria a estratégia militar norte-americana no Oriente Médio.
Rubio tenta equilibrar o diálogo sem criticar o memorando assinado por Donald Trump, que segue defendendo o acordo apesar de críticas internas. Ex-assessores do governo afirmaram, sob anonimato, que Rubio pode lembrar aos aliados que Donald Trump mantém postura dura contra Teerã caso o entendimento fracasse.
Nos bastidores, porém, autoridades do golfo demonstram desconforto, informou a mídia. A ausência de restrições aos mísseis iranianos contraria promessas feitas durante a guerra, quando os EUA defendiam destruir essa capacidade militar.
O fundo bilionário para reconstrução também gera receio de que Teerã use os recursos para fortalecer grupos armados e ampliar sua influência.
Outro ponto sensível é o possível reconhecimento do papel iraniano no controle do estreito de Ormuz, vital para as exportações de petróleo e gás de Kuwait, Catar e Arábia Saudita.
Analistas afirmam que o acordo, como está, reabilita o Irã como potência regional. Para críticos, os recursos liberados tendem a reforçar o aparato militar iraniano, não a melhorar a economia do país.
Analistas afirmam que o acordo, como está, reabilita o Irã como potência regional. Para críticos, os recursos liberados tendem a reforçar o aparato militar iraniano, não a melhorar a economia do país.


