https://noticiabrasil.net.br/20260625/analise-retorno-da-educacao-civica-e-politica-as-escolas-nao-e-doutrinacao-mas-sua-ausencia-e-51662744.html
Análise: retorno da educação cívica e política às escolas não é doutrinação, mas sua ausência é
Análise: retorno da educação cívica e política às escolas não é doutrinação, mas sua ausência é
Sputnik Brasil
À Sputnik Brasil, analistas apontam que uma sala de aula que não discute sociedade e política não é neutra, mas doutrinadora para a obediência, e destacam que... 25.06.2026, Sputnik Brasil
2026-06-25T18:25-0300
2026-06-25T18:25-0300
2026-06-25T19:11-0300
notícias do brasil
brasil
hamilton mourão
norte
suíça
universidade federal de pernambuco (ufpe)
exército
educação
política
educação financeira
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/06/19/51664147_0:160:3072:1888_1920x0_80_0_0_a9d90fbdefab58bbe72b106047c7ea21.jpg
O projeto de lei (PL) 4.088/2023, que determina a inclusão obrigatória de conteúdos sobre educação política e direitos da cidadania nos currículos escolares, foi aprovada pelo Senado e aguarda sanção do presidente Lula, encerrando um trâmite de três anos no Congresso.A medida é defendida por apoiadores como maneira de fortalecer a democracia por ensinar, desde a base, o papel das instituições governamentais. Países que costumam figurar no topo de rankings de desenvolvimento, como a Suíça, integram a educação política e cívica no currículo escolar.Favorável ao projeto, o senador Giordano (Podemos-SP) afirmou, durante a votação da medida, que a inclusão dos conteúdos é fundamental para a formação dos cidadãos.Por outro lado, críticos da medida apontam que ela pode servir de instrumento de doutrinação ideológica nas escolas. É o caso do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que durante a discussão da medida no plenário votou contra o projeto.Leon Victor de Queiroz Barbosa, doutor em ciência política e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), considera a inclusão dos conteúdos nos currículos escolares "uma excelente iniciativa".À Sputnik Brasil, o especialista avalia que a inclusão dos conteúdos pode começar desde cedo, já no ensino fundamental, mostrando como a sociedade se organiza politicamente e a importância de colaborar para o coletivo, citando como exemplo recolher o lixo que produziu, não fumar em público e respeitar vagas de estacionamento direcionadas a pessoas com necessidades especiais.Ele lembra que durante seu período escolar, na década de 1990, teve contato com a disciplina, que na época se chamava Moral e Cívica, e aprendeu sobre movimentos sociais, rupturas políticas e ética pública e, por isso, rejeita as críticas de que a matéria traria risco de doutrinação.Por sua vez, o sociólogo e e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rogério Baptistini reforça que a educação cívica e política é uma formação de cidadania, que não pode ser resumida ao ato de ir votar.Ele explica à Sputnik Brasil que, por vivermos em sociedades políticas e termos destino comum, "nossa vida privada depende das decisões públicas e de nossa participação".Ele aponta que, atualmente, conteúdos importantes para a educação cívica e política são, com frequência, marginalizados ou suprimidos dos currículos em todos os níveis do ensino escolar, o que contribui para a alienação dos cidadãos quanto ao seu destino e os torna facilmente manipuláveis. O resultado disso é uma cidadania incompleta e uma República de "mãos atadas".Baptistini acrescenta ainda que uma sala de aula que não discute a sociedade, a política, a história e os direitos não é neutra; ela é igualmente doutrinadora, mas não para a vida pública. Ele diz que educação política não é doutrinação, mas sim formar cidadãos capazes de pensar criticamente e escolher suas próprias convicções.Para o cientista político, há a possibilidade de o tema ser explorado nas eleições deste ano, com o governo apontando a medida como uma iniciativa em prol da democracia, e a oposição acusando o projeto de doutrinação ideológica.Educação cívica ou escolas cívico-militares?Alguns parlamentares, principalmente conservadores, defendem a implementação de escolas cívico-militares como forma de moldar cidadãos com respeito à lei e à ordem. Para Baptistini, trata-se de um modelo completamente diferente, com a educação cívica tendo o objetivo de formar cidadãos autônomos e críticos, enquanto a escola cívico-militar é um projeto cujo fim é a disciplina.Barbosa, por sua vez, aponta que "tudo é uma questão de equilíbrio", e da mesma forma que existem escolas e faculdades religiosas na rede privada, pode haver ensino cívico-militar em instituições educacionais ligadas a órgãos de segurança. No entanto, ele frisa que a educação básica fornecida por municípios e estados deve ser laica e civil. Caso contrário, aí sim, torna-se doutrinação.
https://noticiabrasil.net.br/20260601/analise-inteligencia-artificial-provoca-construcao-de-consenso-rebaixado-na-politica-50920910.html
https://noticiabrasil.net.br/20240919/legado-de-paulo-freire-educacao-de-jovens-e-adultos-no-brasil-ganha-impulso-com-novo-pacto-nacional-36562938.html
brasil
norte
suíça
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
2026
notícias
br_BR
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/06/19/51664147_171:0:2902:2048_1920x0_80_0_0_c76c99235c65fe454497a10c12c279c2.jpgSputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
brasil, hamilton mourão, norte, suíça, universidade federal de pernambuco (ufpe), exército, educação, política, educação financeira, exclusiva
brasil, hamilton mourão, norte, suíça, universidade federal de pernambuco (ufpe), exército, educação, política, educação financeira, exclusiva
Análise: retorno da educação cívica e política às escolas não é doutrinação, mas sua ausência é
18:25 25.06.2026 (atualizado: 19:11 25.06.2026) Especiais
À Sputnik Brasil, analistas apontam que uma sala de aula que não discute sociedade e política não é neutra, mas doutrinadora para a obediência, e destacam que a inclusão dos conteúdos formará cidadãos críticos e conscientes, obrigando a classe política a elevar o nível do debate.
O projeto de lei (PL) 4.088/2023, que determina a inclusão obrigatória de conteúdos sobre educação política e direitos da cidadania nos currículos escolares, foi aprovada pelo Senado e aguarda sanção do presidente Lula, encerrando um trâmite de três anos no Congresso.
A medida é defendida por apoiadores como maneira de fortalecer a democracia por ensinar, desde a base,
o papel das instituições governamentais. Países que costumam figurar no topo de rankings de desenvolvimento, como a Suíça,
integram a educação política e cívica no currículo escolar.
Favorável ao projeto, o senador Giordano (Podemos-SP) afirmou, durante a votação da medida, que a inclusão dos conteúdos é fundamental para a formação dos cidadãos.
"Com essa nova lei vai ficar mais amplo o aprendizado ao nosso jovem, desde pequeno, para que quando ficar mais velho possa usar esse aprendizado na sua vida cotidiana e votar com mais consciência", afirmou.
Por outro lado, críticos da medida apontam que ela pode servir de instrumento de doutrinação ideológica nas escolas. É o caso do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que durante a discussão da medida no plenário votou contra o projeto.
"Quem é que vai ministrar essa aula? São aqueles docentes formados em escolas de nível superior, onde nós sabemos qual é a corrente ideológica que predomina. Nós estaremos abrindo um flanco para uma ideologização desde a tenra idade nas nossas crianças e adolescentes."
Leon Victor de Queiroz Barbosa, doutor em ciência política e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), considera a inclusão dos conteúdos nos currículos escolares "uma excelente iniciativa".
"Também é de extrema importância para que professores com alguma formação em ciência política possam mostrar o funcionamento do Estado, suas instituições e como se dá a organização política do país."
À Sputnik Brasil, o especialista avalia que a inclusão dos conteúdos pode começar desde cedo, já no ensino fundamental, mostrando como a sociedade se organiza politicamente e a importância de colaborar para o coletivo, citando como exemplo recolher o lixo que produziu, não fumar em público e respeitar vagas de estacionamento direcionadas a pessoas com necessidades especiais.
Ele lembra que durante seu período escolar, na década de 1990, teve contato com a disciplina, que na época se chamava Moral e Cívica, e aprendeu sobre movimentos sociais, rupturas políticas e ética pública e, por isso, rejeita as críticas de que a matéria traria risco de doutrinação.
"O que há é conscientização. A quem interessa uma sociedade sem consciência de seus direitos e deveres? Como doutrinar com tanta informação? Vivemos em uma era onde nunca houve tanta informação disponível, mas as pessoas aprendem cada vez menos."
Por sua vez, o sociólogo e e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rogério Baptistini reforça que a educação cívica e política é uma formação de cidadania, que não pode ser resumida ao ato de ir votar.
Ele explica à Sputnik Brasil que, por vivermos em sociedades políticas e termos destino comum, "nossa vida privada depende das decisões públicas e de nossa participação".
"É importante compreender a relação entre os direitos e deveres, a reprodução social e as estruturas de poder. Nenhum de nós vive fora do Estado. Ignorar e negar isso é regredir a uma situação de barbárie, na qual a violência se impõe à razão."

19 de setembro 2024, 21:46
Ele aponta que, atualmente, conteúdos importantes para a educação cívica e política são, com frequência, marginalizados ou suprimidos dos currículos em
todos os níveis do ensino escolar, o que contribui para a alienação dos cidadãos quanto ao seu destino e os torna facilmente manipuláveis. O resultado disso é
uma cidadania incompleta e uma República de "mãos atadas".
"Sem uma população formada e informada, a democracia, como regime de governo da sociedade política, se reduz a um ritual sem substância. O destino das pessoas fica nas mãos de elites que privatizam o público e parasitam à custa do trabalho alheio."
Baptistini acrescenta ainda que uma sala de aula que não discute a sociedade, a política, a história e os direitos não é neutra; ela é igualmente doutrinadora, mas não para a vida pública. Ele diz que educação política não é doutrinação, mas sim formar cidadãos capazes de pensar criticamente e escolher suas próprias convicções.
Para o cientista político, há a possibilidade de o tema ser explorado nas eleições deste ano, com o governo apontando a medida como uma iniciativa em prol da democracia, e a oposição acusando o projeto de doutrinação ideológica.
"Nenhum currículo é neutro. A omissão de temas como direitos humanos ou desigualdade social já é uma escolha ideológica. E, no caso do Brasil, com uma pesada herança de escravidão, autoritarismo político e privilégios privados, significa manter o status quo."
Educação cívica ou escolas cívico-militares?
Alguns parlamentares, principalmente conservadores, defendem a implementação de escolas cívico-militares como forma de moldar cidadãos com respeito à lei e à ordem. Para Baptistini, trata-se de um modelo completamente diferente, com a educação cívica tendo o objetivo de formar cidadãos autônomos e críticos, enquanto a escola cívico-militar é um projeto cujo fim é a disciplina.
"Os seus proponentes nunca esconderam que buscavam formar cidadãos obedientes, alinhados à ordem. É um modelo castrense de controle comportamental imposto à vida das crianças e dos adolescentes das classes populares."
Barbosa, por sua vez, aponta que
"tudo é uma questão de equilíbrio", e da mesma forma que existem escolas e faculdades religiosas na rede privada, pode haver ensino cívico-militar em instituições educacionais ligadas a órgãos de segurança. No entanto, ele frisa que a
educação básica fornecida por municípios e estados deve ser laica e civil. Caso contrário, aí sim, torna-se doutrinação.
"Educar é um ato político; logo, ele recebe influências políticas. Mas é possível blindar a educação da má política e, para isso, há protocolos internacionais, rigor científico, produção séria voltada para incutir nos alunos a capacidade de pensar criticamente. Caso contrário, estaremos caminhando a passos largos para o que o escritor português Valter Hugo Mãe descreve como 'O século dos imbecis'."
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!
Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.
Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).