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Kiev pagará por crimes em Kursk com perda de território para zona de segurança, diz Putin

© Sputnik / Aleksandr ScherbakO presidente russo, Vladimir Putin, chegou à Praça Vermelha para a parada em celebração do Dia da Vitória
O presidente russo, Vladimir Putin, chegou à Praça Vermelha para a parada em celebração do Dia da Vitória - Sputnik Brasil, 1920, 28.06.2026
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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou neste domingo (28) que a Ucrânia "pagará" pelos ataques realizados contra a região russa de Kursk com a perda de territórios que passarão a integrar uma zona de segurança criada por Moscou.
O líder russo também comentou o avanço das tropas russas, a situação no front, a proteção da infraestrutura estratégica e as perspectivas para o conflito em entrevista à agência de notícias Vesti.
"O regime ucraniano pagará por seus crimes em solo de Kursk com a perda dos territórios de que precisamos para criar uma zona de segurança na região fronteiriça", afirmou.
Segundo Putin, as forças russas estão atualmente a cerca de 10,5 quilômetros da cidade ucraniana de Sumy, uma das principais frentes da operação para estabelecer essa faixa de segurança ao longo da fronteira.
O presidente afirmou ainda que Moscou analisou atentamente propostas apresentadas por Kiev para limitar as hostilidades apenas às regiões de Kherson, Zaporozhie, Donetsk e Lugansk, mas rejeitou a iniciativa.
"Diante do déficit catastrófico de efetivo das Forças Armadas da Ucrânia, eles aparentemente acreditam que isso poderia representar uma forma de salvação. Mas salvar o regime de Kiev não está nos nossos planos", declarou.
Segundo Putin, outra proposta previa a interrupção dos ataques em profundidade realizados por ambos os lados. "Está claro por que essa proposta está sendo apresentada. Nossos ataques de resposta em profundidade no território ucraniano são muito mais poderosos, mais sensíveis e, francamente, mais destrutivos, produzindo consequências realmente graves para o regime de Kiev", declarou.
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Ataques à infraestrutura não alteram situação militar

Putin afirmou que os ataques contra a infraestrutura civil russa têm objetivos que vão além dos danos materiais. Segundo o presidente, essas ações fazem parte de uma operação de informação destinada a provocar insegurança na população, dividir a sociedade russa e pressionar Moscou a interromper sua ofensiva.
"Os ataques à nossa infraestrutura civil são realizados não apenas para causar danos, mas também para alimentar uma campanha de informação ou, mais precisamente, uma operação de informação como parte do confronto com a Rússia", afirmou.
Segundo o presidente, a intenção é gerar falta de confiança nas capacidades russas, provocar uma divisão interna e criar condições para obrigar Moscou a interromper, ainda que temporariamente, a ofensiva na linha de contato e iniciar negociações em termos favoráveis a Kiev. "Não lhes daremos essa oportunidade", declarou.
Putin acrescentou que os ataques ucranianos não produzem qualquer efeito sobre a situação militar. "Todos esses ataques terroristas não influenciam de forma alguma a situação no front. Esse é o ponto fundamental. Todos os ataques contra nossa infraestrutura não têm absolutamente nenhum efeito sobre a situação na linha de contato de combate", afirmou.

Defesa aérea e proteção da infraestrutura

O presidente também defendeu uma atuação coordenada para a proteção da infraestrutura crítica russa. "É necessária uma coordenação entre todos os níveis e estruturas envolvidos na defesa da nossa infraestrutura contra ataques de drones e mísseis. E, acima de tudo, a principal tarefa é proteger as pessoas, a população civil", afirmou.
Putin acrescentou que uma das prioridades do governo é ampliar rapidamente a produção dos sistemas de defesa antiaérea mais utilizados pelas Forças Armadas russas.
"A primeira tarefa é aumentar de forma rápida e significativa a produção dos sistemas de defesa antiaérea mais demandados", disse.
Segundo o presidente, esses equipamentos precisam ser continuamente aperfeiçoados de acordo com as exigências do campo de batalha e levando em consideração os novos drones e tecnologias fornecidos pelos países europeus à Ucrânia.
Putin afirmou que a Rússia já dispõe desses sistemas, mas ressaltou que o desafio é acelerar sua fabricação e distribuição às tropas e às instalações estratégicas.
"Temos efetivamente todos esses sistemas de defesa. A questão é com que rapidez conseguiremos aumentar sua produção e fornecê-los às tropas e à proteção da infraestrutura crítica", afirmou.
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Energia e abastecimento

Ao comentar os ataques contra instalações do setor energético, Putin afirmou que os danos vêm sendo reparados rapidamente e que o complexo de combustíveis e energia da Rússia continua operando normalmente.
"Todos os equipamentos danificados são restaurados rapidamente. Os problemas que surgem não têm caráter crítico. Tudo funciona de forma estável e com ampla margem de segurança", declarou.
O presidente reconheceu a existência de uma escassez temporária de combustíveis em algumas regiões e afirmou que a situação será resolvida com a conclusão acelerada dos reparos nas instalações do setor energético, o aumento das importações e o reforço da proteção da infraestrutura.

Avanço nas tropas russas

O presidente russo disse que Kiev tenta desviar a atenção das tropas russas daquilo que classificou como a "libertação final" de Donbass e Novorossiya. "Na atual situação, não descartamos que as Forças Armadas da Ucrânia tentem realizar ataques de distração, utilizando grupos de forças especiais, com o objetivo de desviar nossa atenção", afirmou.
Putin afirmou ainda que tropas russas bloquearam um agrupamento ucraniano de cerca de 5 mil militares na margem esquerda do rio Oskol. Putin acrescentou que as forças russas se encontram entre 2,5 e 4 quilômetros da extremidade oeste de Kupyansk e que as tentativas de contra-ataque das tropas ucranianas fracassaram.
"Nossas tropas estão entre 2,5 e 4 quilômetros da parte oeste da cidade. O inimigo já lançou uma série de contra-ataques, sem sucesso", afirmou.
Putin também elogiou o desempenho do agrupamento de tropas Vostok (Leste) na direção de Zaporozhie, afirmando que as forças russas continuam avançando apesar do reforço das defesas ucranianas na região.
"Nessa direção, nossas tropas, sob o comando do coronel-general Andrei Ivanaev, cumprem as missões de combate para libertar a região de Zaporozhie, avançando diariamente entre 300 metros e 1 quilômetro ao longo de uma ampla frente"

Trump não foi convencido pela Europa, diz Putin

Putin afirmou duvidar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha mudado sua posição sobre a Ucrânia após conversas com líderes europeus. Segundo o líder russo, Trump é um político experiente e toma suas decisões de forma independente.
"Duvido que isso seja possível. Afinal, o presidente dos Estados Unidos é um político maduro, mais do que maduro, e já bastante experiente", declarou ao comentar a possibilidade de líderes europeus terem influenciado a posição do presidente norte-americano após as negociações realizadas no Alasca.
Putin afirmou ainda que a Rússia espera receber representantes do governo dos Estados Unidos para dar continuidade às negociações bilaterais, após o encerramento da fase mais intensa da crise envolvendo o Irã.
"Esperamos que, após a conclusão de todos os acontecimentos da fase mais intensa da questão iraniana, venham a Moscou os representantes da administração dos Estados Unidos com quem já nos reunimos diversas vezes. Estamos prontos para continuar as negociações".
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Recado ao Ocidente

Ao comentar as avaliações de que a Ucrânia estaria obtendo êxito no conflito, Putin afirmou que os países ocidentais deveriam apenas aguardar.
"Se tudo isso for verdade e a Ucrânia estiver realmente vencendo, então os líderes ocidentais só precisam esperar, e a derrota estratégica da Rússia acontecerá automaticamente. Pois que esperem. Nossas tropas continuarão cumprindo sua missão e farão tudo para alcançar os objetivos da operação militar especial", declarou.
Por fim, Putin questionou se os aliados de Kiev consideram o ataque ucraniano contra um dormitório estudantil na cidade de Starobelsk um exemplo do "uso inovador" de drones.
"Li que líderes europeus elogiam o uso inovador de drones. Confesso que imediatamente me ocorreu uma pergunta: o ataque ao dormitório estudantil em Starobelsk também foi um uso inovador? Os líderes ocidentais também elogiaram isso? Não houve uma única palavra sobre esse episódio, não ouvimos absolutamente nada", afirmou.
Em maio, o chefe da República Popular de Lugansk, Leonid Pasechnik, informou que as Forças Armadas da Ucrânia atacaram o prédio acadêmico e o dormitório do Colégio Profissional de Starobelsk, vinculado à Universidade Pedagógica Estatal de Lugansk.
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