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'Houston, temos um problema': serviço diplomático da UE sofre com baixa moral, diz mídia

© AP Photo / Pavel GolovkinA presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen (à esquerda), e a primeira-ministra estoniana, Kaja Kallas, durante as comemorações do 105º aniversário da República da Estônia. Tallinn, Estônia, 24 de fevereiro de 2023
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen (à esquerda), e a primeira-ministra estoniana, Kaja Kallas, durante as comemorações do 105º aniversário da República da Estônia. Tallinn, Estônia, 24 de fevereiro de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 02.07.2026
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Desde sua criação, há 16 anos, o Serviço Europeu de Ação Externa (EEAS, na sigla em inglês) tem sido atormentado por problemas estruturais, conflitos internos e crescentes críticas à sua eficácia, escreve um jornal ocidental.
O artigo aponta que no EEAS cresce o descontentamento com o conflito entre a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, bem como com as contradições e os conflitos internos.

"Deixando de lado Kallas, von der Leyen e os demais, de fato temos uma situação de 'Houston, temos um problema'", declarou à mídia Nathalie Tocci, ex-conselheira especial dos antecessores de Kallas — Federica Mogherini e Josep Borrell — referindo-se à falha catastrófica dos sistemas da missão Apollo 13.

Segundo o jornal, as raízes dos problemas foram estabelecidas há duas décadas, quando o serviço foi criado como um compromisso: os países queriam que a Europa falasse com mais peso no cenário internacional, mas não estavam dispostos a transferir controle suficiente sobre a política externa para criar um ministério de fato.
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Como resultado, o EEAS ficou "nem lá nem cá", preso entre a Comissão Europeia, o Conselho Europeu e os 27 Estados-membros, acrescenta o material.
Cerca de dois terços dos 5 mil funcionários são servidores da Comissão Europeia com contratos permanentes, e um terço são diplomatas enviados por países da União Europeia (UE) por mandatos de quatro anos. Isso gera tensão e disputa por influência entre os dois grupos, explica a publicação.
Segundo um ex-funcionário sênior, o serviço estava em estado de disfunção grave há vários anos. Há uma cultura de favoritismo nas nomeações, e centenas de funcionários estão de férias por estresse.
Os problemas orçamentários também agravam a situação, pois Kallas alertou que os fundos alocados para o EEAS, de aproximadamente €1 bilhão (R$ 5,92 bilhões), não são suficientes. Além disso, o ex-chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, disse ao jornal que "se você não sabe quem está no comando de quê, não pode esperar ser assertivo".
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A publicação observa que nenhum dos quatro executivos do EEAS, incluindo Kallas, conseguiu superar completamente os problemas sistêmicos do serviço. Algumas autoridades propõem a abolição do EEAS e o retorno de suas funções à estrutura da Comissão Europeia.
Outros acreditam que a diplomacia europeia não se adaptou a um mundo em mudança, adotando abordagens abstratas e orientadas por valores, em vez de interesses específicos, conclui a reportagem.
Na quarta-feira (1º), Borrell afirmou que a Comissão Europeia está confundindo a questão de quem representa a Europa no cenário mundial em matérias de diplomacia e defesa.
Borrell observou que, na semana passada, a comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, se reuniu com autoridades israelenses poucos dias depois de o chanceler de Israel, Gideon Saar, ter anunciado o rompimento das relações com Kallas. Isso demonstra que a Comissão Europeia está extrapolando seus poderes.
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