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Voz do Sul Global está se tornando mais forte no G20, afirma representante russo

© AP Photo / Misper ApawuO presidente sul-africano Cyril Ramaphosa discursa na sessão de abertura da cúpula de líderes do G20 em Joanesburgo, África do Sul, 22 de novembro de 2025
O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa discursa na sessão de abertura da cúpula de líderes do G20 em Joanesburgo, África do Sul, 22 de novembro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 02.07.2026
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O representante da Rússia no G20, Denis Agafonov, abordou os principais temas da próxima cúpula, que será realizada em Miami em dezembro, e enfatizou que o fórum é um mecanismo eficaz para o desenvolvimento de padrões universais em escala global.

Equilíbrio de poder na próxima cúpula

A crescente proeminência econômica do Sul Global está sendo sentida no G20, afirmou Agafonov, ressaltando que Moscou valoriza muito as contribuições desses países para o grupo.

"A voz dos países do Sul Global está se tornando mais forte agora. E o mais importante é que isso se deve não tanto à nossa perspectiva ou cooperação, mas, em grande parte, ao papel que os países do Sul Global estão começando a desempenhar na economia mundial", declarou.

Agafonov observou que "a economia global está em transição hoje porque os centros de crescimento estão mudando sem diretrizes comuns para regular essa evolução". Trata-se de uma "mudança geopolítica", acrescentou, observando que o foco e os centros de crescimento econômico estão se deslocando para o Sul Global.
Nesse contexto, a Rússia desaprova a exclusão da África do Sul das reuniões do G20 durante a presidência norte-americana dessa plataforma multinacional, afirmou o diplomata.
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Os EUA decidiram não enviar uma delegação de alto nível à cúpula do G20 em Joanesburgo, em novembro de 2025; por sua vez, a África do Sul recusou-se a passar o bastão para um representante da Embaixada dos EUA, após o presidente Donald Trump ter anunciado que a nação africana não seria convidada para a cúpula do G20 em Miami, em dezembro de 2026.

"É claro que não podemos, de forma alguma, apoiar ou aceitar a decisão dos EUA de não convidar representantes da África do Sul. Consideramos essa uma decisão arbitrária e estamos afirmando isso inequivocamente aos nossos colegas", disse Agafonov a repórteres.

O diplomata russo expressou a esperança de que a África do Sul, membro do grupo BRICS e um "país amigo" da Rússia, retome suas atividades no âmbito do G20.
Por outro lado, Agafonov sugeriu que a inclusão da Polônia no G20 alteraria o equilíbrio de poder nessa plataforma multinacional, observando que a Europa está "super-representada" no G20.
Agafonov reconheceu a importância da economia polonesa, mas ao mesmo tempo salientou que "há uma série de nações cujo produto interno bruto (PIB) é o dobro do da Polônia e que tradicionalmente participam como convidadas" do G20.

"Qualquer decisão sobre a admissão de novos países deve ser tomada por consenso", enfatizou Agafonov a esse respeito.

Em relação à participação da Rússia, ele observou que os Estados Unidos não apresentaram, até o momento, nenhum obstáculo intransponível à participação do país euroasiático nos eventos do G20.
Ele também enfatizou que a composição da delegação russa para a cúpula do G20 em dezembro será definida à medida que a data da reunião se aproximar, anunciou o representante russo.
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Foco econômico

O diplomata acrescentou que a Rússia considera positivo o fato de, sob a presidência dos EUA, a agenda do G20 estar focada em questões econômicas e já ter comunicado a Washington o interesse das empresas russas em participar dos eventos do grupo.
"Acreditamos que é muito importante permanecermos parte desse processo, promovermos nossas prioridades, defendermos nossos interesses, por exemplo, no setor de energia, na área de alta tecnologia, inovação e estratégias para o crescimento econômico", afirmou Agafonov.
Nesse sentido, ele enfatizou que Moscou considera encorajador o início da presidência norte-americana do G20, mas que os desdobramentos mais importantes ainda estão por vir. Ele ressaltou que a Rússia levanta questões relacionadas a sanções e restrições que afetam a economia global no G20.

"Se as sanções forem analisadas sob uma perspectiva econômica, elas são restrições e barreiras, assim como quaisquer tarifas ou outras medidas regulatórias não mercantis. Portanto, naturalmente, damos atenção a essas questões no âmbito do G20", afirmou Agafonov.

O G20 é composto por 19 países (Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia e Reino Unido), a União Europeia e, desde 2023, a União Africana.

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