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Asteroide 'desaparecido' pode explicar poeira cósmica incomum que chega à Terra (IMAGENS)

© Shutterstock/FOTODOM / Mikael DamkierAnimação 3D da Terra vista do espaço, produzida com elementos fornecidos pela NASA
Animação 3D da Terra vista do espaço, produzida com elementos fornecidos pela NASA - Sputnik Brasil, 1920, 07.07.2026
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Micrometeoritos com composições químicas anômalas revelam a existência de um asteroide "desaparecido" que não aparece nas coleções de meteoritos conhecidas. Pesquisadores acreditam que ele possa ter fornecido até 10% da poeira cósmica que atinge a Terra há mais de um milhão de anos.
Micrometeoritos com composições químicas anômalas revelam a existência de um asteroide "desaparecido" que não consta vas coleções de meteoritos conhecidas. Pesquisadores acreditam que ele possa ter fornecido até 10% da poeira cósmica que atinge a Terra há mais de um milhão de anos.
Micrometeoritos caem continuamente sobre a Terra, formando uma camada invisível de poeira cósmica. Originados de asteroides e cometas, eles se transformam em esferas vítreas ao atravessar a atmosfera — e algumas carregam sinais químicos de um asteroide que não aparece em nenhuma coleção conhecida.
Pesquisadores descrevem esse corpo progenitor como "desaparecido", já que nenhum meteorito conhecido corresponde à sua composição. Para Matthias Van Ginneken, da Universidade de Kent, os micrometeoritos revelam material extraterrestre ausente das coleções tradicionais, ampliando o potencial científico dessa poeira.
CC BY-SA 3.0 / MUSE / Micrometeorite al microscopio elettronico a scansioneMicrometeorito visto ao microscópio eletrônico de varredura
Micrometeorito visto ao microscópio eletrônico de varredura - Sputnik Brasil, 1920, 07.07.2026
Micrometeorito visto ao microscópio eletrônico de varredura
Essas partículas preservam registros do ambiente cósmico e ajudam a rastrear detritos espaciais ao longo de milhares de anos, mas não apenas, eles também oferecem pistas sobre a composição de asteroides próximos da Terra, sem depender de missões de coleta de amostras.

Segundo Van Ginneken, no entanto, ao menos um asteroide próximo fornece poeira ao planeta há mais de um milhão de anos.

Desde 2005, cientistas identificam micrometeoritos com proporções incomuns de isótopos de oxigênio, classificados como Grupo 4 e sem corpo parental conhecido. Em 2020, análises mostraram que essas características eram herdadas do asteroide original, não da fusão atmosférica.
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Planeta rosa com nuvens salgadas intriga astrônomos e revela limites dos modelos atuais (IMAGENS)
Outras anomalias apareceram, como pequenas esferas de poeira espacial em que o mineral olivina ficou concentrado em apenas um lado durante a queda pela atmosfera — um efeito parecido com o de um líquido sendo empurrado para um canto quando algo freia de repente. Ao investigar se essas características estranhas aconteciam juntas, os pesquisadores descobriram que elas se sobrepunham quase totalmente, indicando que provavelmente vinham do mesmo tipo raro de asteroide.
A equipe identificou ainda ausência de magnetita e altos níveis de enxofre, características raras que levaram à criação do grupo de partículas de olivina cumulativa ricas em enxofre (SCumPo, na sigla em inglês). A falta de magnetita indica ambiente redutor e possível asteroide rico em carbono; o enxofre remete aos raros meteoritos condritos CY, de química incomum, também rico em carbono.
Imagens SEM BSE da esférula cósmica SCumPo WN-790 - Sputnik Brasil, 1920, 07.07.2026
Imagens SEM BSE da esférula cósmica SCumPo WN-790
As proporções de oxigênio sugerem alteração por água incomum, reforçando a ideia de um asteroide extremamente raro que pode representar até 10% de todos os micrometeoritos conhecidos. Simulações indicam entrada atmosférica muito rápida, típica de asteroides próximos da Terra.
O corpo progenitor pode já estar catalogado entre os mais de 40 mil objetos próximos da Terra, mas só amostras diretas confirmariam sua identidade.
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