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Tensão aumenta na Colômbia: Petro e De la Espriella levam o clima político ao limite

© AP Photo / Fernando VergaraO presidente da Colômbia, Gustavo Petro, discursa durante uma cerimônia militar em Bogotá, Colômbia, 5 de junho de 2026
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, discursa durante uma cerimônia militar em Bogotá, Colômbia, 5 de junho de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 08.07.2026
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O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, cancelou as reuniões de transição com o governo do presidente cessante Gustavo Petro em meio a acusações mútuas de suposta fraude e corrupção. Analistas disseram à Sputnik que ambos estão envolvidos em uma "guerra de narrativas", que pode perigosamente se estender às ruas.
A um mês do dia 7 de agosto, data marcada para a transferência de poder na Colômbia, a crescente tensão entre o atual presidente Gustavo Petro e o presidente eleito Abelardo de la Espriella levou à suspensão das reuniões de transição entre os dois governos e a acusações mútuas de corrupção, suposta fraude e tentativas de golpe.
Por volta do meio-dia de 7 de julho, De la Espriella anunciou pelas redes sociais sua decisão de "suspender imediatamente o processo de transição com o governo corrupto cujo mandato está terminando e que, por meio de suas decisões e conduta, pretende destruir a Colômbia".
Como explicou posteriormente o presidente eleito em uma mensagem de vídeo, a suspensão das negociações entre os dois governos se deu devido à "tentativa de golpe contra o mandato popular" do atual presidente, que se recusou a reconhecer a vitória eleitoral de De la Espriella.

"Petro e Iván Cepeda iniciaram seu Plano B para permanecerem no poder a todo custo, e pretendem fazê-lo por meio de um golpe de Estado. Nas últimas horas, o plano se intensificou e Petro, assumindo poderes que pertencem ao órgão eleitoral, recusou-se a reconhecer minha eleição como presidente eleito", denunciou De la Espriella em uma mensagem gravada.

Anteriormente, por meio de sua conta nas redes sociais, Petro havia afirmado ter "todas as informações" sobre um suposto esquema para manipular os resultados eleitorais, baseado na manipulação de um servidor de computador localizado em Los Angeles, Califórnia, pertencente a dois irmãos colombianos de sobrenome Bautista.

"O atual presidente da Colômbia enfrenta evidências de fraude eleitoral por meios algorítmicos e com financiamento estrangeiro, proibido por nossa Constituição", escreveu Petro, acrescentando em outra parte de sua mensagem que, como consequência dessa operação, "o presidente da Colômbia não reconhece a legitimidade do novo governo". Assim, resumiu: "Abelardo não venceu a eleição."

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Aposta no 'confronto democrático'

Em diálogo com a Sputnik, o advogado e analista político Álvaro Padilla explicou que a alegação de Petro se baseia na premissa de que "nos boletins finais da apuração, quando a diferença entre De la Espriella e Cepeda começou a diminuir, Cepeda na verdade o ultrapassou, mas o algoritmo [de contagem] foi manipulado para determinar o contrário".

Padilla ressaltou que, embora a contagem oficial e a preliminar tenham coincidido em 99%, a hipótese é que a irregularidade tenha ocorrido "no nível algorítmico" durante a transmissão dos resultados. Em todo caso, o analista enfatizou que, para o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão responsável pela apuração dos votos, "não houve fraude", e De la Espriella já foi oficialmente declarado presidente eleito.

Consultado também pela Sputnik, o analista político Diógenes Rosero opinou que Petro baseia seu argumento na premissa de que "nenhum processo eleitoral é infalível" para "alimentar uma narrativa" de fraude, narrativa essa que poderia ofuscar a vitória de De la Espriella. Ele acredita que isso faz mais parte de uma estratégia política futura do que de uma expectativa genuína de mudar o resultado das eleições de junho.

"Esta não é a primeira vez que Petro se recusa a reconhecer um governo; ele já o fez com o então presidente Iván Duque [2018-2022]. Acho que ele está repetindo a mesma tática agora para gerar uma narrativa que vise deslegitimar o governo e enviar uma mensagem", afirmou Rosero.

Para Padilla, a atitude do presidente pode ser explicada pelas suas divergências com o candidato de Petro, Iván Cepeda, relativamente à estratégia a adotar após as eleições. Enquanto Cepeda inicialmente defendia uma postura mais moderada em resposta à vitória de De la Espriella, "Petro não queria moderação alguma, mas sim um confronto democrático".
Assim, a liderança do atual presidente foi fundamental para persuadir Cepeda a modificar o seu discurso inicial e a apelar à "desobediência civil pacífica" contra De la Espriella.
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Um choque de narrativas

Analistas concordaram que a tensão entre De la Espriella e Petro diminuirá até a cerimônia de posse de 7 de agosto, mas também alertaram que o clima de polarização política que caracterizou este processo eleitoral persistirá pelos próximos quatro anos.

"Estamos saindo de um ambiente de polarização que agora se transforma em deslegitimação. De um lado, há uma tentativa de deslegitimar o governo e, do outro, de deslegitimar a oposição. Há uma guerra de legitimidade que se transformará em uma espécie de polarização contínua", enfatizou Rosero.

Segundo o especialista, ambos os lados tentarão resolver esse confronto com "apelos ao povo" baseados em "narrativas altamente identitárias" que, longe de buscarem entendimento com o restante da classe política, visarão se fortalecer com apoio popular em pesquisas e nas redes sociais, e com a narrativa de serem os verdadeiros "representantes do povo".
Embora tanto o governo colombiano quanto a esquerda possam jogar esse jogo, Rosero acredita que De la Espriella terá uma vantagem inicial nessa disputa, já que, de sua posição de poder, ele "pode influenciar a opinião pública, implementar medidas e tomar ações" que a farão se voltar para o seu lado.
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Nesse sentido, ele imaginou que o governo de De la Espriella buscará "agir rapidamente em relação à questão da segurança", um dos assuntos mais sensíveis para a opinião pública colombiana, a fim de obter apoio popular por meio de uma estratégia de "cenoura e vara".

Na mesma linha, Rosero enfatizou que De la Espriella apostará grande parte de seu capital político em sua resposta aos potenciais protestos convocados pela oposição a Petro. "Haverá uma guerra de marchas, e De la Espriella arriscará grande parte de sua legitimidade dependendo de como conter essas mobilizações", observou.

Padilla, por sua vez, defendeu a ideia de que o anúncio de um "Bloco de Defesa para a Segurança Urbana" para salvaguardar a segurança nas principais cidades do país também reflete a intenção de De la Espriella de estabelecer "uma força policial política que terá como alvo qualquer pessoa que se oponha ao governo por meio da desobediência civil".
Além disso, o especialista observou que esses tipos de organizações de defesa civil, compostas principalmente por ex-policiais e veteranos militares, têm sido tradicionalmente "a gênese do paramilitarismo" na Colômbia e podem representar uma fonte de violência em eventuais confrontos que possam ocorrer no contexto dessas novas e tensas situações.
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