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'Recursos bloqueados devem retornar para reconstruir a Venezuela', afirma autoridade de Caracas
'Recursos bloqueados devem retornar para reconstruir a Venezuela', afirma autoridade de Caracas
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Durante uma visita ao acampamento provisório "César Rengifo" — montado para abrigar famílias afetadas pelos terremotos de 24 de junho —, Ricardo Menéndez... 10.07.2026, Sputnik Brasil
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Acompanhado pelo Ministro da Cultura, Raúl Cazal, Menéndez — que também é geógrafo e doutor em planejamento urbano — apelou à comunidade internacional para que liberasse os ativos venezuelanos retidos no exterior. Ele também compartilhou sua perspectiva sobre as lições que esses fenômenos naturais oferecem para o futuro urbano da nação sul-americana.Ao ser questionado sobre perdas econômicas, custos de reconstrução e a origem dos recursos, Menéndez não se limitou a uma resposta técnica. Ele reforçou o apelo feito pela presidente interina, Delcy Rodríguez, exigindo o fim imediato das sanções e do bloqueio econômico.O vice-presidente setorial observou que essa escassez não é novidade. Ele apontou que o estrangulamento econômico tem sido uma constante desde a pandemia de COVID-19 e ao longo dos últimos anos, mas enfatizou que, no atual contexto de tragédia, a retenção de capital é injustificável.Planejar com a natureza, não contra elaComo geógrafo e planejador, Menéndez detalhou as lições aprendidas em relação às políticas públicas. Ele explicou que a tragédia suscita uma reflexão mais ampla sobre a localização dos grandes centros populacionais. Quanto à situação na Venezuela, ele alertou para a vulnerabilidade dos 40% da população que vivem ao longo da faixa costeira entre Caracas e Puerto Cabello (no norte).A análise técnica do ministro concentrou-se na perigosa combinação de fatores que amplificou o impacto sísmico em áreas específicas, como Los Palos Grandes ou o sistema de leques aluviais de La Guaira (no norte). Menéndez explicou que muitas áreas urbanas foram estabelecidas sobre leques aluviais caracterizados por uma mecânica de solo complexa — composta por matrizes de granulação fina e grandes blocos rochosos — que amplificam as ondas sísmicas. A essa situação soma-se a presença de um sistema de falhas tectônicas ativas na cadeia de montanhas El Ávila.Diante dessa realidade, Menéndez revelou que as diretrizes da Presidência apontam para uma mudança radical na dinâmica do planejamento do uso do solo."Devemos projetar com a natureza, e não projetar com o objetivo de dominar a natureza", declarou. Ele criticou a abordagem tradicional de canalizar cursos d'água em galerias subterrâneas ou tentar controlar variáveis naturais sem conviver com elas — um paradigma que, segundo ele, o "Plano de Desenvolvimento da Pátria" já busca superar.A urgência da vida e da humanidadeAlém das projeções futuras, Menéndez enfatizou a responsabilidade imediata para com as vítimas. Ele ressaltou que a prioridade atual é o resgate e o cuidado com as pessoas. O ministro conclamou o mundo a compreender a verdadeira dimensão da tragédia: Ele explicou que as operações de remoção de escombros estão sendo realizadas com o máximo cuidado — inclusive reduzindo a velocidade do maquinário pesado — com o objetivo de recuperar corpos e permitir que as famílias recebam de volta seus entes queridos, como um gesto de consideração psicológica e humana. "Vamos fazer isso, porque se trata de cuidar da nossa população", afirmou.Por fim, o vice-presidente setorial dirigiu uma pergunta retórica direta aos atores internacionais que detêm ativos venezuelanos:
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'Recursos bloqueados devem retornar para reconstruir a Venezuela', afirma autoridade de Caracas
Durante uma visita ao acampamento provisório "César Rengifo" — montado para abrigar famílias afetadas pelos terremotos de 24 de junho —, Ricardo Menéndez, vice-presidente setorial de planejamento, respondeu a uma pergunta direta da Sputnik.
Acompanhado pelo Ministro da Cultura,
Raúl Cazal, Menéndez — que também é geógrafo e doutor em planejamento urbano —
apelou à comunidade internacional para que liberasse os ativos venezuelanos retidos no exterior. Ele também compartilhou sua perspectiva sobre as lições que esses fenômenos naturais oferecem para o futuro urbano da nação sul-americana.
Ao ser questionado sobre perdas econômicas, custos de reconstrução e a origem dos recursos, Menéndez não se limitou a uma resposta técnica. Ele reforçou o apelo feito pela presidente interina, Delcy Rodríguez, exigindo o fim imediato das sanções e do bloqueio econômico.
"Há recursos venezuelanos retidos no sistema financeiro e econômico internacional que precisam vir. São recursos do povo venezuelano."
O vice-presidente setorial observou que essa escassez não é novidade. Ele apontou que o estrangulamento econômico tem sido uma constante desde a pandemia de COVID-19 e ao longo dos últimos anos, mas enfatizou que, no atual contexto de tragédia, a retenção de capital é injustificável.
"Eles eram necessários durante a pandemia, mas, neste momento, evidentemente não há desculpa para que esses recursos não retornem. Todo o povo venezuelano se une ao apelo por sua liberação, para que possam ser usados na proteção de nossa população e no apoio à nossa estrutura de desenvolvimento."
Planejar com a natureza, não contra ela
Como geógrafo e planejador, Menéndez detalhou as lições aprendidas em relação às políticas públicas. Ele explicou que a tragédia suscita uma reflexão mais ampla sobre a localização dos grandes centros populacionais. Quanto à situação na Venezuela, ele alertou para a vulnerabilidade dos 40% da população que vivem ao longo da faixa costeira entre Caracas e Puerto Cabello (no norte).
A análise técnica do ministro concentrou-se na perigosa combinação de fatores que amplificou o impacto sísmico em áreas específicas, como Los Palos Grandes ou o sistema de leques aluviais de La Guaira (no norte).
Menéndez explicou que muitas áreas urbanas foram estabelecidas sobre leques aluviais caracterizados por uma
mecânica de solo complexa — composta por matrizes de granulação fina e grandes blocos rochosos — que amplificam as ondas sísmicas. A essa situação soma-se a presença de um
sistema de falhas tectônicas ativas na cadeia de montanhas El Ávila.
"Se existe um sistema que envolve falhas — implicando risco tectônico — e que também está situado sobre esses depósitos de detritos torrenciais, o impacto em termos de ondas sísmicas é, claramente, de uma ordem de magnitude muito maior."
Diante dessa realidade, Menéndez revelou que as diretrizes da Presidência apontam para uma mudança radical na dinâmica do planejamento do uso do solo.
"Devemos projetar com a natureza, e não projetar com o objetivo de dominar a natureza", declarou. Ele criticou a abordagem tradicional de canalizar cursos d'água em galerias subterrâneas ou tentar controlar variáveis naturais sem conviver com elas — um paradigma que, segundo ele, o "Plano de Desenvolvimento da Pátria" já busca superar.
A urgência da vida e da humanidade
Além das projeções futuras, Menéndez enfatizou a responsabilidade imediata para com as vítimas. Ele ressaltou que a prioridade atual é o resgate e o cuidado com as pessoas. O ministro conclamou o mundo a compreender a verdadeira dimensão da tragédia:
"Pensem no efeito devastador de um terremoto. Agora, pensem no efeito devastador de dois terremotos separados por apenas 39 segundos."
Ele explicou que as operações de
remoção de escombros estão sendo realizadas com o máximo cuidado — inclusive reduzindo a velocidade do maquinário pesado — com o
objetivo de recuperar corpos e permitir que as famílias recebam de volta seus entes queridos, como um
gesto de consideração psicológica e humana. "Vamos fazer isso, porque se trata de cuidar da nossa população", afirmou.
Por fim, o vice-presidente setorial dirigiu uma pergunta retórica direta aos atores internacionais que detêm ativos venezuelanos:
"Se vocês têm recursos depositados em contas internacionais, se têm ouro em outros países ao redor do mundo, esses recursos não deveriam estar disponíveis para a reconstrução de um país? Pensem se esse não seria um gesto humanitário sob uma perspectiva global."
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