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OTAN estimula russofobia nos Bálticos e lucra com discriminação
OTAN estimula russofobia nos Bálticos e lucra com discriminação
Sputnik Brasil
Fricções entre a Rússia e os Países Bálticos têm raízes históricas. As diferenças, entretanto, têm escalado à medida que as tensões entre Moscou e a... 13.07.2026, Sputnik Brasil
2026-07-13T20:33-0300
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2026-07-15T14:38-0300
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Nas fronteiras com a Rússia, países do Báltico estão construindo muros e bunkers, transformando esses territórios em "faixas de extrema militarização", descreve Danielle Makio, doutoranda e mestre em relações internacionais pelo Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas, pesquisadora do Centro de Investigação em Rússia, Eurásia e Espaço Pós-Soviético (CIRE), em entrevista ao Mundioka, podcast da Sputnik Brasil.Essa "inimizade" e "distância política" vem se materializando, inclusive, com endosso da própria população, segundo ela. "Não é difícil você abrir tabloides internacionais e encontrar matérias que falam sobre como pessoas da Estônia, da Lituânia, da Letônia construíram seus próprios bunkers com medo da Rússia", exemplifica.A russofobia, nessa seara, é a expressão máxima da representação de Moscou como inimigo pelos países ocidentais; o esteio argumentativo justifica desde os gastos militares até o comportamento civil. Makio ressalta que discriminar um país considerado "inimigo número um" chega a ser socialmente aceitável: "A russofobia é frequentemente confundida ou atrelada ao patriotismo, à consciência geopolítica, à crítica política internacional".Enquanto isso, minorias étnicas russas sofrem nesses territórios e veem direitos sendo cerceados, como na tentativa de diminuir o uso da língua russa ou a presença da Rússia e de seus aspectos culturais e políticos na vida dessas sociedades.Esse tipo de retaliação, segundo a especialista, é incentivado por países da OTAN e da União Europeia (UE), indo na contramão de princípios do bloco econômico — e realçando a hipocrisia ocidental.De acordo com a pesquisadora, há métodos similares em medidas como "a exclusão cívica e a assimilação linguística forçada na Letônia, com práticas de um nacionalismo extremo do século XIX, do século XX".Portanto, os europeus sustentam a seguinte ideia, conforme Makio: "Precisamos manter essa ideia de uma Rússia inimiga, porque é a partir disso que, fundamentalmente, nós, Europa, temos conseguido legitimar e avançar uma série de políticas e de questões muito importantes na atual conjuntura para a União Europeia como um todo".O reforço do imaginário da Rússia como inimigo sustenta, como já colocado, a discriminação e, por vezes até, a perseguição contra minorias étnicas russas em países da UE e da OTAN. Sem nenhuma oposição significativa a essas medidas, o bloco europeu incorre em hipocrisias, uma vez que o direito à autodeterminação das minorias étnicas que compõem o bloco é violado.Quem perde com isso, evidentemente, são os russos étnicos. Por outro lado, quem ganha com a militarização extrema dos Países Bálticos? Isso é relativo, no ponto de vista da analista. O sentimento de insegurança e o medo que habitam essas nações é latente, de acordo com Makio. Assim, a população, diante desse tipo de medida, atravessada pelo imaginário do russo como inimigo, expressa alívio e um "sentimento de maior proteção".Agora, quem ganha mesmo são a OTAN e os Estados Unidos. "Primeiro, pensando em indústria bélica. O complexo industrial-militar dos Estados Unidos está muito feliz com o que está acontecendo, porque é óbvio que está se beneficiando disso", afirma a especialista."A OTAN também se beneficia porque estamos falando de uma fronteira muito importante para o complexo de segurança europeu, essa fronteira dos Bálticos com a Rússia. À medida que todas essas questões de securitização, de investimento, de militarização começam a avançar nesse espaço, a gente tem uma legitimação muito maior de decisões e pautas que vão ao encontro dos grandes objetivos da OTAN na Europa como um todo."Investimento dos Países Bálticos na OTAN é sustentável?O presidente dos EUA, Donald Trump, tem pressionado os outros países da aliança militar a investir de maneira mais contundente em defesa. A meta, até 2024, era que cada um dos 32 membros gastasse cerca de 2% do PIB no setor.Entretanto, dados divulgados neste ano pela UE mostram que em 2025 Lituânia, Letônia e Estônia gastaram respectivamente 4%, 3,7% e 3,4% do seu PIB em defesa, aumentando consideravelmente o investimento.Makio argumenta que a médio e longo prazos a tendência é que a manutenção desse nível de militarização comece a afetar a vida das pessoas. "A gente começa a ter uma incapacidade do Estado de manter um fluxo de investimentos sustentável em áreas como educação, urbanismo, cultura, saúde e outras coisas que são talvez muito mais vitais para a sobrevivência e para o bem-estar desses indivíduos."Ou seja, se no momento atual os Bálticos não se opuseram ao aumento dos gastos, a longo prazo a manutenção desse investimento provavelmente gerará uma conta negativa para a sociedade.
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rússia, organização do tratado do atlântico norte, otan, donald trump, letônia, estônia, russofobia, discriminação, europa, exclusiva, mundioka, lituânia, podcast, tensão geopolítica, estados unidos, eua, defesa
OTAN estimula russofobia nos Bálticos e lucra com discriminação
20:33 13.07.2026 (atualizado: 14:38 15.07.2026) Especiais
Fricções entre a Rússia e os Países Bálticos têm raízes históricas. As diferenças, entretanto, têm escalado à medida que as tensões entre Moscou e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) aumentam.
Nas fronteiras com a Rússia, países do Báltico estão construindo muros e bunkers, transformando esses territórios em "faixas de extrema militarização", descreve
Danielle Makio, doutoranda e mestre em relações internacionais pelo Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas, pesquisadora do Centro de Investigação em Rússia, Eurásia e Espaço Pós-Soviético (CIRE), em entrevista ao
Mundioka, podcast da
Sputnik Brasil.
Essa "inimizade" e "distância política" vem se materializando, inclusive, com endosso da própria população, segundo ela. "Não é difícil você abrir tabloides internacionais e encontrar matérias que falam sobre como pessoas da Estônia, da Lituânia, da Letônia construíram seus próprios bunkers com medo da Rússia", exemplifica.
A russofobia, nessa seara, é a expressão máxima da representação de Moscou como inimigo pelos países ocidentais; o esteio argumentativo justifica desde os gastos militares até o comportamento civil. Makio ressalta que discriminar um país considerado "inimigo número um" chega a ser socialmente aceitável: "A russofobia é frequentemente confundida ou atrelada ao patriotismo, à consciência geopolítica, à crítica política internacional".
Enquanto isso, minorias étnicas russas sofrem nesses territórios e veem direitos sendo cerceados, como na tentativa de diminuir o uso da língua russa ou a presença da Rússia e de seus aspectos culturais e políticos na vida dessas sociedades.
Esse tipo de retaliação, segundo a especialista, é
incentivado por países da OTAN e da União Europeia (UE), indo na contramão de princípios do bloco econômico — e realçando a hipocrisia ocidental.
"A OTAN vem transformando, ou pelo menos vem, de forma bastante sistemática, utilizando esses países tanto como zona de defesa, uma linha de frente em relação à Rússia", como também vem mobilizando esses países "no sentido de criar uma narrativa, um discurso que embasa a construção de uma identidade muito fortemente russófoba."
De acordo com a pesquisadora, há métodos similares em medidas como "a exclusão cívica e a
assimilação linguística forçada na Letônia, com
práticas de um nacionalismo extremo do século XIX, do século XX".

27 de fevereiro 2025, 14:10
Portanto, os europeus sustentam a seguinte ideia, conforme Makio: "Precisamos manter essa ideia de uma Rússia inimiga, porque é a partir disso que, fundamentalmente, nós, Europa, temos conseguido legitimar e avançar uma série de políticas e de questões muito importantes na atual conjuntura para a União Europeia como um todo".
O reforço do
imaginário da Rússia como inimigo sustenta, como já colocado, a discriminação e, por vezes até, a perseguição contra minorias étnicas russas em países da UE e da OTAN. Sem nenhuma oposição significativa a essas medidas, o bloco europeu incorre em hipocrisias, uma vez que o direito à autodeterminação das minorias étnicas que compõem o bloco é violado.
Quem perde com isso, evidentemente, são os russos étnicos. Por outro lado,
quem ganha com a militarização extrema dos Países Bálticos? Isso é relativo, no ponto de vista da analista. O sentimento de insegurança e o medo que habitam essas nações é latente, de acordo com Makio. Assim, a população, diante desse tipo de medida, atravessada pelo
imaginário do russo como inimigo, expressa alívio e um "sentimento de maior proteção".
Agora, quem ganha mesmo são a OTAN e os Estados Unidos. "Primeiro, pensando em indústria bélica. O complexo industrial-militar dos Estados Unidos está muito feliz com o que está acontecendo, porque é óbvio que está se beneficiando disso", afirma a especialista.
"A OTAN também se beneficia porque estamos falando de uma fronteira muito importante para o
complexo de segurança europeu, essa fronteira dos Bálticos com a Rússia. À medida que todas essas questões de securitização, de investimento, de militarização começam a avançar nesse espaço, a gente tem uma legitimação muito maior de decisões e pautas que vão ao encontro dos grandes objetivos da OTAN na Europa como um todo."

22 de outubro 2025, 18:30
Investimento dos Países Bálticos na OTAN é sustentável?
O presidente dos EUA, Donald Trump, tem pressionado os outros países da aliança militar a investir de maneira mais contundente em defesa. A meta, até 2024, era que cada um dos 32 membros gastasse cerca de 2% do PIB no setor.
Entretanto, dados divulgados neste ano pela UE mostram que em 2025 Lituânia, Letônia e Estônia gastaram respectivamente 4%, 3,7% e 3,4% do seu PIB em defesa, aumentando consideravelmente o investimento.
Makio argumenta que a médio e longo prazos a tendência é que a manutenção desse nível de militarização comece a afetar a vida das pessoas. "A gente começa a ter uma incapacidade do Estado de manter um fluxo de investimentos sustentável em áreas como educação, urbanismo, cultura, saúde e outras coisas que são talvez muito mais vitais para a sobrevivência e para o bem-estar desses indivíduos."
Ou seja, se
no momento atual os Bálticos não se opuseram ao aumento dos gastos, a longo prazo a manutenção desse investimento provavelmente gerará uma conta negativa para a sociedade.
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