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OTAN estimula russofobia nos Bálticos e lucra com discriminação

© AP Photo / Mindaugas KulbisSoldados alemães da Bundeswehr (Forças Armadas) da OTAN reforçaram o batalhão de presença avançada na frente do tanque de batalha principal do Exército alemão Leopard 2A6 no campo de treinamento em Pabrade, Lituânia, em maio de 2023
Soldados alemães da Bundeswehr (Forças Armadas) da OTAN reforçaram o batalhão de presença avançada na frente do tanque de batalha principal do Exército alemão Leopard 2A6 no campo de treinamento em Pabrade, Lituânia, em maio de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 13.07.2026
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Fricções entre a Rússia e os Países Bálticos têm raízes históricas. As diferenças, entretanto, têm escalado na medida em que as tensões entre Moscou e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) aumentam.
Nas fronteiras com a Rússia, países do Báltico estão construindo muros e bunkers, transformando esses territórios em "faixas de extrema militarização", descreve Danielle Makio, doutoranda e mestre em relações internacionais pelo Programa de Pós Graduação San Tiago Dantas, pesquisadora do Centro de Investigação em Rússia, Eurásia e Espaço Pós-Soviético (CIRE) em entrevista ao Mundioka, podcast da Sputnik Brasil.
A "materialização dessa inimizade" e "distância política" vem tomando forma, inclusive, com endosso da própria população, segundo ela. "Não é difícil você abrir tabloides internacionais e encontrar matérias que falam sobre como pessoas da Estônia, da Lituânia, da Letônia construíram seus próprios bunkers com medo da Rússia", exemplifica.
A russofobia, nesta seara, é a expressão máxima da qual os países ocidentais lançam mão para seguirem pintando Moscou como inimigo. O esteio argumentativo justifica desde os gastos militares ao comportamento civil. Makio ressalta que discriminar um país considerado como "inimigo número um" chega a ser socialmente aceitável. "A russofobia é frequentemente confundida ou atrelada ao patriotismo, à consciência geopolítica, à crítica política internacional".
Enquanto isso, minorias étnicas russas sofrem nesses territórios e perdem direitos adquiridos, como a tentativa de diminuir o uso da língua russa ou a presença da Rússia e de seus aspectos culturais e políticos sobre a vida dessas sociedades.
Esse tipo de retaliação, segundo a especialista, é incentivado por países da OTAN e da União Europeia, ao passo que a discriminação retratada vai na contramão de princípios do bloco econômico, o que realça a hipocrisia ocidental.

"A OTAN vem transformando, ou pelo menos vem, de forma bastante sistemática, utilizando esses países tanto como uma zona de defesa, uma linha de frente em relação à Rússia", como também vem mobilizando esses países "no sentido de criar uma narrativa, um discurso que embasa a construção de uma identidade muito fortemente russófoba."

De acordo com a pesquisadora, há métodos similares em medidas como "a exclusão cívica e a assimilação linguística forçada na Letônia, por exemplo, com práticas de um nacionalismo ali extremo do século XIX, do século XX".
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Os europeus, portanto, sustentam a seguinte ideia conforme Makio: "Precisamos manter essa ideia de uma Rússia inimiga, porque é a partir disso que, fundamentalmente, nós, Europa, temos conseguido legitimar e avançar uma série de políticas e de questões muito importantes na atual conjuntura para a União Europeia como um todo".
O reforço do imaginário da Rússia como inimigo sustenta, como já colocado, a discriminação e, por vezes até, a perseguição contra minorias étnicas russas em países da UE e da OTAN. Sem nenhuma oposição significativa a essas medidas, a UE, segundo a analista, incorre em hipocrisias, uma vez que o direito à autodeterminação das minorias étnicas que compõem o bloco é violado.
Quem perde com isso, evidentemente, são os russos étnicos. Por outro lado, quem ganha com a militarização extrema dos Países Bálticos? Bom, isso é relativo, no ponto de vista da analista. O sentimento de insegurança e o medo que habitam essas nações é latente, de acordo com Makio. Dessa forma, a população, diante desse tipo de medida, atravessada pelo imaginário do russo como inimigo, expressa alívio e um "sentimento de maior proteção".
Agora, quem ganha mesmo, de fato, são a OTAN e os Estados Unidos. "Primeiro, pensando em indústria bélica. O complexo industrial militar dos Estados Unidos está muito feliz com o que está acontecendo, porque é óbvio que está se beneficiando disso", afirma a especialista.
"A OTAN também se beneficia porque estamos falando de uma fronteira muito importante para o complexo de segurança europeia, nessa fronteira dos Bálticos com a Rússia. Na medida em que todas essas questões de securitização, de investimento, de militarização começam a avançar nesse espaço, a gente tem uma facilitação muito maior de legitimação de decisões e pautas que vão ao encontro dos grandes objetivos da OTAN na Europa como um todo."
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen (à esquerda), e a primeira-ministra estoniana, Kaja Kallas, durante as comemorações do 105º aniversário da República da Estônia. Tallinn, Estônia, 24 de fevereiro de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 22.10.2025
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Investimento dos países Bálticos na OTAN tende a ser sustentável?

O presidente dos EUA, Donald Trump, tem pressionado os outros países da aliança militar a investirem de maneira mais contundente em defesa. A meta, até 2024, era que cada um dos 32 países gastasse cerca de 2% do PIB em defesa.
Entretanto, dados divulgados neste ano pela União Europeia mostram que em 2025 Lituânia, Letônia e Estônia gastaram respectivamente 4%, 3,7% e 3,4% do seu PIB em defesa, aumentando consideravelmente o investimento.
Makio argumenta que a médio e longo prazo a tendência é que a manutenção desse nível de militarização comece a afetar a vida das pessoas. "A gente começa a ter uma incapacidade do Estado de manter um fluxo de investimentos sustentável em áreas como educação, urbanismo, cultura, saúde e outras coisas que são talvez muito mais vitais para a sobrevivência e para o bem-estar desses indivíduos".
Ou seja, se no momento atual os Bálticos não se opuseram ao aumento dos gastos, a longo prazo a manutenção desse investimento provavelmente gerará uma conta negativa para a sociedade.
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