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Argentinos lotam ruas de Buenos Aires contra projeto de despejo apoiado por Milei

© AP Photo / Kena BetancurO presidente da Argentina, Javier Milei, discursa na Universidade de Yeshiva, em Nova York, em 9 de março de 2026
O presidente da Argentina, Javier Milei, discursa na Universidade de Yeshiva, em Nova York, em 9 de março de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 06.08.2026
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Milhares de argentinos marcharam pelas ruas sob chuva de Buenos Aires, nesta quinta-feira (6), em direção ao Congresso, para protestar contra um projeto que autoriza o despejo de inquilinos com aluguel atrasado e restringe desapropriações realizadas pelo Estado. A ideia é aprovada pelo presidente Javier Milei.
O protesto reuniu sindicatos e movimentos sociais na capital argentina para pressionar o texto, discutido hoje no Legislativo. A proposta foi apelidada de "Lei da Estrangeirização das Terras Argentinas".
À Sputnik, Florencia Gómez, ex-diretora do Cadastro Nacional de Terras Rurais e coautora da Lei de Terras, afirmou que o projeto "gera um perigo de desmembramento da soberania".
O projeto de lei em debate no Senado permite o despejo de inquilinos com aluguéis atrasados, restringe o alcance da expropriação estatal e flexibiliza as regulamentações contra incêndio criminoso. Até ontem (5), a iniciativa também incluía uma seção que aumentava o limite de propriedade estrangeira de terras rurais, o ponto mais controverso do projeto original.
Esse capítulo sobre terras estrangeiras gerou intenso debate público nas últimas semanas e alimentou grande parte da rejeição social ao projeto original, até que o partido governista teve que retirá-lo horas antes da sessão de hoje, devido à falta de apoio entre os blocos legislativos aliados aos governadores de várias províncias do interior.
Após quatro adiamentos anteriores, a ala governista considerava o destino da votação como incerto: o governo precisava do apoio de senadores de províncias como Misiones e Santa Cruz, o que só foi garantido no último minuto. O presidente Javier Milei estava fora do país durante a sessão, em viagem oficial ao Equador e à Colômbia.
Em declarações à Sputnik, o deputado nacional Germán Martínez — líder do bloco peronista na Câmara dos Deputados — afirmou: "embora tenhamos conseguido retirar o capítulo sobre terras desta lei que está sendo debatida no Senado, o que permanece causa danos significativos ao povo argentino e à soberania do nosso país."
O projeto ocorre em meio a um clima social já tenso devido à crise habitacional. Segundo o último censo nacional, milhões de pessoas na Argentina enfrentam problemas de acesso à moradia, muitas delas vivendo em assentamentos informais ou em situação de posse precária nas principais cidades do país, incluindo a região metropolitana de Buenos Aires, a mais populosa da nação.
Por outro lado, o governo de Milei vê a reforma como uma possibilidade de maior segurança jurídica aos proprietários de imóveis e para atrair investimentos para os setores imobiliário e agrícola, em consonância com a agenda de desregulamentação econômica que vem promovendo desde o início de sua administração .
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