China tenta conter desequilíbrios com estímulos internos e valorização do yuan, diz mídia

© Foto / moerschy
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A economia chinesa enfrenta um desequilíbrio entre exportações fortes e demanda interna fraca, levando analistas do Goldman Sachs a defender a valorização gradual do yuan e estímulos fiscais. Para eles, a combinação ajudaria a reduzir pressões protecionistas e estimular o crescimento.
A economia chinesa atravessa um momento de forte assimetria entre setores, com exportações excepcionalmente robustas e uma demanda interna que segue enfraquecida, um descompasso que, para o South China Morning Post, reacende o debate sobre quais instrumentos Pequim deve priorizar para reequilibrar o crescimento.
De acordo com a apuração, analistas do Goldman Sachs afirmam que, diante das crescentes barreiras comerciais globais, a China precisa combinar estímulos fiscais direcionados com uma valorização gradual do yuan para reduzir tensões externas e sustentar suas metas econômicas.
Em 2025, a China registrou um recorde histórico de quase US$ 1,2 trilhão (aproximadamente R$ 6,72 trilhões) em superávit, ampliado em mais US$ 126 bilhões (cerca de R$ 706 bilhões) apenas em junho de 2026. As exportações seguem resilientes, impulsionadas pelo ciclo tecnológico global e pela demanda por produtos de energia renovável, mesmo em meio às tensões envolvendo EUA, Israel e Irã.
Apesar da força das exportações, políticas protecionistas de países como os Estados Unidos têm corroído parte da demanda externa chinesa que pode ser impactada por pressões geopolíticas.
No plano doméstico, a situação é mais delicada. A demanda interna enfraqueceu no segundo trimestre, deteriorando-se de forma sequencial e elevando o risco de o crescimento ficar abaixo do potencial.
Para o Goldman Sachs, a resposta ideal combina medidas de curto prazo — como estímulos fiscais voltados ao consumo — com reformas estruturais que ampliem gradualmente a participação da demanda doméstica no produto interno bruto (PIB). Essa mudança é vista como essencial para reduzir a dependência das exportações e aproximar a economia de um equilíbrio interno mais sustentável.
O PIB chinês cresceu 4,3% no segundo trimestre de 2026, sustentado pelo forte impulso das exportações, mas limitado pela fraqueza do consumo. Com uma meta anual entre 4,5% e 5%, o governo tem margem para adotar novas medidas de apoio, especialmente diante do cenário global de tensões comerciais e desaceleração econômica em parceiros estratégicos.
Embora a valorização do yuan e o aumento dos gastos internos não resolvam todos os desequilíbrios, os analistas afirmam que essa combinação colocaria a China em posição mais segura.


