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'Caráter pedagógico': ministro dos Povos Indígenas defende pasta nos meses finais do governo Lula
'Caráter pedagógico': ministro dos Povos Indígenas defende pasta nos meses finais do governo Lula
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Em entrevista à Sputnik Brasil, Eloy Terena destaca participação dos povos originários nas decisões em Brasília, reforça conexão com outros ministérios e... 19.08.2026, Sputnik Brasil
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Eloy Terena assumiu a pasta dos Povos Indígenas no fim de março, quando a então ministra, Sonia Guajajara, deixou o cargo para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo. O advogado e antropólogo, pertencente à etnia Terena — que carrega no nome —, já atuava no ministério como secretário executivo.Em entrevista à Sputnik Brasil, o ministro defendeu a existência da pasta e disse que ela possui um "caráter pedagógico" tanto para aqueles que são indígenas quanto para aqueles que não são.O Ministério dos Povos Indígenas virou uma realidade em janeiro de 2023, no início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Terena confessa que algumas pessoas das comunidades indígenas ainda questionam a criação da pasta e seus respectivos objetivos, mas o ministro defende o trabalho.Com a bandeira principal de acelerar a demarcação de territórios e proteger essas terras, Terena explica que, para cumprir essas metas, é necessária a união de diversos ministérios, enfatizando o trabalho em conjunto.De acordo com a pasta, desde a criação, 20 terras foram homologadas, 21 declaradas, 18 territórios delimitados e 31 reservas constituídas, totalizando 12 milhões de hectares aos povos indígenas.Educação indígena para indígenas e não indígenasAos 38 anos, Terena se classifica como parte de uma geração indígena que teve oportunidade de acessar universidades a partir de políticas afirmativas no ensino superior. Na visão do ministro, esse grupo tem como característica adquirir conhecimento e, posteriormente, devolver o que aprendeu para sua respectiva comunidade.O ministro fala com orgulho da criação da Universidade Federal Indígena (Unind), a primeira desse tipo no Brasil. Terena explica que essa era uma demanda antiga dos povos originários e que foi apresentada à presidente Dilma Rousseff, mas esquecida após o impeachment da petista, em 2016.A premissa da Unind é revitalizar as culturas distintas dos povos indígenas brasileiros, abordando conhecimentos como medicina, filosofia e ecologia originários. A universidade não será exclusiva para indígenas, mas terá, segundo o ministério, uma gestão administrativa e pedagógica indígena. É previsto que as primeiras turmas comecem em 2027.Já na educação básica, Terena conta que a legislação brasileira reconhece a autonomia da escola indígena. Isto é, deve-se respeitar a cultura de cada etnia e aplicar aos alunos uma educação bilíngue, sendo necessário manter um diálogo próximo com as prefeituras, que são responsáveis pela aplicação desse ensino.
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'Caráter pedagógico': ministro dos Povos Indígenas defende pasta nos meses finais do governo Lula
17:32 19.08.2026 (atualizado: 17:54 19.08.2026) Especiais
Em entrevista à Sputnik Brasil, Eloy Terena destaca participação dos povos originários nas decisões em Brasília, reforça conexão com outros ministérios e ressalta a criação da Universidade Federal Indígena.
Eloy Terena assumiu a pasta dos Povos Indígenas no fim de março, quando a então ministra,
Sonia Guajajara,
deixou o cargo para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo. O advogado e antropólogo, pertencente à etnia Terena — que carrega no nome —, já atuava no ministério como secretário executivo.
Em entrevista à Sputnik Brasil, o ministro defendeu a existência da pasta e disse que ela possui um "caráter pedagógico" tanto para aqueles que são indígenas quanto para aqueles que não são.
"Você tem esse olhar político para os territórios [como ministro], para a conjuntura interna do governo e também para o Congresso Nacional e o Supremo, que é onde as pautas relacionadas aos povos indígenas acabam, de fato, se conflagrando. A gente precisa estar ali também, pronto para fazer a defesa dos interesses dos povos indígenas."
O
Ministério dos Povos Indígenas virou uma realidade em janeiro de 2023, no início do terceiro mandato de
Luiz Inácio Lula da Silva. Terena confessa que
algumas pessoas das comunidades indígenas ainda questionam a criação da pasta e seus respectivos objetivos, mas o ministro defende o trabalho.
"Quando se cria um ministério, é você elevar no âmbito não só da administração pública, mas no âmbito do poder decisório, do Poder Executivo, a pauta indígena. Então, hoje, quando se tem reunião dos ministérios, você necessariamente tem ali um ministério, uma ministra ou um ministro dos Povos Indígenas sentado na mesa de decisão. E isso a gente escuta muito dos servidores da Funai [Fundação Nacional dos Povos Indígenas], que, em outras gestões, era muito difícil o presidente da Funai despachar com o seu ministro, que a FUNAI sequer tinha oportunidade de participar de uma reunião no palácio."
Com a bandeira principal de acelerar a demarcação de territórios e proteger essas terras, Terena explica que, para cumprir essas metas, é necessária a união de diversos ministérios, enfatizando o trabalho em conjunto.
"Em uma desintrusão, o planejamento, a ida a campo, a sondagem, ela é feita pelo ministério [dos Povos Indígenas]. Só que, para a gente conseguir executar, a gente precisa do Exército, portanto do Ministério da Defesa; a gente precisa da Polícia Federal e da Força Nacional, Ministério da Justiça; a gente precisa do Ibama e do ICMBio, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima; a gente precisa do serviço de inteligência, por exemplo, da Abin [Agência Brasileira de Inteligência], que está no Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República."
De acordo com a pasta, desde a criação, 20 terras foram homologadas, 21 declaradas, 18 territórios delimitados e 31 reservas constituídas, totalizando 12 milhões de hectares aos povos indígenas.
Educação indígena para indígenas e não indígenas
Aos 38 anos, Terena se classifica como parte de uma geração indígena que teve oportunidade de acessar universidades a partir de políticas afirmativas no ensino superior. Na visão do ministro, esse grupo tem como característica adquirir conhecimento e, posteriormente, devolver o que aprendeu para sua respectiva comunidade.
O ministro fala com orgulho da
criação da Universidade Federal Indígena (Unind), a primeira desse tipo no Brasil. Terena explica que essa era uma
demanda antiga dos povos originários e que foi apresentada à presidente
Dilma Rousseff, mas esquecida após o impeachment da petista, em 2016.
A premissa da Unind é revitalizar as culturas distintas dos povos indígenas brasileiros, abordando conhecimentos como medicina, filosofia e ecologia originários. A universidade não será exclusiva para indígenas, mas terá, segundo o ministério, uma gestão administrativa e pedagógica indígena. É previsto que as primeiras turmas comecem em 2027.
"A comissão de professores está trabalhando justamente no regimento interno, nos cursos que serão instituídos, no primeiro concurso para professores que vão ocupar esses espaços. E depois nós vamos investir mais nessa questão de formar profissionais indígenas que tenham essa qualificação, essa capacidade de transitar entre os mundos. De manejar o saber adquirido em sua comunidade, mas também o saber, nos ditos, ocidental, o saber científico."
Já na educação básica, Terena conta que a legislação brasileira reconhece a autonomia da escola indígena. Isto é, deve-se respeitar a cultura de cada etnia e aplicar aos alunos uma educação bilíngue, sendo necessário manter um diálogo próximo com as prefeituras, que são responsáveis pela aplicação desse ensino.
"É importante a gente garantir esses recursos via Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação] e articular para que os gestores públicos municipais tenham também esse respeito à autonomia dos povos indígenas, para ter calendários próprios, seguir um projeto político-pedagógico próprio, ter a valorização de profissionais indígenas nas comunidades e também o reconhecimento dos saberes tradicionais da comunidade."
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