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Ao provocarem a China, Filipinas podem se tornar outro ponto de tensão na Ásia? Analista explica (VÍDEOS)

© AP Photo / Basilio SepeMembro da Guarda Costeira filipina segura bandeiras das Filipinas e da China durante chegada de navio de treinamento naval chinês Qi Jiguang, que participa de visita de boa vontade no porto de Manila. Filipinas, 14 de junho de 2023
Membro da Guarda Costeira filipina segura bandeiras das Filipinas e da China durante chegada de navio de treinamento naval chinês Qi Jiguang, que participa de visita de boa vontade no porto de Manila. Filipinas, 14 de junho de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 20.08.2026
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O alinhamento automático das Filipinas com os Estados Unidos e a postura agressiva que mantêm contra a China deixam o país em foco em uma posição que pode gerar instabilidade no coração do Sudeste Asiático, uma região geoestratégica com interesses diversos e economias emergentes no cenário internacional.
O nível de hostilidade política de Manila para com Pequim culminou, inclusive, em uma cooperação em Defesa entre as Filipinas, os EUA, a Austrália e o Japão. O mecanismo ficou conhecido como SQUAD, que é outra versão do QUAD, só que sem a Índia.
Essa cooperação busca ser um obstáculo para os chineses no eixo do Indo-Pacífico, conforme explica Valter Peixoto, analista político e pós-graduado em relações internacionais, em entrevista à Sputnik Brasil.

"As Filipinas, sem dúvida, é um 'cavalo de Troia', o país que a China mais tem que se preocupar. E esse presidente atual está fazendo por onde, reforçou os laços com os EUA, criou o SQUAD, que é muito mais relacionado à segurança específica do Sudeste Asiático e do mar do Sul da China. E é por isso que teve esse acordo de drones", disse.

No contexto da sociedade filipina, são recorrentes as narrativas midiáticas e de blogueiros anti-China, que, para o pesquisador, a possibilidade de guerra híbrida como forma de influenciar a opinião pública não pode ser descartada.

"Pode ser que tenha grupos de pressão bancados pelo governo para fazer esse jogo [de difamação midiática], mas é difícil a gente saber. No entanto, esse governo [filipino] é totalmente pró-EUA e pode ser que seja uma arma governamental de guerra cognitiva, que a gente tem visto por aí, e então pode ser que de fato o governo invista nisso", comenta.

Grupo de ataque de porta-aviões do Reino Unido, liderado pelo HMS Queen Elizabeth (R 08), e da Força Marítima de Autodefesa do Japão, liderado pelo JS Ise (DDH 182), destróier de helicópteros da classe Hyuga, bem como porta-aviões da Marinha dos EUA, liderados pelo USS Ronald Reagan (CVN 76) e USS Carl Vinson (CVN 70) se juntam para conduzir operações no mar das Filipinas, em 3 de outubro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 02.08.2026
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Manila como 'base' do Ocidente no Sudeste Asiático

Segundo Peixoto, que também é idealizador do podcast MenteMundo, especializado em Sudeste Asiático, as Filipinas historicamente buscam manter laços estreitos com países ocidentais e, com isso, se consolidam como uma ponte avançada do Ocidente contra a China, ao mesmo tempo que o país tem suas próprias agendas e grupos de interesses diversos, o que deixa a dinâmica ainda mais complexa.

"É atraente para a gente pensar nesses países sob a ótica Ocidente versus China. Porque é o grande jogo, e todo mundo acaba estudando. Mas é importante saber, pensar que também há agendas internas, grupos de pressão e os políticos também se cacifam aos cargos altos em cima desse jogo interno, e as Filipinas são de longe o país mais pró-Ocidente de todo o Sudeste Asiático, sempre foi assim", destaca.

Outro ponto levantado pelo pesquisador é que, em nível regional, entre os países desse entorno estratégico do que se compreende como Sudeste Asiático, a narrativa de que a China tem fins imperialistas é algo infundado. Para elucidar sua análise, ele relembra um episódio entre Pequim e Hanói.

"A China não é imperialista. Tem uma história que sempre conto, de que Mao Tse-Tung cedeu dois pontos na linha de 11 traços que os chineses reivindicavam no mar do Sul da China. A boa amizade entre Ho Chi Minh e Mao Tsé-Tung fez com que virasse linha de nove traços, dando espaço para o Vietnã atuar nos seus mares. Que potência imperialista cede parte das suas reivindicações territoriais? Nenhuma", argumenta.

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Coesão da ASEAN proporciona estabilidade regional

A Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que tem como princípio a não interferência em assuntos internos de seus membros e tendo como premissa o pragmatismo nas relações internacionais, acaba sendo um ponto de coesão que acaba contribuindo para contrabalancear tensões geopolíticas regionais, o que também acaba sendo benéfico à China, como pondera Peixoto.

"Uma ASEAN coesa é sinônimo de estabilidade na fronteira mais problemática da China, que é o Sul. Hoje em dia, com a Rússia, a fronteira está melhor do que nunca, com os países da Ásia Central, também tem relação boa. Então, se quebrar a coesão da ASEAN, aí sim que os inimigos da China podem entrar com maior força [pelo mar do Sul da China], e essa coesão da ASEAN mantém estabilidade [regional]", conclui.

Em um mundo globalizado, a interdependência entre os Estados torna-se cada vez mais profunda. Nesse cenário, a expansão e a intensificação dos fluxos comerciais, somadas às tensões geopolíticas, fazem com que disputas regionais passem a ocupar o centro do debate em escala global, refletindo a dinâmica complexa do sistema-mundo.
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