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Putin: Rússia foi forçada a se defender de armas na mão em resposta a uma agressão flagrante

© Sputnik / Kristina SolovievaPresidente russo Vladimir Putin faz discurso durante a 19ª edição do Clube Valdai, em 2026
Presidente russo Vladimir Putin faz discurso durante a 19ª edição do Clube Valdai, em 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 01.10.2026
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O presidente russo, Vladimir Putin, participa nesta quinta-feira (1º) da sessão plenária da XXIII edição anual do Clube Valdai de Discussões Internacionais. Na edição deste ano, a reunião ocorre de 28 de setembro a 1º de outubro, com o tema "Responsabilidade pelo futuro: limites das possibilidades ou possibilidades sem limite?".
O encontro do presidente com os membros do Valdai é um evento tradicional na história do clube. O chefe de Estado se reúne anualmente com os participantes desde 2004, faz um discurso na sessão plenária e realiza uma longa discussão com especialistas sobre as questões globais mais urgentes. O Kremlin avalia que o discurso do presidente russo no fórum é sempre um evento de escala mundial, acompanhado com atenção por todos.
Em 2025, Putin argumentou que o mundo moderno precisa de acordos, e não da imposição da vontade de alguém. A multipolaridade e a policentricidade, segundo o presidente, entraram na vida moderna há muito tempo, e a Rússia é necessária para o mundo como parte essencial do equilíbrio global e o equilíbrio mundial não pode ser construído sem ela.
Muitas das antigas normas jurídicas em todo o mundo foram descartadas, e novas normas ainda não surgiram, afirmou o presidente russo, Vladimir Putin, em seu discurso desta quinta-feira (1º).

Deve-se reconhecer que agora enfrentamos desafios muito mais urgentes, enfatizou Putin. Tendências preocupantes no cenário internacional estão gerando reflexões sobre como preservar a paz e a segurança globais agora, disse Putin durante o seu discurso.

A humanidade, que passa por grandes mudanças, ainda não compreendeu a escala dos desafios. Este é o início de uma realidade completamente nova, com ameaças e perigos intimamente interligados com perspectivas, disse o presidente. Não se trata tanto da mudança do equilíbrio de poder entre potências, e sim de que as mudanças afetam a essência biológica e moral do homem, observou.
O ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, Serguei Lavrov, discursa durante a reunião realizada no âmbito da Semana de Alto Nível da 80ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. - Sputnik Brasil, 1920, 26.09.2026
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A Rússia foi forçada a defender-se com armas em resposta à agressão, e a destruição da Rússia não deve ser transformada em uma ideologia estratégica, disse o líder russo.
"Eu sei, é claro, que parte da comunidade de especialistas tem uma pergunta. A Rússia fala de paz, e começou a guerra. Já falei muitas vezes sobre isso, mas ainda assim, vou dizer nesta reunião mais uma vez. Onde está a verdade? E a verdade é que não fomos nós que queríamos e não fomos nós que começamos a lutar, mas começaram a lutar contra nós", ressaltou ele.
Putin alertou também para o risco de escalada militar no conflito ucraniano, que o Ocidente usa de ponta de lança para investidas contra a Rússia. Para isso, lembrou do princípio teatral conhecido como "arma de Tchekov", sobre um elemento que é apresentado em uma história, que deve ter uma função relevante mais adiante.

"Devemos ter isso em mente e evitar tal desfecho [...] Quanto mais abertamente for declarado o objetivo de derrota estratégica do adversário, maior será a probabilidade de o conflito escalar para sua fase mais grave."

Rápida e inesperadamente para todos, pode chegar um momento em que nada poderá ser mudado, disse o presidente russo Vladimir Putin, na sessão plenária do Clube Valdai.
"Hoje, uma situação muito perigosa surgiu na Europa e no mundo [...]. Temos de compreender que o momento em que nada pode ser mudado pode chegar muito rápida e inesperadamente para todos. A lógica de crescentes respostas mútuas duras se transformará em uma irreversibilidade fatal", alertou ele.
O presidente russo chamou a atenção, ainda, para a possibilidade de um ataque direto contra a Rússia. Caso ocorra, a questão do uso de todas as armas disponíveis entraria inevitável e imediatamente na pauta, alertou.
O objetivo da Rússia continua a ser a neutralidade da Ucrânia, reafirmou ele, ao lembrar que o país adotou uma declaração de Estado neutro ao conquistar a independência. Para ele, o cenário ideal é dar fim ao conflito o mais rápido possível.
Ao informar que a Rússia tomou o controle de 1.301 quilômetros quadrados na zona da operação militar especial em setembro, frisou número é duas vezes e meia superior ao dos meses anteriores.
"Gostaríamos de pôr fim a tudo isso o mais rápido possível, especificamente por meio de negociações pacíficas", declarou.
Ele cobrou que a Ucrânia e seus aliados ocidentais parem de acusar a Rússia de não querer negociar e "tomem decisões responsáveis com base na situação real no terreno".

Reforma da ONU

A Rússia apoia uma reforma justa da ONU, mas ela é impossível sem um consenso, o que agora é difícil de alcançar, declarou o presidente russo Vladimir Putin.
"A Rússia já apoiou e continua apoiando a ideia de uma reforma justa [da Organização] das Nações Unidas, mas essa reforma é impossível, sem consenso interno, o que agora é difícil de alcançar", disse Putin na XXIII sessão plenária do Clube Valdai de Discussões Internacionais.
Putin afirmou que não se arrepende de ter tentado melhorar as relações com o Ocidente no início de seu mandato.
"Não, não me arrependo, porque senão todos nós, não só eu, mas todos nós e todo o país teríamos pensado que não terminamos algo, que não concluímos algo. Mas fizemos tudo, oferecemos tudo e entendemos que eles não nos esperavam lá", disse.
Além disso, o líder russo criticou o Ocidente pela construção de uma nova Cortina de Ferro ao redor da Rússia e ponderou: a tentativa "terminará inevitavelmente em fracasso".

BRICS pode inspirar uma futura ordem mundial

A participação do BRICS na economia global está em constante crescimento, explicou o líder russo. "Isso acontece todos os anos, nós vemos. São estatísticas".
Segundo Putin, no BRICS, todos os países são iguais e não há domínio na associação, o que torna a parceria atraente.
"Uma organização como o BRICS certamente pode servir de modelo para a construção de uma futura ordem mundial", disse o presidente.
Conforme acrescentou o presidente russo, o BRICS está desenvolvendo mecanismos financeiros modernos e as empresas encontram projetos interessantes.

Inteligência artificial

Em sua fala, Putin afirmou que os avanços tecnológicos, em especial a inteligência artificial, estão mudando não só os balanço de poder geopolítico, mas a natureza humana. Segundo o presidente russo, a IA pode, ainda por cima, criar um "totalitarismo digital" e acabar com a soberania nacional.
O líder russo acrescentou que o mundo precisa desenvolver regras para o uso da inteligência artificial em tempo hábil. No entanto, ele não foi fatalista em sua fala, dizendo que a humanidade deverá encontrar um modo de viver com a nova tecnologia e lembrou do caso de um soldado soviético para alertar sobre riscos da inteligência artificial em decisões militares.
"Setembro de 1983, o oficial de mísseis, Tenente-Coronel Stanislav Petrov, estava de serviço quando recebeu um sinal do sistema de alerta de ataque com mísseis. O sistema detectou o lançamento de cinco mísseis balísticos intercontinentais americanos. Qualquer algoritmo teria classificado isso como motivo inequívoco para um ataque de retaliação."
No entanto, o oficial questionou a precisão do sinal e suspeitou de fala no sistema. "E ele estava certo."

"Se uma inteligência artificial estivesse em seu lugar, as coisas poderiam ter terminado de forma bem diferente."

Ele também lembrou que o colapso da União das Republicas Soviéticas (URSS) foi uma tragédia para dezenas de milhões de pessoas e ressaltou que a desintegração da União Soviética foi consequência da falta de visão da liderança soviética.
"Vivenciamos o colapso da estrutura estatal, que se tornou uma verdadeira tragédia para dezenas de milhões de pessoas", disse.

Relações com China e EUA

Vladimir Putin também foi perguntado sobre a sua relação com os seus homólogos chinês, Xi Jinping, e estadunidense, Donald Trump.
Ele elogiou sua relação com Xi, dizendo que ambos, mesmo sem falar a língua um do outro, possuem uma amizade tão profunda que são capazes de se comunicar mesmo sem palavras e brincou que seus netos falam chinês e, portanto, poderão atuar como intérpretes. "Existem barreiras? Não, não existem", comentou.
Já com Trump, Putin também disse ter um relacionamento "muito bom e de longa data" e agradeceu o mandatário da Casa Branca pelos seus esforços em alcançar uma solução para o conflito ucraniano.
O líder russo também apoiou a ideia de uma reunião trilateral com os Estados Unidos e a China, mas a agenda precisa ser esclarecida.
"O senhor insinuou uma possível reunião trilateral, eu sei que a mídia está falando sobre isso, e nós somos totalmente a favor. Mas há uma pergunta. Qual é a pauta? Precisamos de uma agenda. Precisamos entender qual será a agenda de qualquer reunião trilateral, sobre o que conversaremos. Mas, em geral, qualquer diálogo só traz benefícios", respondeu.
Putin, em outro momento, agradeceu ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, por seus esforços para levar o conflito na Ucrânia a uma conclusão pacífica o mais rápido possível.

Ataques a refinarias

A Rússia perdeu cerca de 1% do produto interno bruto (PIB), em decorrência de ataques ucranianos a refinarias de petróleo, afirmou Vladimir Putin no fórum Valdai. Ele disse que Moscou respondeu aos ataques contra alvos civis russos intensificando as ofensivas contra a Ucrânia, inclusive contra sua base industrial.
Putin ainda classificou como "absurda" a ideia de interromper ataques a navios em troca de Kiev cessar as investidas contra refinarias russas.
O líder também acrescentou que a Rússia possui diesel suficiente para atender às necessidades internas, mas as sanções impedem que parte dessa oferta chegue aos mercados globais.
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