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'Amplo leque de recursos': como a Margem Equatorial concilia petróleo, desenvolvimento e transição
'Amplo leque de recursos': como a Margem Equatorial concilia petróleo, desenvolvimento e transição
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Experiências com o pré-sal e o potencial de ser uma referência na exploração de petróleo no mundo são notícias animadoras com as novas descobertas, mas... 26.08.2026, Sputnik Brasil
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reposicionou a Margem Equatorial no centro da geopolítica energética, apresentando a região como alternativa estratégica diante da instabilidade no estreito de Ormuz. A afirmação, feita a bordo de um navio-sonda da Petrobras, ocorreu após a recente descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, e reacende o debate sobre o futuro das reservas nacionais justamente quando o modelo de exploração do pré-sal completa duas décadas.Localizado a 175 quilômetros da costa do Amapá, o poço está em águas ultraprofundas, a 2.886 metros de profundidade. A descoberta ainda representa uma etapa inicial: a Petrobras precisará realizar novos estudos e perfurações para dimensionar os reservatórios e avaliar sua viabilidade comercial.A busca por novas fronteiras ocorre diante da expectativa de que o pré-sal atinja o pico de produção entre 2034 e 2035, enquanto cerca de 80% da produção atual da companhia vem desses campos.Ao mesmo tempo que a Margem Equatorial ganha importância estratégica para a reposição das reservas, a exploração coloca em evidência as particularidades ambientais e socioeconômicas do Amapá. A costa é marcada pela influência do rio Amazonas, por uma dinâmica de correntes e sedimentos pouco conhecida e pelo maior campo de manguezais do Brasil.Modelo do pré-sal pode ser copiado?Segundo o diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) Mahatma Ramos, o potencial dessas descobertas pode representar uma fonte relevante de receitas para o setor público e privado, mas a dimensão dos ganhos ainda depende da extensão das reservas e da comprovação de sua viabilidade comercial."A capacidade de geração de receitas, tanto para o setor público quanto para o setor privado, da indústria de óleo e gás, eu acho que é algo já consolidado", afirma Ramos. Porém, a magnitude da produção na Margem Equatorial ainda é incerta.Apesar das incertezas, o diretor técnico avalia que, considerando a experiência da indústria de petróleo e as estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a região pode se tornar relevante para o cenário energético brasileiro, ainda que não alcance a dimensão do pré-sal.Para o diretor técnico, uma eventual produção na região poderia contribuir para a segurança energética brasileira, reduzir a exposição do mercado interno às oscilações internacionais de preços e gerar recursos para financiar políticas públicas em diferentes áreas. A transformação dessa riqueza em benefícios para a sociedade, no entanto, dependerá da capacidade do Estado de estabelecer uma governança adequada, um arcabouço regulatório e mecanismos de tributação capazes de capturar parte da renda gerada pela exploração.O especialista também cita a experiência do pré-sal como exemplo de como a exploração de recursos petrolíferos pode ser convertida em desenvolvimento. O Brasil conseguiu transformar a expansão das reservas em políticas industriais, investimentos tecnológicos, fortalecimento da Petrobras e estímulo à cadeia produtiva de óleo e gás, além de ampliar as receitas públicas.Em 2024 foram produzidos 968 milhões de barris de petróleo na região, o equivalente a 78,8% de toda a produção brasileira, segundo a ANP. No mesmo ano, a produção de gás natural no pré-sal chegou a 43 bilhões de metros cúbicos — ou 76,7% do total produzido no país.Ainda, o modelo contribuiu para ampliar a segurança energética, reduzir a dependência brasileira das importações e fortalecer a Petrobras como liderança tecnológica na exploração em águas profundas, sendo melhor representado pela parceria da estatal brasileira com a Pemex, a estatal petrolífera do México.De acordo com levantamento do Ineep, entre 2015 e 2024, o setor de óleo e gás respondeu por cerca de 12% da arrecadação federal com impostos, taxas e contribuições e representa, no momento atual, aproximadamente 3,94% da receita corrente bruta da União. Para Ramos, esses números demonstram o peso econômico do setor e reforçam a importância de definir como eventuais novas receitas provenientes da Margem Equatorial serão apropriadas e usadas pelo Estado.Amazônia Azul pode ser protegida?Sobretudo, o aspecto geopolítico das descobertas, principalmente diante do interesse de potências estrangeiras sobre recursos naturais estratégicos, também coloca em questão a capacidade brasileira de proteger suas reservas e fronteiras marítimas, conhecida também como Amazônia Azul.Segundo o diretor técnico, a disputa por esses recursos tem mobilizado as grandes potências não apenas no campo militar, mas também por meio de pressões comerciais e econômicas. Nesse contexto, o Brasil também estaria sujeito aos efeitos das tensões internacionais, especialmente diante das medidas adotadas pelo governo de Donald Trump, dos EUA.Do ponto de vista militar, Ramos avalia que o país ainda apresenta limitações para proteger integralmente seus territórios e novas áreas de exploração. "A julgar pelas declarações do atual ministro da Defesa, a gente chega à conclusão que não, o Brasil não tem condições militares de defender, seja a Amazônia ou as suas fronteiras, novas fronteiras exploratórias ou atuais fronteiras."Apesar disso, Brasília já desenvolveu outras formas de resposta às ameaças, especialmente por meio da diplomacia e das relações comerciais.Historicamente, o país tem adotado uma postura de diálogo e defesa da negociação como instrumento para reduzir riscos de conflitos. Essa estratégia é correta, avalia, mas não elimina completamente a possibilidade de ameaças ao território e aos recursos brasileiros. Diante desse cenário, o especialista defende que o Brasil avance na construção de capacidades próprias para proteger seus recursos estratégicos.Sensibilidade ambiental e impacto na infraestrutura do AmapáA exploração na Margem Equatorial, sobretudo, aborda o impacto socioambiental da região, tendo risco para biomas na região costeira e rios do Amapá, assim como a vivência de comunidades do estado.Como explica Marcelo José de Oliveira, doutor em desenvolvimento sustentável e professor do curso de ciências ambientais da Universidade Federal do Amapá (Unifap), a costa do estado apresenta uma dinâmica particular, influenciada pela descarga do rio Amazonas, pelo grande volume de sedimentos e pelas correntes marinhas."A costa do Amapá, essa ponta aqui do extremo norte do Brasil, é única porque tem uma dinâmica totalmente distinta de qualquer lugar", afirma. A combinação dessas forças naturais ainda precisa ser mais bem estudada para compreender o comportamento de um eventual vazamento de petróleo.Embora as modelagens disponíveis indiquem uma baixa possibilidade de um vazamento atingir a costa, Oliveira ressalta que os estudos ainda precisam ser aprimorados. Para ele, a expansão da exploração torna necessário ampliar as informações sobre correntes marinhas, direção dos ventos, marés e batimetria, de forma a dar maior robustez às previsões sobre a dispersão do óleo.A preocupação aumenta diante da elevada sensibilidade ambiental da costa: o Amapá concentra o maior campo de manguezais do Brasil, ecossistema de alto valor ecológico e considerado especialmente vulnerável a acidentes com óleo. A Carta de Sensibilidade Ambiental ao Óleo já classifica grande parte da costa amapaense como área de alta sensibilidade, justamente pela presença dos manguezais e pela dinâmica costeira ainda pouco conhecida.A própria configuração do litoral também pode dificultar a resposta a eventuais acidentes, com Oliveira destacando a grande variação das marés e citando como exemplo a praia de Calçoene, onde há cerca de dois quilômetros de recuo entre a maré alta e a maré baixa.O especialista também comentou a situação do município de Oiapoque, um dos mais próximos das atuais perfurações, dizendo que a cidade já sofre uma mudança significativa em sua dinâmica socioeconômica, com aumento no preço dos terrenos, dos imóveis e do custo de vida. Embora o município tenha uma extensa área territorial, grande parte é ocupada por terras indígenas e unidades de conservação, o que restringe sua capacidade de expansão e aumenta a pressão sobre a população local. "Há também uma alteração drástica na dinâmica socioeconômica desse município."Além da pressão sobre o mercado imobiliário e o custo de vida, Oliveira alerta para os impactos que a implantação de uma cadeia de óleo e gás pode provocar sobre a infraestrutura do estado como um todo, em relação às demandas da população e dos novos fluxos associados à atividade econômica. "Até a capital, que é Macapá, hoje a gente já percebe problemas relacionados a trânsito, a saúde, a educação, a infraestrutura que não tem, a saneamento", afirma.Portanto, a expansão da fronteira petrolífera precisa ser acompanhada por mais pesquisa, monitoramento e fiscalização, especialmente diante das particularidades ambientais da região. A exploração, em sua avaliação, não é necessariamente incompatível com a preservação, mas depende de um diagnóstico ambiental robusto e de um processo de licenciamento capaz de incorporar essas características específicas do litoral amazônico.Transição energéticaNessa questão, Oliveira vê sentido em abrir uma nova fronteira exploratória, justificando que a transição energética ainda deve levar tempo e que os recursos do petróleo podem ajudar a financiar essa mudança. Embora o pré-sal tenha concedido autossuficiência, o Brasil, avalia, não pode abrir mão imediatamente da exploração, enquanto desenvolve alternativas de baixo carbono.Ramos segue linha semelhante, mas ressalta que o processo deve conciliar a transição com a segurança energética e as condições sociais da população. "Nós temos um amplo leque de recursos e possibilidades de avançar na transição energética, mas garantindo a segurança de abastecimento e a segurança energética e alimentar da nossa população", afirma.Ele também chama atenção para a pobreza energética, que ainda atinge entre 20% e 25% das famílias brasileiras. Por isso, defende que a mudança para uma economia de baixo carbono seja acompanhada de políticas de justiça social e redução das desigualdades.
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Pré-sal fortaleceu segurança energética e impulsionou a indústria brasileira, avalia diretor do Ineep
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🪖 Brasil precisa ampliar capacidade militar para proteger novas fronteiras exploratórias, avalia diretor do Ineep
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reposicionou
a Margem Equatorial no centro da geopolítica energética, apresentando a região como
alternativa estratégica diante da instabilidade no estreito de Ormuz. A afirmação, feita a bordo de um navio-sonda da Petrobras, ocorreu após a recente descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, e reacende o debate sobre o futuro das reservas nacionais justamente quando o modelo de exploração do pré-sal completa duas décadas.
Localizado a 175 quilômetros da costa do Amapá, o poço está em águas ultraprofundas, a 2.886 metros de profundidade. A descoberta ainda representa
uma etapa inicial: a Petrobras precisará realizar novos estudos e perfurações para dimensionar os reservatórios e avaliar sua viabilidade comercial.
A busca por novas fronteiras ocorre diante da expectativa de que o pré-sal atinja o pico de produção entre 2034 e 2035, enquanto cerca de 80% da produção atual da companhia vem desses campos.
Ao mesmo tempo que a Margem Equatorial ganha
importância estratégica para a reposição das reservas, a exploração coloca em evidência as
particularidades ambientais e socioeconômicas do Amapá. A costa é marcada pela influência do rio Amazonas, por uma dinâmica de correntes e sedimentos pouco conhecida e pelo maior campo de manguezais do Brasil.
Modelo do pré-sal pode ser copiado?
Segundo o diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) Mahatma Ramos, o potencial dessas descobertas pode representar uma fonte relevante de receitas para o setor público e privado, mas a dimensão dos ganhos ainda depende da extensão das reservas e da comprovação de sua viabilidade comercial.
"A capacidade de geração de receitas, tanto para o setor público quanto para o setor privado, da indústria de óleo e gás, eu acho que é algo já consolidado", afirma Ramos. Porém, a magnitude da produção na Margem Equatorial ainda é incerta.
Apesar das incertezas, o diretor técnico avalia que, considerando a experiência da indústria de petróleo e as estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a região pode se tornar relevante para o cenário energético brasileiro, ainda que não alcance a dimensão do pré-sal.
"A gente espera que não seja uma descoberta da dimensão do que foi o pré-sal, que foi uma das maiores descobertas da indústria de óleo e gás nos últimos 40 anos, mas que seja uma descoberta relevante para o cenário doméstico brasileiro."
Para o diretor técnico, uma eventual produção na região poderia contribuir para a segurança energética brasileira, reduzir a exposição do mercado interno às oscilações internacionais de preços e gerar recursos para financiar políticas públicas em diferentes áreas. A transformação dessa riqueza em benefícios para a sociedade, no entanto, dependerá da capacidade do Estado de estabelecer uma governança adequada, um arcabouço regulatório e mecanismos de tributação capazes de capturar parte da renda gerada pela exploração.
O especialista também cita a
experiência do pré-sal como exemplo de como a exploração de recursos petrolíferos pode ser convertida em desenvolvimento. O Brasil conseguiu transformar a expansão das reservas em
políticas industriais, investimentos tecnológicos, fortalecimento da Petrobras e estímulo à cadeia produtiva de óleo e gás, além de ampliar as receitas públicas.
Em 2024 foram produzidos 968 milhões de barris de petróleo na região, o equivalente a 78,8% de toda a produção brasileira, segundo a ANP. No mesmo ano, a produção de gás natural no pré-sal chegou a 43 bilhões de metros cúbicos — ou 76,7% do total produzido no país.
Ainda, o modelo contribuiu para ampliar a segurança energética, reduzir a dependência brasileira das importações e fortalecer a Petrobras como liderança tecnológica na exploração em águas profundas, sendo melhor representado pela parceria da estatal brasileira com a Pemex, a estatal petrolífera do México.
De acordo com levantamento do Ineep, entre 2015 e 2024, o setor de óleo e gás respondeu por cerca de 12% da arrecadação federal com impostos, taxas e contribuições e representa, no momento atual, aproximadamente 3,94% da receita corrente bruta da União. Para Ramos, esses números demonstram o peso econômico do setor e reforçam a importância de definir como eventuais novas receitas provenientes da Margem Equatorial serão apropriadas e usadas pelo Estado.
Amazônia Azul pode ser protegida?
Sobretudo, o aspecto geopolítico das descobertas, principalmente diante do interesse de potências estrangeiras sobre recursos naturais estratégicos, também coloca em questão a capacidade brasileira de proteger suas reservas e fronteiras marítimas, conhecida também como Amazônia Azul.
Segundo o diretor técnico, a disputa por esses recursos tem mobilizado as grandes potências não apenas no campo militar, mas também por meio de
pressões comerciais e econômicas. Nesse contexto, o Brasil também estaria sujeito aos efeitos das tensões internacionais, especialmente diante das medidas adotadas pelo
governo de Donald Trump, dos EUA.
Do ponto de vista militar, Ramos avalia que o país ainda apresenta limitações para proteger integralmente seus territórios e novas áreas de exploração. "A julgar pelas declarações do atual ministro da Defesa, a gente chega à conclusão que não, o Brasil não tem condições militares de defender, seja a Amazônia ou as suas fronteiras, novas fronteiras exploratórias ou atuais fronteiras."
Apesar disso, Brasília já desenvolveu outras formas de resposta às ameaças, especialmente por meio da diplomacia e das relações comerciais.
Historicamente, o país tem adotado uma postura de diálogo e defesa da negociação como instrumento para reduzir riscos de conflitos. Essa estratégia é correta, avalia, mas não elimina completamente a possibilidade de ameaças ao território e aos recursos brasileiros. Diante desse cenário, o especialista defende que o Brasil avance na construção de capacidades próprias para proteger seus recursos estratégicos.
"Efetivamente, o Brasil precisa avançar na criação de capacidades que possam responder a esses possíveis ataques, seja do ponto de vista diplomático, comercial ou militar."
Sensibilidade ambiental e impacto na infraestrutura do Amapá
A exploração na Margem Equatorial, sobretudo, aborda o impacto socioambiental da região, tendo risco para biomas na região costeira e rios do Amapá, assim como a vivência de comunidades do estado.
Como explica Marcelo José de Oliveira, doutor em desenvolvimento sustentável e professor do curso de ciências ambientais da Universidade Federal do Amapá (Unifap), a costa do estado apresenta uma dinâmica particular, influenciada pela descarga do rio Amazonas, pelo grande volume de sedimentos e pelas correntes marinhas.
"A costa do Amapá, essa ponta aqui do extremo norte do Brasil, é única porque tem uma dinâmica totalmente distinta de qualquer lugar", afirma. A combinação dessas forças naturais ainda precisa ser mais bem estudada para compreender o comportamento de um eventual vazamento de petróleo.
Embora as modelagens disponíveis indiquem uma baixa possibilidade de um vazamento atingir a costa, Oliveira ressalta que os estudos ainda precisam ser aprimorados. Para ele, a expansão da exploração torna necessário ampliar as informações sobre correntes marinhas, direção dos ventos, marés e batimetria, de forma a dar maior robustez às previsões sobre a dispersão do óleo.
A preocupação aumenta diante da elevada sensibilidade ambiental da costa: o Amapá concentra o maior campo de manguezais do Brasil, ecossistema de alto valor ecológico e considerado especialmente vulnerável a acidentes com óleo. A Carta de Sensibilidade Ambiental ao Óleo já classifica grande parte da costa amapaense como área de alta sensibilidade, justamente pela presença dos manguezais e pela dinâmica costeira ainda pouco conhecida.
"O Amapá ostenta esse importante ecossistema de alto valor ecológico."
A própria configuração do litoral também pode dificultar a resposta a eventuais acidentes, com Oliveira destacando a grande variação das marés e citando como exemplo a praia de Calçoene, onde há cerca de dois quilômetros de recuo entre a maré alta e a maré baixa.
O especialista também comentou a situação do município de Oiapoque, um dos mais próximos das atuais perfurações, dizendo que a cidade já sofre uma mudança significativa em sua dinâmica socioeconômica, com aumento no preço dos terrenos, dos imóveis e do custo de vida. Embora o município tenha uma extensa área territorial, grande parte é ocupada por terras indígenas e unidades de conservação, o que restringe sua capacidade de expansão e aumenta a pressão sobre a população local. "Há também uma alteração drástica na dinâmica socioeconômica desse município."
Além da pressão sobre o mercado imobiliário e o custo de vida, Oliveira alerta para os impactos que a implantação de uma cadeia de óleo e gás pode provocar sobre a infraestrutura do estado como um todo, em relação às demandas da população e dos novos fluxos associados à atividade econômica. "Até a capital, que é Macapá, hoje a gente já percebe problemas relacionados a trânsito, a saúde, a educação, a infraestrutura que não tem, a saneamento", afirma.
"Então é uma dinâmica, mais uma vez, que reforça que é uma dinâmica muito diferente do que a gente observa em outros estados."
Portanto, a expansão da fronteira petrolífera precisa ser acompanhada por mais pesquisa, monitoramento e fiscalização, especialmente diante das particularidades ambientais da região. A exploração, em sua avaliação, não é necessariamente incompatível com a preservação, mas depende de um diagnóstico ambiental robusto e de um processo de licenciamento capaz de incorporar essas características específicas do litoral amazônico.
Nessa questão, Oliveira vê sentido em abrir
uma nova fronteira exploratória, justificando
que a transição energética ainda deve levar tempo e que os recursos do petróleo podem ajudar a financiar essa mudança. Embora o pré-sal tenha concedido autossuficiência, o Brasil, avalia, não pode abrir mão imediatamente da exploração, enquanto desenvolve alternativas de baixo carbono.
"Essa transição energética ainda vai demorar um pouco. Isso não vai ser de uma hora para a outra. Sem recurso para financiar, a gente não vai conseguir atingir esse objetivo."
Ramos segue linha semelhante, mas ressalta que o processo deve conciliar a transição com a segurança energética e as condições sociais da população. "Nós temos um amplo leque de recursos e possibilidades de avançar na transição energética, mas garantindo a segurança de abastecimento e a segurança energética e alimentar da nossa população", afirma.
Ele também chama atenção para a pobreza energética, que ainda atinge entre 20% e 25% das famílias brasileiras. Por isso, defende que a mudança para uma economia de baixo carbono seja acompanhada de políticas de justiça social e redução das desigualdades.
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