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Banco do BRICS ao atrair investimento privado estimula a desdolarização? Analista explica (VÍDEOS)

Dilma Rousseff e a ministra indiana Nirmala Sitharaman na abertura do seminário do Banco dos BRICS (NDB) para atração de capital privado, na Índia
Dilma Rousseff e a ministra indiana Nirmala Sitharaman na abertura do seminário do Banco dos BRICS (NDB) para atração de capital privado, na Índia - Sputnik Brasil, 1920, 27.08.2026
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O recente "Seminário sobre Mobilização de Capital Privado para Países em Desenvolvimento", realizado na Índia, debateu o direcionamento de investimentos para projetos de transição energética que sejam ativos rentáveis na iniciativa privada. O evento contou com a participação de Dilma Rousseff, presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).
Dentro desse cenário, a discussão sobre a cooperação entre as esferas pública e privada surge como mais um componente de um movimento global mais amplo de desdolarização, que impulsiona o comércio e o financiamento em moedas locais. A avaliação foi feita por Jonnas Vasconcelos, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e coordenador do Centro de Pesquisa BRICS+ (NEPBRICS), em entrevista à Sputnik Brasil.

"É parte de um movimento mais amplo [de desdolarização] que demanda crescimento de operações de financiamento e redução dos riscos cambiais para os países que recebem recursos para projetos como os financiados pelo NBD. A gente vê isso acontecer, por exemplo, com China e Rússia; Rússia e Índia; Brasil e China. Começa-se a ter algumas operações internacionais sem passar pelo dólar", disse.

O pesquisador também aponta que o uso de moedas locais pode ser intensificado, visto que, no escopo operacional do NBD, já existem diretrizes que priorizam essas divisas tanto no financiamento quanto na execução de projetos.

"Então, se ampliar operações em moedas locais contribui [para o aumento dessa prática] ao mesmo tempo que demanda discussão também no nível dos estados, seja por relações bilaterais, comerciais, onde você consegue fazer compensações com moedas locais nas operações comerciais entre os Estados", comenta.

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Tecnologias disruptivas como 'antídotos' às sanções

Outro ponto levantado por Vasconcelos é que os países que integram o BRICS, assim como o NBD, discutem a questão de tecnologias disruptivas, ou seja, maneiras de interagir de forma comercial fora do circuito bancário convencional para garantir que os ativos não sejam sancionados e bloqueados por questões políticas, principalmente por parte dos EUA.

"O BRICS tem travado discussões para criar tecnologias disruptivas, ou seja, novas tecnologias que facilitem operações ao mesmo tempo que garantam a segurança delas, devido ao que temos visto nas sanções unilaterais que são cometidas aos países que são declarados inimigos ou adversários da segurança nacional dos Estados Unidos", destaca.

Outro ponto atrativo para as empresas e investidores ao cooperarem com o NBD seria a garantia de que a entidade atuaria como mitigadora de riscos em grandes projetos com financiamento em conjunto, o que daria segurança ao capital, conforme elucida o professor.

"O NBD tem uma estratégia explícita, ao menos desde o segundo documento da estratégia quinquenal que vai de 2022 a 2026, de se tornar não só um financiador de projetos, mas também de servir como mitigador de riscos do capital privado, ou seja, contribuir para uma situação de interesse para que esse capital financeiro privado que circula no mundo tenha interesse em investir em projetos no Sul Global", observa.

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SWIFT é uma plataforma atrasada no setor financeiro

Segundo a análise de Vasconcelos, o SWIFT, amplamente utilizado para transações financeiras globais, já se mostra defasado diante de novos meios de pagamento, com destaque para inovações de países do BRICS, como o Pix, criado pelo governo brasileiro.

"Existe um debate em torno do SWIFT, um sistema de compensações de instituições financeiras que estaria, vamos dizer assim, ultrapassado pelas novas tecnologias, porque demora em algumas operações – em alguns casos, até três dias – sendo que hoje a gente tem tecnologia como a do Pix e outras formas digitais instantâneas", conclui.

Com a evolução tecnológica e a economia cada vez mais digitalizada, surgem desafios decorrentes de tensões geopolíticas e sanções, as quais se tornam gargalos para o crescimento sustentável. Nesse cenário adverso, o BRICS, por meio de seu banco multilateral (o NBD), surge como alternativa às instituições de Bretton Woods, atraindo tanto o setor estatal quanto o capital privado.
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