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'Precisamos recompor os laços': parlamentares argentinos buscam reparar relação com o Brasil
'Precisamos recompor os laços': parlamentares argentinos buscam reparar relação com o Brasil
Sputnik Brasil
Uma delegação de parlamentares da oposição viajará a Brasília na próxima semana para recompor os laços bilaterais, que se deterioraram após os insultos do... 28.08.2026, Sputnik Brasil
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Parlamentares de oposição ao governo de Javier Milei anunciaram uma viagem a Brasília para a próxima semana, em uma tentativa de recompor a relação bilateral com o país vizinho após uma série de insultos que o presidente argentino dirigiu a Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa reúne deputados e senadores de pelo menos cinco grupos políticos diferentes.A delegação, que viajará entre 1º e 3 de setembro, planeja reunir-se com a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado brasileiro — presidida pelo parlamentar Nelsinho Trad (PSD-MS) —, além de realizar encontros no Palácio do Itamaraty e com representantes da Presidência.Entre os parlamentares confirmados estão o idealizador da iniciativa, Nicolás Massot (bloco Encuentro Federal); Maximiliano Ferraro (Coalizão Cívica/CC); Esteban Paulón (Partido Socialista); Martín Lousteau (União Cívica Radical/UCR); Oscar Herrera Ahuad (Innovación Federal); e Eduardo Falcón (Movimento de Integração e Desenvolvimento/MID). O grupo representa uma mistura de partidos considerados moderados em sua postura em relação à Casa Rosada.Massot, que lidera a delegação, argumentou na Câmara dos Deputados que "nenhum mandato eleitoral, por mais forte que seja, permite ao Poder Executivo atropelar quarenta anos de relações bilaterais estratégicas". Ele classificou como "irresponsável" a deterioração dos laços com o principal parceiro comercial da Argentina na América do Sul.A crise diplomática começou em 25 de julho, quando Milei participou de um evento em São Paulo, no qual Flávio Bolsonaro foi proclamado candidato à Presidência pelo Partido Liberal — a força política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, ele chamou Lula de "ladrão" e "condenado" e dirigiu comentários depreciativos a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).Em resposta aos insultos, o governo brasileiro convocou seu embaixador em Buenos Aires para consultas em 26 de julho e, em 4 de agosto, rebaixou as relações diplomáticas ao nível de encarregado de negócios — um formato reservado na diplomacia para as relações bilaterais mais tensas entre países. Também solicitou o retorno do embaixador argentino em Brasília, que ainda não reassumiu suas funções.No mesmo dia em que a viagem legislativa foi anunciada, a Câmara dos Deputados debateu uma declaração condenando os insultos de Milei e reafirmando o caráter estratégico da relação com o Brasil. A moção também propunha convocar o ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, para prestar esclarecimentos ao Congresso. A proposta obteve 128 votos a favor, 108 contra e 9 abstenções.Como o projeto não constava na pauta original da sessão, exigia-se o apoio de dois terços dos legisladores presentes para que fosse autorizado o debate — quórum que não foi alcançado, apesar de ter obtido maioria simples de votos. O bloco governista La Libertad Avanza (LLA) foi convidado a integrar a delegação que viajaria a Brasília. No entanto, nenhum de seus membros acompanhará o grupo.Segundo Massot, Quirno foi informado da iniciativa parlamentar com antecedência, mas não apresentou resposta oficial. A missão ocorre pouco mais de um mês antes das eleições presidenciais brasileiras — marcadas para 4 de outubro —, nas quais Lula enfrentará Flávio.Normalização urgente"A Argentina é a maior prejudicada neste contexto, pois o Brasil é seu principal parceiro comercial e o destino da maioria de suas exportações. Precisamos do Brasil mais do que eles precisam de nós. Esta missão busca recompor os laços com urgência", disse o analista internacional Héctor Bernardo à Sputnik, ao comentar o cenário econômico e comercial da viagem legislativa.O especialista explicou que o desequilíbrio comercial entre os dois países vai além da ideologia. O analista também destacou a importância do Mercosul na relação bilateral. Em entrevista à Sputnik, o cientista político Santiago Giorgetta avaliou que o impacto da viagem é político, e não imediato. O consultor foi categórico quanto à coexistência de dois canais diplomáticos paralelos e tensos. "O que isso demonstra — ou pretende demonstrar — é uma desconexão entre o presidente e o Congresso, e uma fragilidade do Poder Executivo no que diz respeito às relações bilaterais. Não há como isso ser produtivo", afirmou.Um ponto de ruptura?Bernardo descreveu o momento atual como inédito. Quanto ao alcance prático da missão, o analista mostrou-se cauteloso sobre seus efeitos imediatos. Giorgetta foi mais categórico: "Para Milei, Lula não é o presidente do principal parceiro comercial do país, mas sim um inimigo ideológico que será contraposto a um aliado ideológico e geopolítico como Bolsonaro", enfatizou.
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'Precisamos recompor os laços': parlamentares argentinos buscam reparar relação com o Brasil
03:08 28.08.2026 (atualizado: 06:09 28.08.2026) Uma delegação de parlamentares da oposição viajará a Brasília na próxima semana para recompor os laços bilaterais, que se deterioraram após os insultos do presidente argentino dirigidos a Lula. "A Argentina é quem mais sofre danos nesse contexto, pois o Brasil é seu principal parceiro comercial", disse um especialista à Sputnik.
Parlamentares de oposição ao governo de
Javier Milei anunciaram uma viagem a Brasília para a próxima semana, em uma
tentativa de recompor a relação bilateral com o país vizinho após uma série de insultos que o presidente argentino dirigiu a
Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa reúne deputados e senadores de pelo menos
cinco grupos políticos diferentes.
A delegação, que viajará entre 1º e 3 de setembro, planeja reunir-se com a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado brasileiro — presidida pelo parlamentar Nelsinho Trad (PSD-MS) —, além de realizar encontros no Palácio do Itamaraty e com representantes da Presidência.
Entre os parlamentares confirmados estão o idealizador da iniciativa, Nicolás Massot (bloco Encuentro Federal); Maximiliano Ferraro (Coalizão Cívica/CC); Esteban Paulón (Partido Socialista); Martín Lousteau (União Cívica Radical/UCR); Oscar Herrera Ahuad (Innovación Federal); e Eduardo Falcón (Movimento de Integração e Desenvolvimento/MID). O grupo representa uma mistura de partidos considerados moderados em sua postura em relação à Casa Rosada.
Massot, que lidera a delegação, argumentou na Câmara dos Deputados que "nenhum mandato eleitoral, por mais forte que seja, permite ao Poder Executivo atropelar quarenta anos de relações bilaterais estratégicas". Ele classificou como "irresponsável" a deterioração dos laços com o principal parceiro comercial da Argentina na América do Sul.
A crise diplomática começou em 25 de julho, quando Milei participou de um
evento em São Paulo, no qual Flávio Bolsonaro foi proclamado candidato à Presidência pelo Partido Liberal — a força política do ex-presidente
Jair Bolsonaro. Na ocasião, ele
chamou Lula de "ladrão" e "condenado" e dirigiu comentários depreciativos a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em resposta aos insultos, o
governo brasileiro convocou seu embaixador em Buenos Aires para consultas em 26 de julho e, em 4 de agosto,
rebaixou as relações diplomáticas ao nível de encarregado de negócios — um formato reservado na diplomacia para as relações bilaterais mais tensas entre países. Também
solicitou o retorno do embaixador argentino em Brasília, que ainda não reassumiu suas funções.
No mesmo dia em que a viagem legislativa foi anunciada, a Câmara dos Deputados debateu uma declaração condenando os insultos de Milei e reafirmando o caráter estratégico da relação com o Brasil. A moção também propunha convocar o ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, para prestar esclarecimentos ao Congresso. A proposta obteve 128 votos a favor, 108 contra e 9 abstenções.
Como o projeto não constava na pauta original da sessão, exigia-se o apoio de dois terços dos legisladores presentes para que fosse autorizado o debate — quórum que não foi alcançado, apesar de ter obtido maioria simples de votos. O bloco governista La Libertad Avanza (LLA) foi convidado a integrar a delegação que viajaria a Brasília. No entanto, nenhum de seus membros acompanhará o grupo.
Segundo Massot, Quirno foi informado da iniciativa parlamentar com antecedência, mas não apresentou resposta oficial. A missão ocorre pouco mais de um mês antes das eleições presidenciais brasileiras — marcadas para 4 de outubro —, nas quais Lula enfrentará Flávio.
"A Argentina é a maior prejudicada neste contexto, pois o Brasil é seu principal parceiro comercial e o destino da maioria de suas exportações. Precisamos do Brasil mais do que eles precisam de nós. Esta missão busca recompor os laços com urgência", disse o analista internacional Héctor Bernardo à Sputnik, ao comentar o cenário econômico e comercial da viagem legislativa.
O especialista explicou que o desequilíbrio comercial entre os dois países vai além da ideologia.
"Esta viagem dos parlamentares não trata apenas de uma questão partidária. Trata-se de representar a própria indústria argentina e os trabalhadores argentinos empregados nesses setores — a fonte de emprego e renda para essas famílias."
O analista também destacou a importância do Mercosul na relação bilateral.
"Além disso, eles são nossos parceiros regionais. Precisamos recompor essa relação — atualmente rebaixada ao nível de encarregado de negócios porque, após os insultos, o Brasil decidiu chamar seu embaixador de volta e solicitar o retorno do embaixador argentino a Buenos Aires."
Em entrevista à Sputnik, o cientista político Santiago Giorgetta avaliou que o impacto da viagem é político, e não imediato.
"Ela tem mais impacto na construção de alianças políticas regionais — visando um futuro em que governos de orientação política diferente aqui na Argentina possam buscar uma relação com o Brasil distinta daquela que o atual presidente mantém."
O consultor foi categórico quanto à coexistência de dois canais diplomáticos paralelos e tensos. "O que isso demonstra — ou pretende demonstrar — é uma desconexão entre o presidente e o Congresso, e uma fragilidade do Poder Executivo no que diz respeito às relações bilaterais. Não há como isso ser produtivo", afirmou.
Bernardo descreveu o momento atual como inédito.
"Estamos diante da situação diplomática mais complexa da história das relações entre Argentina e Brasil. Ultrapassou-se uma linha muito tênue e complexa. Isso coloca toda a situação em um estado no qual, a menos que os ministérios das Relações Exteriores a resolvam, será muito difícil avançar."
Quanto ao alcance prático da missão, o analista mostrou-se cauteloso sobre seus efeitos imediatos.
"Não creio que essa medida ou essa viagem levará o Brasil a decidir trazer o embaixador de volta. Veremos — o Brasil pode mudar de postura —, mas, à primeira vista, não parece que essa viagem vá alterá-la."
Giorgetta foi mais categórico: "Para Milei, Lula não é o presidente do principal parceiro comercial do país, mas sim um inimigo ideológico que será contraposto a um aliado ideológico e geopolítico como Bolsonaro", enfatizou.
"Hoje, o presidente prioriza o alinhamento com os Estados Unidos e precisa de um inimigo ideológico — entre aspas —, e encontrou esse inimigo no presidente do Brasil, ainda que a um custo muito alto para a Argentina."
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