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Brasil segue sem capacidade de produzir ímãs de terras raras antes de 2032, dizem especialistas
Brasil segue sem capacidade de produzir ímãs de terras raras antes de 2032, dizem especialistas
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Com grandes reservas de terras raras, o Brasil ainda não consegue transformar seus próprios minerais em ímãs permanentes e só deve dominar toda a cadeia entre... 29.08.2026, Sputnik Brasil
2026-08-29T09:22-0300
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O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo, mas ainda não dispõe da capacidade industrial para transformar seus próprios minerais em ímãs permanentes. A principal planta piloto do país, operada pelo Senai, prevê apenas a produção inicial de lotes em 2028, e mesmo assim dependente de insumos importados, já que o país não domina etapas críticas do refino.Segundo André Luis Pimenta de Faria, coordenador da planta, a produção integralmente nacional só deve ocorrer entre 2032 e 2035. Ele afirmou durante a Exposibram que, ao considerar toda a cadeia necessária — do processamento do minério ao ferro eletrolítico de alta pureza — o horizonte tecnológico brasileiro permanece distante, apesar das reservas abundantes.Para Pablo Cesario, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração e Energia, o cronograma é otimista. Ele lembra que o intervalo médio entre a comprovação de uma reserva e o início da produção no Brasil é de 17,2 anos, o que coloca o país em desvantagem num setor em que outros competidores avançam rapidamente.A disputa global por terras raras ganhou intensidade porque ímãs permanentes são essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica industrial e armamentos de precisão. De acordo com o South China Morning Post, a China domina cerca de 90% da produção mundial e, em 2025, impôs controles de exportação sobre elementos estratégicos, afetando cadeias produtivas na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia.A disputa, porém, envolve o minério e não a indústria, já que o Brasil quase não refina o que extrai e não possui uma fábrica comercial de ímãs. Faria e Cesario afirmam que a China vê o Brasil como parceiro, e que as restrições chinesas devem ser contornadas, não contestadas, pois forçam o mundo a buscar fornecedores alternativos e abrem espaço para novos atores.No entanto, o avanço brasileiro depende de um marco legal ainda travado no Senado Federal. O projeto cria uma política nacional para minerais críticos e um fundo de financiamento, mas enfrenta resistência por prever um conselho ligado à presidência com poder sobre contratos de fornecimento e mudanças societárias, o que preocupa mineradoras e investidores.Enquanto empresas temem excesso de controle estatal, o Itamaraty reclama da falta de diretrizes claras para escolher parceiros. O secretário Mauricio Lyrio defende que o Brasil selecione aliados mineral a mineral, seguindo sua tradição diplomática ampla, enquanto iniciativas como o Magbras buscam acordos com países europeus para acelerar a integração tecnológica.Analistas consultados pela publicação lembram que a China estruturou sua cadeia de terras raras desde 1975, acumulando cinco décadas de vantagem. Faria afirma que o Brasil está apenas começando a construir essa estrutura agora, mas que reconhece o potencial para disputar espaço nesse mercado estratégico, desde que consiga superar a lacuna de planejamento que o separa dos líderes globais.
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Brasil segue sem capacidade de produzir ímãs de terras raras antes de 2032, dizem especialistas
Com grandes reservas de terras raras, o Brasil ainda não consegue transformar seus próprios minerais em ímãs permanentes e só deve dominar toda a cadeia entre 2032 e 2035. A disputa global pelo setor cresce com o interesse internacional pela Serra Verde e com um projeto de lei travado no Senado que pode definir o futuro da indústria nacional.
O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo, mas ainda não dispõe da
capacidade industrial para transformar seus próprios minerais em ímãs permanentes. A principal
planta piloto do país, operada pelo Senai, prevê apenas a produção inicial de lotes em 2028, e mesmo assim dependente de insumos importados, já que o país não domina etapas críticas do refino.
Segundo André Luis Pimenta de Faria, coordenador da planta, a
produção integralmente nacional só deve ocorrer entre 2032 e 2035. Ele afirmou durante a Exposibram que, ao considerar toda a cadeia necessária — do processamento do minério ao ferro eletrolítico de alta pureza — o
horizonte tecnológico brasileiro permanece distante, apesar das reservas abundantes.
Para Pablo Cesario, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração e Energia, o cronograma é otimista. Ele lembra que o intervalo médio entre a comprovação de uma reserva e o início da produção no Brasil é de 17,2 anos, o que coloca o país em desvantagem num setor em que outros competidores avançam rapidamente.
A disputa global por terras raras ganhou intensidade porque ímãs permanentes são essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica industrial e armamentos de precisão. De
acordo com o South China Morning Post, a
China domina cerca de 90% da produção mundial e, em 2025, impôs
controles de exportação sobre elementos estratégicos, afetando cadeias produtivas na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia.
Esse cenário ampliou o interesse internacional pelas reservas brasileiras, especialmente pela Serra Verde, em Goiás, considerada a única mineradora fora da Ásia capaz de produzir o conjunto completo de terras raras para ímãs. A compra da empresa pela norte-americana USA Rare Earth, por US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 15,6 bilhões), pode redirecionar o refino do minério de plantas chinesas para instalações norte‑americanas.
A disputa, porém, envolve o
minério e não a indústria, já que o Brasil quase não refina o que extrai e não possui uma fábrica comercial de ímãs. Faria e Cesario afirmam que a China vê o Brasil como parceiro, e que as
restrições chinesas devem ser contornadas, não contestadas, pois forçam o mundo a buscar fornecedores alternativos e abrem espaço para novos atores.
No entanto, o avanço brasileiro depende de um marco legal ainda travado no Senado Federal. O
projeto cria uma política nacional para minerais críticos e um fundo de financiamento, mas enfrenta resistência por prever um conselho ligado à presidência com poder sobre contratos de fornecimento e mudanças societárias, o que
preocupa mineradoras e investidores.
Enquanto empresas temem excesso de controle estatal, o Itamaraty reclama da falta de diretrizes claras para escolher parceiros. O secretário Mauricio Lyrio defende que o
Brasil selecione aliados mineral a mineral, seguindo sua tradição diplomática ampla, enquanto iniciativas como o Magbras buscam
acordos com países europeus para acelerar a integração tecnológica.
Analistas consultados pela publicação lembram que a
China estruturou sua cadeia de terras raras desde 1975, acumulando cinco décadas de vantagem. Faria afirma que o Brasil está apenas começando a construir essa estrutura agora, mas que reconhece o potencial para disputar espaço nesse
mercado estratégico, desde que consiga superar a lacuna de planejamento que o separa dos líderes globais.
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