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Análise: Banco do BRICS abre caminho para Irã driblar sanções, mas poder ainda é limitado

© Sputnik Brasil / Rennan RebelloA presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), em Moscou, Dilma Rousseff, participou da entrevista coletiva
A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), em Moscou, Dilma Rousseff, participou da entrevista coletiva  - Sputnik Brasil, 1920, 07.09.2026
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A recente entrada do Irã no Banco do BRICS, o Novo Banco de Desenvolvimento (BND), não é mera coincidência com o momento atual dos novos anúncios do presidente dos EUA, Donald Trump, de mais sanções econômicas contra Teerã e aliados.
Trump anunciou em 19 de agosto uma operação econômica contra o Irã com "isolamento de escala sem precedentes" e a "mais devastadora já adotada contra qualquer país".
Presidido pela ex-presidente brasileira Dilma Roussef, o banco vem ganhando força e poder no cenário geopolítico, de acordo com especialistas ouvidos pelo podcast Mundioka, da Sputnik Brasil.
Mestre em estudos iranianos pela Academia Diplomática Iraniana e doutor em geografia Política pela USP, Jorge Mortean realçou o impacto político e diplomático da entrada do Irã na instituição financeira por enfraquecer a narrativa ocidental de que o país está isolado.
Segundo Mortean, o "Irã tem importância geoestratégica, geográfica e também de recursos, como o gás e petróleo, hidrocarbonetos, e o banco do BRICS traz ao governo do país legitimidade na arena internacional".
O acesso ao crédito para desenvolver sua infraestrutura e integração com a cadeia econômica global é o maior desafio do Irã, segundo o cientista político, estudioso da Ásia, geopolítica, teoria militar e defesa, articulista do portal História Islâmica e idealizador do canal Vento Leste, Ali Ramos.
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E a China tem papel crucial para estimular o banco do BRICS, cuja sede fica em Pequim, a dar aportes financeiros ao Irã, acrescentou ele.

"Se a China decidir dar aportes muito grandes para o Irã, via Banco do BRICS, exatamente para o desenvolvimento de infraestrutura, portos, ferrovias — com crédito acessível e barato —, isso aí tem o sentido de abrir um precedente para que outros países se unam ao BRICS e priorizem o Banco do BRICS, em detrimento do FMI [Fundo Monetário Internacional]".

Além disso, outros países do BRICS, como a Rússia, poderiam liderar esse processo e participar da reconstrução iraniana: "Significaria um enriquecimento gigantesco via acesso a esse crédito para as empreiteiras da Rússia, por exemplo, ou do Egito, ou de outros países dentro do BRICS", afirmou Ramos.
Porém, diferentemente do Irã, o gigante asiático não tem pressa para mudar as regras do jogo, disse ele:

"O planejamento dela [China] deve ser de mais de décadas, porque ainda é uma economia integralmente voltada para exportações. Então, se o yuan se valorizar demais frente ao dólar, a China perde poder de venda das suas mercadorias e o produto chinês perde competitividade em face do produto americano e europeu no mercado internacional."

Já para Mortean, o poder financeiro do BRICS para blindar o Irã ainda é limitado. E uma das limitações tem relação com a estrutura financeira do BND, cuja captação de recursos ocorre em mercados financeiros internacionais, seguindo suas regras e a classificação de risco de agências globais.

"Financiar projetos de entidades, empresas iranianas, sancionadas pelos Estados Unidos, principalmente, paralisaria as operações do próprio banco. Eu acho que esse é um entrave", opinou Mortean. "O NDB ainda não quebra a hegemonia do sistema internacional no sentido de se tornar um mecanismo efetivo que burle essas sanções."

Logo, o mecanismo financeiro deverá auxiliar acordos bilaterais, movimentos mais singelos, previu o especialista:

"O banco procura acelerar o uso de moedas locais em transações bilaterais. Eu acho que essa é uma saída nessa redução da dependência do dólar e desses limites pelos iranianos. E também a busca de sistemas alternativos ao [sistema] SWIFT", disse ele.

O BRICS PIX para transações comerciais também é promissor, mas com efeitos de longo prazo, na avaliação do especialista.
O fato de as câmaras de compensação de dólares e outros artifícios financeiros seguirem sendo pilares do poder estadunidense sobre o sistema financeiro ocidental intimida a adoção de alternativas, triangulação financeira, a desdolarização, ponderaram os entrevistados.
Mortean alertou que o BRICS vive atualmente uma transição de um fórum de complementariedade econômica para um ecossistema geopolítico que desafia o desenho institucional de uma ordem mundial pós-Segunda Guerra:
"Nesses desafios que se impõem nessa transição você tem de um lado Rússia, China e Irã, entre outros membros, que desejam essa mudança rápida essa transição rápida e que seja estrutural em direção a uma ordem alternativa [...] É aí que está o limite dessa solidariedade entre os membros dos BRICS. O limite desse interesse se põe diante de riscos de sanções secundárias norte-americanas e europeias aos demais membros".
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