https://noticiabrasil.net.br/20260907/crise-hidrica-pode-reduzir-trafego-no-canal-do-panama-para-27-navios-por-dia-53904781.html
Crise hídrica pode reduzir tráfego no Canal do Panamá para 27 navios por dia
Crise hídrica pode reduzir tráfego no Canal do Panamá para 27 navios por dia
Sputnik Brasil
Queda no nível dos reservatórios pode reduzir ainda mais as travessias durante a estação seca e elevar custos de transporte em uma rota responsável por mais de... 07.09.2026, Sputnik Brasil
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O Canal do Panamá pode ser obrigado a reduzir o número de navios que atravessam diariamente a via para até 27 embarcações nos próximos meses devido à queda nos níveis de água dos reservatórios. O alerta foi feito pela nova administradora do Canal do Panamá, Ilya Espino de Marotta, em entrevista ao Financial Times.Atualmente, o canal opera com uma média de 36 embarcações por dia, mas o número será reduzido para 32 a partir de setembro devido à escassez de água. A expectativa é que os cortes sejam ainda maiores durante a estação seca, entre dezembro e meados de abril. Segundo Espino de Marotta, chegar a 27 travessias diárias seria o "pior cenário" projetado pela autoridade do canal.O Canal do Panamá utiliza água doce armazenada em reservatórios para operar suas eclusas e permitir que os navios atravessem os cerca de 80 quilômetros entre os oceanos Atlântico e Pacífico. A administradora afirmou que as mudanças nos padrões de chuva provocadas pelas mudanças climáticas fazem com que períodos de escassez hídrica ocorram atualmente a cada três anos, aproximadamente.O canal movimenta mais de 3% do comércio mundial, o equivalente a cerca de US$ 270 bilhões por ano. Uma redução no número de travessias pode aumentar o tempo de espera para embarcações, elevar os custos de transporte e pressionar ainda mais as cadeias globais de abastecimento.A situação ocorre em um momento de forte instabilidade no transporte marítimo internacional, com restrições e desvios de rotas provocados também pelos conflitos no Oriente Médio e pelos problemas de segurança no Mar Vermelho e no Canal de Suez. A redução da capacidade do Canal do Panamá pode, portanto, aumentar a pressão sobre uma cadeia logística global que já enfrenta rotas mais longas e custos elevados.Os custos para atravessar o canal já aumentaram significativamente. Segundo dados da Argus Media citados pelo Financial Times, o custo médio dos leilões para embarcações que utilizam as eclusas padrão e as maiores estava em US$ 66.150 e US$ 253.180, respectivamente, em janeiro e fevereiro, antes da guerra entre Estados Unidos e Irã e da recente piora da situação hídrica. Desde então, os valores chegaram a US$ 478.750 e US$ 1,25 milhão, respectivamente.Apesar da possibilidade de novos cortes, Espino de Marotta afirmou que o pior cenário ainda seria menos grave que a crise registrada em 2023, quando o canal chegou a operar com apenas 22 travessias diárias. Segundo ela, a administração conseguiu armazenar mais água previamente desta vez.A escassez de água é considerada um dos principais desafios para o futuro do canal. As autoridades implementam medidas de economia de água há cerca de uma década, mas a irregularidade das chuvas e o aumento da frequência de períodos secos dificultam a manutenção da capacidade de operação.Para enfrentar o problema, a administração considera prioritária a construção do reservatório Rio Indio, um projeto estimado em US$ 1,6 bilhão que deverá captar parte da água das chuvas entre maio e dezembro. A previsão é que a estrutura fique pronta até 2032 e tenha capacidade equivalente a aproximadamente 10 a 15 travessias diárias. A maior parte da água, porém, será destinada ao abastecimento da população, o que significa que o reservatório deverá oferecer maior segurança hídrica ao canal, mas não necessariamente ampliar de forma significativa sua capacidade.A construção do reservatório enfrenta também obstáculos sociais. Cerca de 500 famílias vivem na região prevista para o projeto. Segundo Espino de Marotta, aproximadamente 70% das famílias já participam do processo de compensação, que deverá ocorrer em etapas ao longo de quatro ou cinco anos.Além do reservatório, a administração pretende transformar o Canal do Panamá em um hub logístico de maior alcance, com a construção de um gasoduto para transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP) e novos terminais nas duas extremidades da via. Empresas como ExxonMobil e Energy Transfer demonstraram interesse no projeto, cuja concessão deverá ser definida no próximo ano.A intenção é preservar a importância do canal para o transporte de hidrocarbonetos entre os Estados Unidos e a Ásia, mesmo diante das limitações impostas pela disponibilidade de água. Empresas do setor, porém, já alertam para os efeitos das restrições.Kristian Sørensen, presidente-executivo da BW LPG, afirmou que o Canal do Panamá se tornou um fator de incerteza para os fluxos globais de commodities. Segundo ele, mais navios estão sendo obrigados a utilizar rotas mais longas, contornando a África do Sul ou a América do Sul, devido aos gargalos no canal e no Oriente Médio.O cenário aumenta os custos de transporte e pode contribuir para novas pressões inflacionárias, especialmente nos mercados de energia e commodities que dependem das rotas entre os Estados Unidos e a Ásia.
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Crise hídrica pode reduzir tráfego no Canal do Panamá para 27 navios por dia
Queda no nível dos reservatórios pode reduzir ainda mais as travessias durante a estação seca e elevar custos de transporte em uma rota responsável por mais de 3% do comércio mundial.
O Canal do Panamá pode ser obrigado a reduzir o número de navios que atravessam diariamente a via para até 27 embarcações nos próximos meses devido à queda nos níveis de água dos reservatórios. O alerta foi feito pela nova administradora do Canal do Panamá, Ilya Espino de Marotta, em entrevista ao Financial Times.
Atualmente, o canal opera com uma média de 36 embarcações por dia, mas o número será reduzido para 32 a partir de setembro devido à escassez de água. A expectativa é que os cortes sejam ainda maiores durante a estação seca, entre dezembro e meados de abril. Segundo Espino de Marotta, chegar a 27 travessias diárias seria o "pior cenário" projetado pela autoridade do canal.
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Canal do Panamá utiliza água doce armazenada em reservatórios para operar suas eclusas e permitir que os navios atravessem os cerca de 80 quilômetros entre os oceanos Atlântico e Pacífico. A administradora afirmou que as mudanças nos padrões de chuva provocadas pelas mudanças climáticas fazem com que períodos de escassez hídrica ocorram atualmente a cada três anos, aproximadamente.
O canal movimenta mais de 3% do comércio mundial, o equivalente a cerca de US$ 270 bilhões por ano. Uma redução no número de travessias pode aumentar o tempo de espera para embarcações, elevar os custos de transporte e pressionar ainda mais as cadeias globais de abastecimento.
A situação ocorre em um momento de forte instabilidade no transporte marítimo internacional, com restrições e desvios de rotas provocados também pelos conflitos no Oriente Médio e pelos problemas de segurança no Mar Vermelho e no Canal de Suez. A redução da capacidade do Canal do Panamá pode, portanto, aumentar a pressão sobre uma cadeia logística global que já enfrenta rotas mais longas e custos elevados.
Os custos para atravessar o canal já aumentaram significativamente. Segundo dados da Argus Media citados pelo Financial Times, o custo médio dos leilões para embarcações que utilizam as eclusas padrão e as maiores estava em US$ 66.150 e US$ 253.180, respectivamente, em janeiro e fevereiro, antes da guerra entre Estados Unidos e Irã e da recente piora da situação hídrica. Desde então, os valores chegaram a US$ 478.750 e US$ 1,25 milhão, respectivamente.
Apesar da possibilidade de novos cortes, Espino de Marotta afirmou que o pior cenário ainda seria menos grave que a crise registrada em 2023, quando o canal chegou a operar com apenas 22 travessias diárias. Segundo ela, a administração conseguiu armazenar mais água previamente desta vez.
A escassez de água é considerada um dos principais desafios para o futuro do canal. As autoridades implementam medidas de economia de água há cerca de uma década, mas a irregularidade das chuvas e o aumento da frequência de períodos secos dificultam a manutenção da capacidade de operação.
Para enfrentar o problema, a administração considera prioritária a construção do reservatório Rio Indio, um projeto estimado em US$ 1,6 bilhão que deverá captar parte da água das chuvas entre maio e dezembro. A previsão é que a estrutura fique pronta até 2032 e tenha capacidade equivalente a aproximadamente 10 a 15 travessias diárias.
A maior parte da água, porém, será destinada ao abastecimento da população, o que significa que o reservatório deverá oferecer maior segurança hídrica ao canal, mas não necessariamente ampliar de forma significativa sua capacidade.
A construção do reservatório enfrenta também obstáculos sociais. Cerca de 500 famílias vivem na região prevista para o projeto. Segundo Espino de Marotta, aproximadamente 70% das famílias já participam do processo de compensação, que deverá ocorrer em etapas ao longo de quatro ou cinco anos.
Além do reservatório, a administração pretende transformar o Canal do Panamá em um hub logístico de maior alcance, com a construção de um gasoduto para transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP) e novos terminais nas duas extremidades da via. Empresas como ExxonMobil e Energy Transfer demonstraram interesse no projeto, cuja concessão deverá ser definida no próximo ano.
A intenção é preservar a importância do canal para o transporte de hidrocarbonetos entre os Estados Unidos e a Ásia, mesmo diante das limitações impostas pela disponibilidade de água. Empresas do setor, porém, já alertam para os efeitos das restrições.
Kristian Sørensen, presidente-executivo da BW LPG, afirmou que o Canal do Panamá se tornou um fator de incerteza para os fluxos globais de commodities. Segundo ele, mais navios estão sendo obrigados a
utilizar rotas mais longas, contornando a África do Sul ou a América do Sul, devido aos gargalos no canal e no
Oriente Médio.O cenário aumenta os custos de transporte e pode contribuir para novas pressões inflacionárias, especialmente nos mercados de energia e commodities que dependem das rotas entre os Estados Unidos e a Ásia.
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