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Rússia e Mianmar: boicotes do Ocidente fortalecem parcerias e frentes multilaterais
Rússia e Mianmar: boicotes do Ocidente fortalecem parcerias e frentes multilaterais
Sputnik Brasil
Sanções dos países ocidentais, principalmente por conta do conflito na Ucrânia, vêm impulsionando a Rússia a expandir suas trocas comerciais e acordos com o... 10.09.2026, Sputnik Brasil
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Um dos destaques tem sido Mianmar, cujo presidente, Min Aung Hlaing, recentemente esteve em Moscou em visita oficial ao homólogo russo, Vladimir Putin.Os dois países estão alinhavando projetos em petróleo e gás, energia nuclear, infraestrutura e investimentos, como a construção de uma refinaria no porto de Dawei. Também foram anunciados incrementos no comércio de petróleo, fertilizantes, equipamentos e tecnologia.No programa Mundioka da Sputnik Brasil desta quinta-feira (10), especialistas avaliaram o atual panorama dessa parceria, que ganhou novo fôlego nos últimos meses.Mestre em economia política internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Matheus Bruno Pereira pontuou que o momento é de disputa acirrada na região pela influência política, militar e econômica de grandes potências mundiais, como EUA e China, e, dado o contexto interno político de Mianmar, novas parcerias com a Rússia podem trazer recursos em questões estratégicas.Já o porto de Dawei, ressaltou, será para a Rússia alternativa relevante de escoar seus produtos para potências emergentes do Sudeste Asiático, como Indonésia, Vietnã, Malásia, além do acesso mais facilitado para os países no continente africano.Paralisado em 2021, por imbróglios políticos, agora, em parceria com a Rússia, o megaprojeto de porto de águas profundas no mar de Andamão tem previsão de conclusão em 2034.O especialista explicou que as vantagens serão logísticas, por diminuir o período de transporte, e econômicas:Militarmente, o porto também poderá ser de grande valia, ponderou Pereira."Em aspectos logísticos, para a Marinha russa, esse projeto é muito interessante, ao mesmo tempo em que ele pode proporcionar um aprofundamento de laços militares entre os dois países."O apoio russo também é providencial para Mianmar, uma vez que o país asiático se encontra isolado desde 2021, quando sofreu golpe de Estado, com sanções ou boicotes de vários países, além da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Além disso, investimentos são bem-vindos diante da instabilidade e crise humanitária, oriundas da guerra civil. "A Rússia consegue observar isso como uma oportunidade [...] como uma porta para o Sudeste da Ásia", disse ele ao destacar que a China também busca influência no país a partir de investimentos.Com a saída dos países europeus, seguindo as diretrizes da União Europeia de sanções contra Mianmar, os espaços antes ocupados por investidores europeus estão sendo substituídos pelo gigante asiático e pela Rússia, dentro de uma lógica multilateralista, defendeu o analista.Mestre em estudos estratégicos da defesa e da segurança (UFF), doutoranda em estudos marítimos da Escola de Guerra Naval, a especialista em Ásia Thayná Fernandes acrescentou que a aproximação de Mianmar com a Rússia também visa fortalecer o governo birmanês, que enfrenta forte resistência de grupos rebeldes. Nesse sentido, o porto de Dawei é estratégico:A produção de energia nuclear é outro ponto-chave nessa parceria, considerou Fernandes, já que o país asiático sofre com graves crises energéticas. A empresa russa Rosatom já tinha um projeto desde 2003 de reator de pesquisa em parceria entre os dois países, segundo ela.Após alguns entraves, a proposta foi retomada e inclui construção de reatores nucleares menores nas negociações."O projeto em si é interessante, ele vai conseguir ajudar muito nessa questão para os habitantes, para os moradores de Mianmar que sofrem muito com o aspecto de falta de energia, rodízios”, comentou ela.A especialista lembrou que apesar de isolada no cenário internacional de forma mais ampla, no cenário regional, Mianmar continua um ator ativo e importante.A pesquisadora também destacou o aspecto multilateral das parcerias envolvendo China, Rússia e Mianmar, em que há um jogo de ganha-ganha para todos:"Cada um tem uma agenda estratégica de engajamento que está correndo em paralelo e sem prejuízos de uma a outra".
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Rússia e Mianmar: boicotes do Ocidente fortalecem parcerias e frentes multilaterais
19:58 10.09.2026 (atualizado: 21:40 10.09.2026) Especiais
Sanções dos países ocidentais, principalmente por conta do conflito na Ucrânia, vêm impulsionando a Rússia a expandir suas trocas comerciais e acordos com o Sudeste Asiático.
Um dos destaques tem sido Mianmar, cujo presidente, Min Aung Hlaing, recentemente esteve em Moscou em visita oficial ao homólogo russo, Vladimir Putin.
Os dois países estão alinhavando projetos em petróleo e gás, energia nuclear, infraestrutura e investimentos, como a construção de uma refinaria no porto de Dawei. Também foram anunciados incrementos no comércio de petróleo, fertilizantes, equipamentos e tecnologia.
No programa Mundioka da Sputnik Brasil desta quinta-feira (10), especialistas avaliaram o atual panorama dessa parceria, que ganhou novo fôlego nos últimos meses.
Mestre em economia política internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Matheus Bruno Pereira pontuou que o momento é de disputa acirrada na região pela influência política, militar e econômica de grandes potências mundiais, como EUA e China, e, dado o contexto interno político de Mianmar, novas parcerias com a Rússia podem trazer recursos em questões estratégicas.
"Há exemplos, aspectos energéticos, e aí nesse caso entra a questão do petróleo e gás, do mesmo modo o aspecto energético também aborda relações tecnológicas. Então, tecnologia digital, banco de dados, data centers", elencou ele. "Satélites, acesso a sistemas de GPS, de exploração espacial, também vão se tornar muito importantes para o país nos próximos anos".
Já o
porto de Dawei, ressaltou, será para a Rússia alternativa relevante de escoar seus produtos para
potências emergentes do Sudeste Asiático, como Indonésia, Vietnã, Malásia, além do acesso mais facilitado para os países no continente africano.
Paralisado em 2021, por imbróglios políticos, agora, em parceria com a Rússia, o megaprojeto de porto de águas profundas no mar de Andamão tem previsão de conclusão em 2034.
"O porto de Dawei se torna muito importante para a Rússia, ao passo que ela consegue um novo acesso a essas regiões do mundo, sem necessitar passar por partes em que poderiam ser mais complicadas, o próprio estreito de Málaga, ou então realizar o acesso mais distante, ali pelo mar Ártico", disse.
O especialista explicou que as vantagens serão logísticas, por diminuir o período de transporte, e econômicas:
"Em eventual ação mais contundente dos países ocidentais, nesse caso a OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte], poderiam embargar as embarcações dos navios russos. Então isso seria algo muito grave e a Rússia tem ciência disso, e por isso ela busca essas outras alternativas."
Militarmente, o porto também poderá ser de grande valia, ponderou Pereira.
"Em aspectos logísticos, para a Marinha russa, esse projeto é muito interessante, ao mesmo tempo em que ele pode proporcionar um aprofundamento de laços militares entre os dois países."
O apoio russo também é providencial para Mianmar, uma vez que o país asiático se encontra isolado desde 2021, quando sofreu golpe de Estado, com sanções ou boicotes de vários países, além da
Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Além disso, investimentos são bem-vindos diante da instabilidade e crise humanitária, oriundas da
guerra civil.
"A Rússia consegue observar isso como uma oportunidade [...] como uma porta para o Sudeste da Ásia", disse ele ao destacar que a China também busca influência no país a partir de investimentos.
Com a saída dos países europeus, seguindo as diretrizes da União Europeia de sanções contra Mianmar, os espaços antes ocupados por investidores europeus estão sendo substituídos pelo gigante asiático e pela Rússia, dentro de uma lógica multilateralista, defendeu o analista.
Mestre em estudos estratégicos da defesa e da segurança (UFF), doutoranda em estudos marítimos da Escola de Guerra Naval, a especialista em Ásia Thayná Fernandes acrescentou que a aproximação de Mianmar com a Rússia também visa fortalecer o governo birmanês, que enfrenta forte resistência de grupos rebeldes. Nesse sentido, o porto de Dawei é estratégico:
"Esse projeto para Mianmar é uma forma de garantir controle territorial que o governo vem perdendo desde o golpe e o avanço dos grupos armados étnicos que são grupos de resistência a esse governo militar [...] desde que a parceria foi anunciada houve diversas incursões dos militares birmaneses na região que se pretende implantar esse projeto, então é vantajoso para a Rússia esse aspecto logístico e para Mianmar também, além da questão econômica, é importante para essa retomada de controle territorial do governo central", disse ela.
A produção de energia nuclear é outro ponto-chave nessa parceria, considerou Fernandes, já que o país asiático sofre com graves crises energéticas. A
empresa russa Rosatom já tinha um projeto desde 2003 de reator de pesquisa em parceria entre os dois países, segundo ela.
"Embora o país tenha 29 usinas hidrelétricas, 27 usinas a gás, usinas a carvão e usinas solares, a produção energética total, mesmo com toda essa infraestrutura, chega apenas a 67,2 gigawatts [...] é um mercado que precisa de energia."
Após alguns entraves, a proposta foi retomada e inclui construção de reatores nucleares menores nas negociações.
"O projeto em si é interessante, ele vai conseguir ajudar muito nessa questão para os habitantes, para os moradores de Mianmar que sofrem muito com o aspecto de falta de energia, rodízios”, comentou ela.

27 de dezembro 2025, 22:02
A especialista lembrou que apesar de isolada no cenário internacional de forma mais ampla, no cenário regional, Mianmar continua um ator ativo e importante.
"De maneira geral, a ASEAN tem a política de não intervenção nos assuntos internos dos países, então as relações, por mais que estejam com alguns países da associação um pouco abaladas, elas continuam acontecendo, elas continuam existentes."
A pesquisadora também destacou o aspecto multilateral das parcerias envolvendo China, Rússia e Mianmar, em que há um jogo de ganha-ganha para todos:
"Cada um tem uma agenda estratégica de engajamento que está correndo em paralelo e sem prejuízos de uma a outra".
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