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Os 25 anos do 11 de Setembro: marcos que redefiniram a geopolítica do Oriente Médio

© AP Photo / Marty Lederhandler"Torres Gêmeas" do World Trade Center (WTC) ardem depois do ataque terrorista, 11 de setembro de 2011 (foto de arquivo)
Torres Gêmeas do World Trade Center (WTC) ardem depois do ataque terrorista, 11 de setembro de 2011 (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 11.09.2026
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Os atentados de 11 de setembro de 2001 deram início a uma profunda transformação na política externa dos Estados Unidos e desencadearam uma série de intervenções militares que alteraram o equilíbrio de poder no Oriente Médio e em outras regiões, que verberam até hoje.
A Sputnik Brasil listou os principais marcos que redefiniram o Oriente Médio, após 25 anos do atentado, que começou com a invasão do Afeganistão em 2001:

Invasão do Afeganistão (2001)

Após os atentados, os EUA identificaram a Al-Qaeda (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países), liderada por Osama bin Laden, como responsável pelos ataques. Como a organização mantinha bases no Afeganistão sob proteção do regime Talibã, Washington iniciou uma intervenção militar em 7 de outubro de 2001 com o apoio do Reino Unido e outros aliados, mas não conseguiu capturar Bin Laden nem eliminar a Al-Qaeda.
Apenas dez anos depois, em 2011, Bin Laden foi morto pelos Estados Unidos em uma operação a 120 km da capital do Paquistão, Islamabad.
O conflito se transformou em uma longa guerra e se tornou um dos principais símbolos da chamada "Guerra ao Terror" com consequências que ultrapassaram as fronteiras do país. A presença militar americana se estendeu por duas décadas, enquanto o Talibã recuperava gradualmente sua força.
Em agosto de 2021, após a retirada das tropas estadunidenses, o grupo retomou o controle de Cabul e voltou ao poder. O episódio influenciou profundamente a política do Oriente Médio, contribuindo para a criação de um ambiente que posteriormente incluiria a invasão do Iraque, em 2003.
Fuzileiros navais dos EUA com a Força-Tarefa Aérea-Terrestre de Fuzileiros Navais para Fins Especiais de Resposta a Crises do Comando Central, prestam assistência em um posto de controle de evacuação durante uma evacuação no Aeroporto Internacional Hamid Karzai em Cabul, Afeganistão, 21 de agosto de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 09.09.2024
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Invasão do Iraque (2003)

Dois anos depois da invasão do Iraque, em março de 2003, os EUA, novamente com apoio principalmente do Reino Unido, invadiram o Iraque sob a justificativa de que o governo do presidente Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa.
Sem o aval do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), a operação derrubou o governo iraquiano e levou à captura de Hussein, mas as supostas armas nunca foram encontradas. A ocupação provocou o enfraquecimento das instituições do Estado, o aumento da violência sectária entre sunitas e xiitas e o surgimento de uma forte insurgência contra as forças estrangeiras e o novo governo iraquiano.
O enfraquecimento do Iraque, durante décadas uma das principais potências militares árabes, abriu espaço para o crescimento da influência do Irã na região e contribuiu para a expansão de grupos jihadistas, que posteriormente favoreceriam o surgimento do Estado Islâmico (organização terrorista proibida na Rússia e em vários países). Além disso, a invasão deteriorou a imagem dos EUA em grande parte do mundo árabe e alimentou novas tensões políticas e religiosas.

Primavera Árabe (2010–2012)

A Primavera Árabe foi uma onda de protestos e mobilizações populares que começou no final de 2010, na Tunísia, e rapidamente se espalhou por países do Oriente Médio e do Norte da África. Governos de longa duração foram derrubados na Tunísia e no Egito, enquanto países como Líbia, Síria e Iêmen mergulharam em conflitos e guerras civis.
Em 19 de março de 2011, tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) realizaram uma intervenção militar na Líbia. A intervenção foi justificada para proteger a população local com aval do Conselho de Segurança da ONU. As ações entretanto culminaram na queda e na morte do líder do país, Muammar Kadhafi, assassinado após ser espancado por uma multidão.
A guerra civil na Síria transformou-se em um conflito internacional envolvendo diferentes potências e grupos armados.

Acordos de Abraão (2020 em diante)

Anunciados em 2020, os acordos buscaram normalizar as relações entre Israel e países árabes. Inicialmente, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein anunciaram acordos diplomáticos com Israel, acompanhados pelo Marrocos e pelo Sudão.
A nova arquitetura regional alterou as alianças tradicionais do Oriente Médio. Também normalizaram relações com Israel também, Turquia, Egito e Jordânia. Entretanto, o conflito entre Hamas e Israel, iniciado em 7 de outubro de 2023, e a destruição da Faixa de Gaza recolocaram a questão palestina no centro da política regional, dificultando novas iniciativas de normalização.

Do Iraque ao Irã (2026)

O evento mais recente que dá seguimento à geopolítica orquestrada pelos EUA desde o atentado do 11 de Setembro, diz respeito ao confronto do atual governo de Donald Trump, com o Irã, que provocou a morte da sua principal liderança, o aiatolá Ali Khamenei, em mais uma intervenção direta que acirrou as tensões em todo o Oriente Médio.
Em mais uma medida intervencionista no Oriente Médio, os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Irã, que provocou a morte de Khamenei no primeiro dia de operação, mas que também levou a uma reação que Washington não calculava, pois em vez de desestabilizar o regime, e pese as limitações militares, os episódios tem apontado para o fortalecimento do governo persa e enfraquecimento do governo Trump.
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