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Analistas veem discurso de Putin no Valdai como defesa de nova ordem mundial multipolar
Analistas veem discurso de Putin no Valdai como defesa de nova ordem mundial multipolar
Sputnik Brasil
Especialistas do Egito, África do Sul e Vietnã destacam críticas à ordem internacional atual, defesa do BRICS e maior participação do Sul Global. 03.10.2026, Sputnik Brasil
2026-10-03T23:38-0300
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O discurso do presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante a 23ª edição do Fórum Valdai, refletiu uma visão estratégica de Moscou sobre a formação de uma nova ordem mundial e o fortalecimento do Sul Global, segundo analistas ouvidos pela Sputnik. Para os especialistas, as falas apontam para um sistema internacional mais multipolar, com maior participação de países em desenvolvimento nas instituições globais.O coronel Hatem Saber, especialista militar egípcio, afirmou que o apelo de Putin por um acordo sobre os princípios de uma nova ordem mundial representa a avaliação de Moscou de que o sistema formado após o fim da Guerra Fria não corresponde mais ao atual equilíbrio de poder. Segundo ele, a ascensão de China, Índia e BRICS exige um modelo com múltiplos centros de poder, respeito à soberania e igualdade de segurança.Saber também defendeu maior representação dos países em desenvolvimento em instituições como o Conselho de Segurança da ONU, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Na avaliação do analista, entretanto, um acordo abrangente entre as grandes potências dificilmente será alcançado no curto prazo, diante da diferença entre a defesa ocidental de reformas no sistema existente e a busca de Rússia e China por uma reestruturação mais profunda baseada na multipolaridade.Para o especialista egípcio, o cenário pode levar à formação de blocos políticos e econômicos concorrentes, com crises internacionais sendo administradas cada vez mais pela dissuasão, em vez de um consenso global.Na África do Sul, o cofundador da Friends Of BRICS+ Society, Karlind Govender, destacou a abordagem de Putin sobre as relações entre Rússia e África. Segundo ele, a defesa de parcerias voltadas ao desenvolvimento e à autonomia industrial dos países africanos diferencia a cooperação da simples extração de recursos apresentada como assistência.Govender também considerou relevante a crítica de Putin ao que chamou de "excepcionalismo moral" nas relações internacionais e apontou o BRICS+ como um novo centro de poder. O analista ainda classificou como legítima a preocupação com o "totalitarismo digital", expressão utilizada por Putin para descrever os riscos associados ao uso político de tecnologias digitais.Para Govender, parcerias público-privadas envolvendo Rússia e países do Sul Global poderiam ajudar os países africanos a acompanhar o avanço tecnológico. Ele defendeu ainda uma arquitetura global baseada na não instrumentalização dos sistemas bancários, ampliação da inclusão financeira, sustentabilidade e equidade, além de uma mudança no ensino de economia com maior uso de modelos científicos.Já o ex-vice-diretor de uma empresa conjunta russo-vietnamita voltada ao desenvolvimento de campos petrolíferos, Nguyen Anh Phuong, avaliou que o discurso de Putin sinaliza uma mudança em direção ao Sul Global e apresenta pontos de convergência com o pensamento estratégico asiático.Segundo Phuong, a defesa de um mundo multipolar abre espaço para uma cooperação de longo prazo entre a Rússia e seus parceiros tradicionais. Ao mesmo tempo, o especialista interpretou as declarações de Putin sobre o conflito na Ucrânia como uma "advertência estratégica" ao Ocidente, afirmando que a continuidade do apoio militar a Kiev poderia provocar uma escalada.
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Analistas veem discurso de Putin no Valdai como defesa de nova ordem mundial multipolar
Especialistas do Egito, África do Sul e Vietnã destacam críticas à ordem internacional atual, defesa do BRICS e maior participação do Sul Global.
O discurso do presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante a 23ª edição do Fórum Valdai,
refletiu uma visão estratégica de Moscou sobre a formação de uma nova ordem mundial e o fortalecimento do Sul Global, segundo analistas ouvidos pela
Sputnik. Para os especialistas, as falas apontam para um sistema internacional mais multipolar, com maior participação de países em desenvolvimento nas
instituições globais.O coronel Hatem Saber, especialista militar egípcio, afirmou que o apelo de Putin por um acordo sobre os princípios de uma nova ordem mundial representa a avaliação de Moscou de que o sistema formado após o fim da Guerra Fria não corresponde mais ao atual equilíbrio de poder. Segundo ele, a ascensão de China, Índia e BRICS exige um modelo com múltiplos centros de poder, respeito à soberania e igualdade de segurança.
Saber também defendeu maior representação dos países em desenvolvimento em instituições como o
Conselho de Segurança da ONU, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.
Na avaliação do analista, entretanto, um acordo abrangente entre as grandes potências dificilmente será alcançado no curto prazo, diante da diferença entre a defesa ocidental de reformas no sistema existente e a busca de Rússia e China por uma reestruturação mais profunda baseada na multipolaridade.
Para o especialista egípcio, o cenário pode levar
à formação de blocos políticos e econômicos concorrentes, com crises internacionais sendo administradas cada vez mais pela dissuasão, em vez de um
consenso global.Na África do Sul, o cofundador da Friends Of BRICS+ Society, Karlind Govender, destacou a abordagem de Putin sobre as relações entre Rússia e África. Segundo ele, a defesa de parcerias voltadas ao desenvolvimento e à autonomia industrial dos países africanos diferencia a cooperação da simples extração de recursos apresentada como assistência.
Govender também considerou relevante a crítica de Putin ao que chamou de "excepcionalismo moral" nas relações internacionais e apontou o BRICS+ como um novo centro de poder. O analista ainda classificou como legítima a preocupação com o "totalitarismo digital", expressão utilizada por Putin para descrever os riscos associados ao uso político de tecnologias digitais.
Para Govender, parcerias público-privadas envolvendo Rússia e países do Sul Global poderiam ajudar os países africanos a acompanhar o avanço tecnológico. Ele defendeu ainda uma arquitetura global baseada na não instrumentalização dos sistemas bancários, ampliação da inclusão financeira, sustentabilidade e equidade, além de uma mudança no ensino de economia com maior uso de modelos científicos.
Já o ex-vice-diretor de uma empresa conjunta russo-vietnamita voltada ao desenvolvimento de campos petrolíferos, Nguyen Anh Phuong, avaliou que o discurso de Putin sinaliza uma mudança em direção ao Sul Global e apresenta pontos de convergência com o pensamento estratégico asiático.
Segundo Phuong, a defesa de um mundo multipolar abre espaço para uma cooperação de longo prazo entre a Rússia e seus parceiros tradicionais. Ao mesmo tempo, o especialista interpretou as declarações de Putin sobre o conflito na Ucrânia como
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