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Ação dos EUA na América do Sul cria risco de mais facções migrarem para o Brasil, dizem analistas
Ação dos EUA na América do Sul cria risco de mais facções migrarem para o Brasil, dizem analistas
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Ampliação da presença militar dos EUA na América do Sul e pressão sobre países da região levantam preocupações sobre deslocamento do crime organizado e... 06.10.2026, Sputnik Brasil
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A ampliação da presença militar dos Estados Unidos na América do Sul, sob a justificativa de combater o narcotráfico e o crime organizado, coloca em discussão não apenas os efeitos dessas operações sobre os grupos criminosos, mas também a forma como a segurança da região vem sendo articulada.Com a transferência de equipamentos de drones da África para a região e o aprofundamento da cooperação de Washington com governos sul-americanos, ações concentradas em determinados territórios podem alterar a dinâmica de atuação das organizações criminosas que operam além das fronteiras nacionais.Para o Brasil, que possui extensas fronteiras terrestres e já convive com organizações criminosas de atuação transnacional — além de sofrer pressões dos EUA desde o segundo mandato do presidente Donald Trump —, a questão que fica é se o enfrentamento do crime organizado em outros países, caso não elimine os grupos, poderá forçar uma "migração" desses grupos pela região. Efeito balãoSegundo Roberto Moll Neto, doutor em relações internacionais pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas, essas ações fazem parte da estratégia dos Estados Unidos para ampliar sua atuação no subcontinente, vendo a América do Sul como vital para seus interesses a longo prazo.A maior preocupação, avalia, é o histórico de Washington usar o discurso do combate ao narcotráfico para justificar incursões militares e intervenções, citando a invasão da Venezuela no início de 2026. Ademais, a presença de drones também acarreta a possibilidade de espionagem interna e ataques próximos à fronteira desses países com o Brasil.Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, ele explica que grupos criminosos pressionados pelas operações dos Estados Unidos em países como Equador, Colômbia e Peru podem acabar migrando para outras áreas da região, inclusive para o território brasileiro. Chamando de "efeito balão", o fenômeno é especialmente preocupante diante das conexões já existentes entre organizações criminosas desses países e as facções brasileiras.Nesse cenário, a intensificação das operações em determinados países pode não significar necessariamente o enfraquecimento das redes criminosas em escala regional, mas o deslocamento de suas estruturas para áreas menos pressionadas. O caráter transnacional dessas organizações coloca em questão a eficácia de estratégias concentradas em territórios específicos para enfrentar grupos que mantêm conexões e rotas de atuação que atravessam diferentes países.A ausência de uma articulação regional de segurança entre países sul-americanos também representa um obstáculo diante desse cenário. Embora defenda que a questão deveria ser discutida coletivamente pelos países da América do Sul e da América Latina, Neto avalia que a expansão militar estadunidense previne tal projeto integrador.Vulnerabilidades internas do BrasilAugusto Teixeira, doutor em ciência política e professor do curso de relações internacionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), ressalta que uma das principais fragilidades brasileiras está na ausência de um setor de segurança nacional estruturado, capaz de articular defesa, inteligência e segurança pública.Essa integração seria necessária para ampliar a capacidade de contrainteligência e a resiliência do país diante de pressões externas.Ao programa, ele avalia que a preservação da autonomia brasileira passa pela capacidade de manter uma posição própria diante da disputa entre grandes potências. A neutralidade historicamente buscada pela política externa brasileira continua a ser desejável, mas se tornou mais difícil de sustentar diante da posição geográfica do país e da crescente pressão de Estados Unidos e China.O professor cita países como Índia e Turquia como exemplos de Estados que conseguem preservar maior margem de manobra por combinarem uma política externa relativamente autônoma com capacidades materiais e consensos internos capazes de sustentar suas posições.No caso brasileiro, porém, ele aponta a ausência de consensos mínimos entre as elites políticas sobre segurança nacional e a fragilidade da indústria de defesa como obstáculos adicionais.
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Ação dos EUA na América do Sul cria risco de mais facções migrarem para o Brasil, dizem analistas
17:00 06.10.2026 (atualizado: 17:48 06.10.2026) Especiais
Ampliação da presença militar dos EUA na América do Sul e pressão sobre países da região levantam preocupações sobre deslocamento do crime organizado e autonomia brasileira, segundo analistas ouvidos pela Sputnik Brasil.
A ampliação da
presença militar dos Estados Unidos na América do Sul, sob a justificativa de combater o narcotráfico e o crime organizado, coloca em discussão não apenas os efeitos dessas operações sobre os grupos criminosos,
mas também a forma como a segurança da região vem sendo articulada.
Com a transferência de equipamentos de drones da África para a região e o aprofundamento da cooperação de Washington com governos sul-americanos, ações concentradas em determinados territórios podem alterar a dinâmica de atuação das organizações criminosas que operam além das fronteiras nacionais.
Para o Brasil, que possui extensas fronteiras terrestres e já convive com organizações criminosas de atuação transnacional — além de sofrer pressões dos EUA desde o segundo mandato do presidente Donald Trump —, a questão que fica é se o enfrentamento do crime organizado em outros países, caso não elimine os grupos, poderá forçar uma "migração" desses grupos pela região.
Segundo Roberto Moll Neto, doutor em relações internacionais pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas, essas ações fazem parte da estratégia dos Estados Unidos para ampliar sua atuação no subcontinente, vendo a América do Sul como vital para seus interesses a longo prazo.
"Esses equipamentos podiam estar indo para a guerra no Irã, mas estão vindo para a América Latina. Isso é mais um exemplo, mais um sinal de como a nossa região tem se tornado central para os Estados Unidos."
A maior preocupação, avalia, é o histórico de Washington usar o discurso do combate ao narcotráfico para justificar
incursões militares e intervenções, citando a invasão da Venezuela no início de 2026. Ademais, a presença de drones também acarreta a possibilidade de espionagem interna e ataques próximos à fronteira desses países com o Brasil.
Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, ele explica que grupos criminosos pressionados pelas operações dos Estados Unidos em países como Equador, Colômbia e Peru podem acabar migrando para outras áreas da região, inclusive para o território brasileiro. Chamando de "efeito balão", o fenômeno é especialmente preocupante diante das conexões já existentes entre organizações criminosas desses países e as facções brasileiras.
Nesse cenário, a intensificação das operações em determinados países pode não significar necessariamente o enfraquecimento das redes criminosas em escala regional, mas o deslocamento de suas estruturas para áreas menos pressionadas. O caráter transnacional dessas organizações coloca em questão a eficácia de estratégias concentradas em territórios específicos para enfrentar grupos que mantêm conexões e rotas de atuação que atravessam diferentes países.
A ausência de uma articulação regional de segurança entre países sul-americanos também representa um obstáculo diante desse cenário. Embora defenda que a questão deveria ser discutida coletivamente pelos países da América do Sul e da América Latina, Neto avalia que a expansão militar estadunidense previne tal projeto integrador.
Vulnerabilidades internas do Brasil
Augusto Teixeira, doutor em ciência política e professor do curso de relações internacionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), ressalta que uma das principais fragilidades brasileiras está na ausência de um setor de segurança nacional estruturado, capaz de articular defesa, inteligência e segurança pública.
Essa integração seria necessária para ampliar a capacidade de contrainteligência e a resiliência do país diante de pressões externas.
"É por isso que nós, em grande medida, estamos pagando um preço pela incapacidade de pensar e agir estrategicamente dentro do campo da segurança nacional."
Ao programa, ele avalia que a preservação da
autonomia brasileira passa pela capacidade de manter uma posição própria diante da disputa entre grandes potências. A neutralidade historicamente buscada pela política externa brasileira continua a ser desejável, mas
se tornou mais difícil de sustentar diante da posição geográfica do país e da crescente pressão de Estados Unidos e China.
O professor cita países como Índia e Turquia como exemplos de Estados que conseguem preservar maior margem de manobra por combinarem uma política externa relativamente autônoma com capacidades materiais e consensos internos capazes de sustentar suas posições.
No caso brasileiro, porém, ele aponta a ausência de consensos mínimos entre as elites políticas sobre segurança nacional e a fragilidade da indústria de defesa como obstáculos adicionais.
"Temos muito potencial, mas nos falta uma estratégia, um guiamento, uma estratégia nacional e, obviamente, estamos vivendo um contexto em que as pressões externas sobre as nossas opções são cada vez mais severas."
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