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Análise: agro já serve de contrapeso a discurso de Flávio contra a China antes mesmo das eleições
Análise: agro já serve de contrapeso a discurso de Flávio contra a China antes mesmo das eleições
Sputnik Brasil
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas apontam que mesmo sendo moderado pela bancada do agro, Flávio Bolsonaro, caso eleito, colocará o Brasil em rota... 13.10.2026, Sputnik Brasil
2026-10-13T19:20-0300
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Nas eleições de 2018 e 2022, a direita bolsonarista teve como uma de suas bandeiras principais a crítica às relações do Brasil com países do Sul Global e iniciativas multilaterais como o BRICS e a própria Organização das Nações Unidas (ONU). Os comentários miravam, sobretudo, as relações com a China, maior parceiro comercial do Brasil, e com países da África, principalmente em relação às embaixadas abertas no continente.Hoje, embora defenda fortemente um alinhamento automático e irrestrito com a Casa Branca, Flávio Bolsonaro (PL) e seus aliados evitam ataques diretos à China e a outros parceiros do Brasil do Sul Global.À Sputnik Brasil, o coordenador da graduação em relações internacionais do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (Inest/UFF), Fernando Almeida, lembra que dentre as principais medidas propostas pelo governo Bolsonaro, no campo internacional, há o fim do comércio brasileiro com a China e a Argentina.Os hermanos eram então governados pelo peronista Alberto Fernández (2019–2023) e, com a China, a situação chegou a um "absurdo de hostilidade", diz o pesquisador, com Araújo ecoando as acusações norte-americanas de que o país era responsável pelo que chamou de "pandemia de 'comunavírus'".No entanto, essa postura mudou à medida que o bolsonarismo foi entendendo o funcionamento do sistema internacional.Ainda assim, as relações do Brasil com países do BRICS e do Mercosul foram "postas de lado em prol de um discurso de alinhamento aos EUA" em um movimento que preocupou o setor exportador.Diante disso, ficou ao encargo da bancada do agronegócio administrar as ações do governo, o que também deve ocorrer em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.Roberto Goulart Menezes, professor titular de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB), avalia que na área da política externa, Flávio Bolsonaro, caso eleito, tenderá a concentrar as relações do Brasil prioritariamente com os Estados Unidos e Israel."Ele já afirmou que pretende levar adiante a transferência da Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém. Isso reafirma os laços com os Estados Unidos e com [Benjamin] Netanyahu, embora tenha eleições em Israel previstas", afirma.Por outro lado, em relação a coalizões do Sul Global nas quais o Brasil participa, sobretudo no BRICS onde é um dos fundadores, a pressão sobre Flávio virá principalmente do agronegócio, que quer se equilibrar entre os Estados Unidos e a China.Em seu governo, Jair Bolsonaro manteve relações com a China "em que ele criticava de dia, e à noite pedia desculpas", classifica Menezes. Agora, a situação é ainda mais distinta, uma vez que, nos últimos anos, o percentual das exportações do Brasil para a China não só cresceu, como se diversificou.Para Menezes, o mais provável é que, caso eleito, Flávio Bolsonaro recorra à estratégia de atacar a China como governo, mas reafirmar que quem mantém as relações com o país asiático são as empresas brasileiras.Por outro lado, durante o governo de Jair, a China fez um conjunto de movimentações para arrefecer os rompantes sinofóbicos daquela gestão, o que deve ocorrer novamente, diz Renan Holanda Montenegro, professor de relações internacionais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).Para o especialista, é improvável que Flávio realize um retrocesso nas relações com a China. Não só o senador obteve uma vitória eleitoral no cinturão da soja no primeiro turno, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), uma das principais apoiadores do presidenciável, já afirmou que o candidato, se eleito, terá de equilibrar a relação entre Estados Unidos e China.No entanto, ele ressalta que a agenda externa é um assunto ausente na campanha de Flávio, uma vez que ele já ficou associado ao tarifaço de Trump, que prejudicou em um primeiro momento o agronegócio.Essa ausência, entretanto, não significa que, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, o Brasil terá uma relação próxima com países da periferia capitalista global. Pelo contrário, uma eventual presidência do candidato do PL deve trazer um afastamento do BRICS e do Mercosul.
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Análise: agro já serve de contrapeso a discurso de Flávio contra a China antes mesmo das eleições
19:20 13.10.2026 (atualizado: 20:42 13.10.2026) Especiais
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas apontam que mesmo sendo moderado pela bancada do agro, Flávio Bolsonaro, caso eleito, colocará o Brasil em rota oposta à do Sul Global, priorizando a aproximação com os EUA e a OCDE em detrimento do BRICS.
Nas eleições de 2018 e 2022, a direita bolsonarista teve como uma de suas bandeiras principais a crítica às relações do Brasil com países do Sul Global e iniciativas multilaterais como o BRICS e a própria Organização das Nações Unidas (ONU). Os comentários miravam, sobretudo, as relações com a China, maior parceiro comercial do Brasil, e com
países da África, principalmente em relação às embaixadas abertas no continente.
Hoje, embora defenda fortemente um
alinhamento automático e irrestrito com a Casa Branca, Flávio Bolsonaro (PL) e seus aliados
evitam ataques diretos à China e a outros parceiros do Brasil do Sul Global.
À Sputnik Brasil, o coordenador da graduação em relações internacionais do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (Inest/UFF), Fernando Almeida, lembra que dentre as principais medidas propostas pelo governo Bolsonaro, no campo internacional, há o fim do comércio brasileiro com a China e a Argentina.
Os hermanos eram então governados pelo peronista Alberto Fernández (2019–2023) e, com a China, a situação chegou a um "absurdo de hostilidade", diz o pesquisador, com Araújo ecoando as acusações norte-americanas de que o país era responsável pelo que chamou de "pandemia de 'comunavírus'".
No entanto, essa postura mudou à medida que o bolsonarismo foi entendendo o funcionamento do sistema internacional.
"Muito daquela fase de ignorância extrema e de truculência teve que ser abandonado por eles mesmos, ao perceberem que o mundo é muito mais complexo do que as comunidades de onde vieram."
Ainda assim, as relações do Brasil com países do BRICS e do Mercosul foram
"postas de lado em prol de um discurso de alinhamento aos EUA" em um movimento que
preocupou o setor exportador.
Diante disso, ficou ao encargo da bancada do agronegócio administrar as ações do governo, o que também deve ocorrer em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
"Registre-se que a situação de [ex-chanceler, Ernesto] Araújo tornou-se claramente insustentável quando atacou a senadora Kátia Abreu, que também é pecuarista, acusando-a de fazer lobby para a China."
Roberto Goulart Menezes, professor titular de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB), avalia que na área da política externa, Flávio Bolsonaro, caso eleito, tenderá a concentrar as relações do Brasil
prioritariamente com os Estados Unidos e Israel.
"Ele já afirmou que pretende levar adiante a transferência da Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém. Isso reafirma os laços com os Estados Unidos e com [Benjamin] Netanyahu, embora tenha eleições em Israel previstas", afirma.
Por outro lado, em relação a coalizões do Sul Global nas quais o Brasil participa, sobretudo no BRICS onde é um dos fundadores, a pressão sobre Flávio virá principalmente do agronegócio, que quer se equilibrar entre os Estados Unidos e a China.
"Flávio Bolsonaro também tem a proposta de retirar o Brasil do Mercosul, embora [Javier] Milei seja o seu aliado de primeira hora, mas caso isso se confirme, a indústria brasileira também vai perder um mercado muito importante."
Em seu governo, Jair Bolsonaro manteve relações com a China "em que ele criticava de dia, e à noite pedia desculpas", classifica Menezes. Agora, a situação é ainda mais distinta, uma vez que, nos últimos anos, o percentual das exportações do Brasil para a China não só cresceu, como se diversificou.
Para Menezes, o mais provável é que, caso eleito, Flávio Bolsonaro recorra à estratégia de atacar a China como governo, mas reafirmar que quem mantém as relações com o país asiático são as empresas brasileiras.
"Mas considerando que ele quer ingressar no Escudo das Américas, e com isso ele terá que tomar outra decisão se permanece ou não nos BRICS e também no banco do BRICS, tudo leva a crer que a política externa de Flávio Bolsonaro tende a ser tão agressiva quanto a de [Donald] Trump em relação à China."
Por outro lado, durante o governo de Jair, a China fez um conjunto de movimentações para arrefecer os rompantes sinofóbicos daquela gestão, o que deve ocorrer novamente, diz Renan Holanda Montenegro, professor de relações internacionais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
"Nesses últimos dias, o representante chinês para a América Latina fez uma declaração a um jornal estatal dizendo que o país pretende manter relações próximas e amistosas com os países aqui do nosso entorno, independentemente da inclinação ideológica do governo de turno ou do governo que venha a ser eleito."
Para o especialista, é improvável que Flávio realize um retrocesso nas relações com a China. Não só o senador obteve uma vitória eleitoral no cinturão da soja no primeiro turno, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), uma das principais apoiadores do presidenciável, já afirmou que o candidato, se eleito, terá de equilibrar a relação entre Estados Unidos e China.
No entanto, ele ressalta que a agenda externa é um assunto ausente na campanha de Flávio, uma vez que ele já ficou associado ao tarifaço de Trump, que prejudicou em um primeiro momento o agronegócio.
Essa ausência, entretanto, não significa que, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, o Brasil terá uma relação próxima com países da periferia capitalista global. Pelo contrário, uma eventual presidência do candidato do PL deve trazer um afastamento do BRICS e do Mercosul.
"Certamente a gente deve esperar um alinhamento maior com a OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico], com os Estados Unidos, com o Norte Global e as assim chamadas democracias do Ocidente", conclui.
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