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Compra de diesel russo pelos EUA reforça dilema energético europeu, diz mídia

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Bandeiras dos EUA e da União Europeia (imagem referencial) - Sputnik Brasil, 1920, 13.10.2026
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A decisão dos EUA de flexibilizar sanções e voltar a importar diesel da Rússia provocou críticas na Europa e expôs divergências entre aliados ocidentais. O acordo prevê mais de 1,8 milhão de toneladas do combustível russo, enquanto países europeus mantêm restrições que elevaram seus custos energéticos desde o início da guerra na Ucrânia.
Durante anos, os Estados Unidos lideraram os esforços para sancionar a Rússia e reduzir as receitas que financiam a indústria militar de Moscou, contando com amplo apoio europeu. No entanto, em meio à necessidade crescente de diesel no mercado norte-americano, Washington decidiu flexibilizar temporariamente parte dessas restrições e voltar a importar combustível russo, provocando críticas dentro e fora da aliança ocidental.
A decisão repercutiu negativamente na imprensa internacional com uma revista britânica classificando a medida como uma "traição", enquanto um jornal tradicional no Reino Unido alertou para uma possível nova crise entre aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A mídia norte-americana avaliou que o acordo expôs divisões dentro da coalizão que busca manter pressão econômica sobre Moscou.

De acordo com o Global Times, analistas consultados pela apuração apontam que a medida tem forte componente doméstico.

Com a proximidade das eleições de meio de mandato, combustíveis mais baratos podem aliviar pressões econômicas sobre consumidores e empresas. Como o diesel é essencial para transporte, agricultura, construção, mineração e indústria pesada, altas de preços tendem a se espalhar por toda a economia e afetar diretamente o custo de vida.
Enviado especial do Kremlin Kirill Dmitriev durante evento em Moscou, na Rússia, em maio de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 13.10.2026
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Mas a reação europeia foi imediata. A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, rejeitou a suspensão das sanções ao diesel russo. Alemanha e Reino Unido afirmaram que manterão suas restrições, enquanto o primeiro-ministro da Estônia, Kristen Michal, classificou a decisão norte-americana como um grave erro de cálculo.
Desde 2022, os países europeus vêm reduzindo sua dependência energética da Rússia, aceitando custos econômicos elevados para atender objetivos de segurança, incluindo comprar excedente de gás norte-americano a preços muito superiores. A substituição do gás, petróleo e derivados russos exigiu mudanças na infraestrutura e nas cadeias de abastecimento, aumentando despesas para empresas e consumidores e contribuindo para dificuldades enfrentadas por parte da economia do continente.
Para a mídia chinesa, a decisão norte-americana evidencia que interesses nacionais podem prevalecer sobre compromissos políticos quando as pressões internas aumentam, além de expor o dilema europeu sobre manter as sanções, e continuar arcando com seus custos ou flexibilizá-las, e admitir que parte da estratégia adotada pode ter produzido efeitos econômicos indesejados.
A principal lição, segundo a análise, é que a segurança energética exige diversificação, reservas estratégicas e menor dependência de parceiros externos, mesmo quando são aliados.

O entendimento anunciado pelos EUA prevê o fornecimento imediato de mais de 300 mil toneladas de diesel russo, seguido por 500 mil toneladas em novembro e mais um milhão de toneladas posteriormente. O acordo foi acompanhado por um relaxamento temporário das sanções relacionadas ao combustível, criando uma exceção às regras defendidas pelo próprio governo norte-americano nos últimos anos.

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