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Antibolsonarismo ou defesa da soberania: o que foi mais importante na vitória de Lula?
Antibolsonarismo ou defesa da soberania: o que foi mais importante na vitória de Lula?
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Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas analisam o que pesou mais para os eleitores na hora de votar: a defesa da soberania frente à ingerência externa... 26.10.2026, Sputnik Brasil
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A eleição presidencial brasileira encerrou neste domingo (25), com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL). O pleito foi considerado o mais disputado desde a redemocratização do país.Lula obteve 51,79% contra 48,21% de Flávio, em uma vitória de virada que reverteu a derrota sofrida em primeiro turno. Com o resultado, ele conquistou o quarto mandato, um feito inédito na história da política brasileira.À Sputnik Brasil, o doutor em sociologia pela Universidade Humboldt de Berlim Brand Arenari avalia que a vitória de Lula é histórica por alguns motivos.Arenari, que chefia o Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF), acrescenta que o quarto governo Lula terá pela frente um desafio em relação à governabilidade, por conta da configuração do Congresso, onde paramentares da oposição ampliaram a presença.Ele afirma que o governo terá de ter criatividade para compor os ministérios e enfrentar problemas que são urgentes para a população, como a segurança pública.Na visão do especialista, é difícil prever o futuro da relação do Brasil com os EUA, com Lula reeleito após uma forte pressão de Washington no pleito brasileiro em favor de Flávio. Ele avalia que o presidente estadunidense, Donald Trump, é uma figura difícil de ler, por ser um dos líderes mais imprevisíveis do cenário internacional."Ninguém se surpreenderia se ele tivesse um discurso parabenizando o presidente Lula, dizendo que torceu muito pelo presidente Lula, como ele teve movimentos erráticos nesse processo todo em que ele esteve com Lula, disse que adorou Lula, que o Lula é um amigo dele, pessoa maravilhosa, aí depois vai e ataca o Lula de novo."Porém, ele afirma que o Brasil certamente vai sofrer pressão, citando como exemplo as terras raras, que já vinham sendo alvo de cobiça, sobretudo após Flávio prometer que os recursos seriam a salvação dos EUA contra a dependência da China."As pressões serão grandes para Lula. E nos últimos tempos ele não tem demonstrado uma inclinação muito grande de enfrentamento a Trump. Há alguma ou outra retórica, mas a natureza política de Lula é de um político de composição, não de enfrentamento. [....] É difícil esperar que agora, no que parece ser seu último mandato, ele vai mudar seu jeito de governar."Arenari considera que o tema da soberania foi decisivo em alguns momentos do governo Lula, e a resposta forte do presidente reeleito refletiu positivamente em sua popularidade.Gabriel Guimarães, cientista político pela FGV, mestre e doutorando pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), considera que o anti-bolsonarismo teve um papel mais decisivo que a soberania no resultado das eleições. Ele diz que, embora a soberania seja um tema importante para alguns eleitores, a incerteza em relação a um governo Flávio, associada a investimentos importantes que Lula fez nos últimos meses das eleições, fizeram a diferença."Não sei se o eleitor, de forma geral, do Nordeste, o eleitor que tem realidades materiais mais precárias, racionaliza nesse ponto de vista da soberania internacional. Agora, sem sombra de dúvidas, esse foi um tema marcante nesse processo eleitoral, mas entendo que essa é uma vitória do anti-bolsonarismo", afirma.Guimarães acrescenta que considera difícil que duas derrotas consecutivas possam reduzir a força do bolsonarismo, que ele diz que continuará relevante no cenário político do país. Porém, ele diz que alguns membros da direita moderada precisam refletir e repensar sobre o próprio futuro político.Para Guimarães, com a vitória neste domingo, ganhou uma nova chance de decidir que governo ele quer fazer, compondo com forças de uma direita democrática, não bolsonarista, como poderia ter feito em 2022."Eu acho que o país deu ao presidente uma nova oportunidade de compor com forças de centro-direita, que são forças democráticas, que durante muito tempo fizeram oposição aos governos do PT, mas que fizeram uma escolha de não abraçar o bolsonarismo."
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Antibolsonarismo ou defesa da soberania: o que foi mais importante na vitória de Lula?
01:10 26.10.2026 (atualizado: 01:29 26.10.2026) Especiais
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas analisam o que pesou mais para os eleitores na hora de votar: a defesa da soberania frente à ingerência externa ou o antibolsonarismo.
A
eleição presidencial brasileira encerrou neste domingo (25), com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL).
O pleito foi considerado o mais disputado desde a redemocratização do país.
Lula obteve 51,79% contra 48,21% de Flávio, em uma vitória de virada que reverteu a derrota sofrida em primeiro turno. Com o resultado, ele
conquistou o quarto mandato, um feito inédito na história da política brasileira.
À Sputnik Brasil, o doutor em sociologia pela Universidade Humboldt de Berlim Brand Arenari avalia que a vitória de Lula é histórica por alguns motivos.
"O primeiro deles é a pouca crença da maioria dos analistas e dos observadores de que era possível uma virada nessas condições. E a outra é que coloca o presidente Lula como um dos líderes políticos mais longevos no poder do Brasil", afirma.
Arenari, que chefia o Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF), acrescenta que o quarto governo Lula terá pela frente um desafio em relação à governabilidade, por conta da configuração do Congresso, onde paramentares da oposição ampliaram a presença.
Ele afirma que o governo terá de ter criatividade para compor os ministérios e enfrentar problemas que são urgentes para a população, como a segurança pública.
"O governo Lula entra em uma vitória histórica, mas, do ponto de vista de governabilidade política, só que muito espremido sobre uma série de contextos."
Na visão do especialista, é difícil prever o futuro da relação do Brasil com os EUA, com Lula reeleito após uma forte pressão de Washington no pleito brasileiro em favor de Flávio. Ele avalia que o presidente estadunidense, Donald Trump, é uma figura difícil de ler, por ser um dos líderes mais imprevisíveis do cenário internacional.
"Ninguém se surpreenderia se ele tivesse um discurso parabenizando o presidente Lula, dizendo que torceu muito pelo presidente Lula, como ele teve movimentos erráticos nesse processo todo em que ele esteve com Lula, disse que adorou Lula, que o Lula é um amigo dele, pessoa maravilhosa, aí depois vai e ataca o Lula de novo."
Porém, ele afirma que o Brasil certamente vai sofrer pressão, citando como exemplo as terras raras, que já vinham sendo alvo de cobiça, sobretudo após Flávio prometer que os recursos seriam a salvação dos EUA contra a dependência da China.
"As pressões serão grandes para Lula. E nos últimos tempos ele não tem demonstrado uma inclinação muito grande de enfrentamento a Trump. Há alguma ou outra retórica, mas a natureza política de Lula é de um político de composição, não de enfrentamento. [....] É difícil esperar que agora, no que parece ser seu último mandato, ele vai mudar seu jeito de governar."
Arenari considera que o tema da soberania foi decisivo em alguns momentos do
governo Lula, e a resposta forte do presidente reeleito refletiu positivamente em sua popularidade.
"É um sinal de que a ideia de uma dignidade, de soberania nacional está na cabeça dos brasileiros e precisa ser mais falada", afirma.
Gabriel Guimarães, cientista político pela FGV, mestre e doutorando pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), considera que o anti-bolsonarismo teve um papel mais decisivo que a soberania no resultado das eleições.
Ele diz que, embora a soberania seja um tema importante para alguns eleitores, a incerteza em relação a um governo Flávio, associada a investimentos importantes que Lula fez nos últimos meses das eleições, fizeram a diferença.
"Não sei se o eleitor, de forma geral, do Nordeste, o eleitor que tem realidades materiais mais precárias, racionaliza nesse ponto de vista da soberania internacional. Agora, sem sombra de dúvidas, esse foi um tema marcante nesse processo eleitoral, mas entendo que essa é uma vitória do anti-bolsonarismo", afirma.
Guimarães acrescenta que considera difícil que duas derrotas consecutivas possam reduzir a força do bolsonarismo, que ele diz que continuará relevante no cenário político do país. Porém, ele diz que alguns membros da direita moderada precisam refletir e repensar sobre o próprio futuro político.
"Nomes como Tarcísio de Freitas, como Raquel Lira, que são mais de centro-direita, precisam refletir qual será o futuro desse campo político daqui para a frente."
Para Guimarães, com a vitória neste domingo, ganhou uma nova chance de decidir que governo ele quer fazer, compondo com forças de uma direita democrática, não bolsonarista, como poderia ter feito em 2022.
"Eu acho que o país deu ao presidente uma nova oportunidade de compor com forças de centro-direita, que são forças democráticas, que durante muito tempo fizeram oposição aos governos do PT, mas que fizeram uma escolha de não abraçar o bolsonarismo."
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