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Gastos bilionários com OTAN e Ucrânia alimentam onda de protestos que varre Europa, avaliam analistas
Gastos bilionários com OTAN e Ucrânia alimentam onda de protestos que varre Europa, avaliam analistas
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Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, especialistas afirmam que a manutenção dos pacotes bilionários à Ucrânia e os impactos econômicos causados pela falta... 05.11.2026, Sputnik Brasil
2026-11-05T16:35-0300
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Protestos impulsionados pela alta no custo de vida, crise habitacional, precarização dos serviços públicos e falta de perspectiva em relação ao futuro tomaram a Europa nas últimas semanas. Iniciados na França, eles ganharam adeptos em outros países do continente encurralando lideranças locais.Recentemente, o representante especial do presidente russo para o investimento e cooperação econômica com países estrangeiros, Kirill Dmitriev, afirmou que a Europa explode hoje por conta da decisão de seus líderes de seguir a agenda do ex-presidente estadunidense Joe Biden de pressão contra Moscou e por promoverem a ruptura irresponsável com o gás russo que abastecia o continente. O cenário europeu se agravou ainda mais com a crise no estreito de Ormuz, iniciada após os EUA lançarem guerra contra o Irã.Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, Rodrigo Barros de Albuquerque, coordenador do Centro de Estudos sobre a União Europeia na Universidade Federal de Sergipe (Ceuro/UFS), explica que a perda do poder de compra que afeta a Europa reflete o aumento dos combustíveis, que tem repercussão imediata em vários produtos, porque afeta toda a cadeia global de logística.Há, ainda, outros fatores que contribuem para o aumento no custo de vida na Europa, como o turismo em massa e o avanço do Airbnb, por exemplo, que torna os aluguéis insustentáveis e, no caso da Itália, protestos de agricultores e caminhoneiros no Sul por protestos relacionados ao aumento do diesel.A desconfiança em relação às capacidades dos governos de responder às demandas da população também alimenta os protestos, conforme aponta o professor de relações internacionais na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) Rafael Miranda, onde é codiretor do Centro de Excelência Jean Monnet em Empresas e Direitos Humanos, financiado pela União Europeia (UE).Ao podcast, ele detalha que, mesmo quando os índices inflacionários diminuem, isso não significa redução dos preços — apenas que a taxa pela qual aumentam fica mais lenta. Ou seja, os preços não retornam aos patamares anteriores e uma família continua a pagar mais caro por alimentação, energia, transporte e moradia."Acredito que existe também uma dimensão ainda mais profunda dentro desse cenário de conexão entre essas diferentes realidades, que é a percepção de ruptura de uma espécie de compromisso social que caracteriza boa parte da experiência europeia do pós-guerra."Uma das consequências de manifestações como as observadas na Europa costuma ser o fortalecimento de movimentos reacionários, o que influencia as respostas eleitorais, uma vez que há a percepção de que a democracia é capaz de melhorar as condições materiais de vida da população."A insegurança econômica não produz automaticamente posições extremistas, mas quando a gente combina com desconfiança institucional, sentimento de perda de reconhecimento social, ausência de alternativas políticas também convincentes dentro do cenário europeu, isso pode criar situações favoráveis para o fortalecimento de discursos autoritários e nacionalistas."Miranda considera que não basta que uma economia cresça ou que o Estado seja seguro, é necessário que a população perceba que ela possui condições materiais, oportunidades, perspectivas para construir o seu futuro.
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Gastos bilionários com OTAN e Ucrânia alimentam onda de protestos que varre Europa, avaliam analistas
16:35 05.11.2026 (atualizado: 17:27 05.11.2026) Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, especialistas afirmam que a manutenção dos pacotes bilionários à Ucrânia e os impactos econômicos causados pela falta do gás russo representam um "tapa na cara" do cidadão europeu que sofre com a alta no custo de vida.
Protestos impulsionados pela alta no custo de vida, crise habitacional, precarização dos serviços públicos e falta de perspectiva em relação ao futuro tomaram a Europa nas últimas semanas. Iniciados na França, eles ganharam adeptos em outros países do continente encurralando lideranças locais.
Recentemente, o representante especial do presidente russo para o investimento e cooperação econômica com países estrangeiros, Kirill Dmitriev, afirmou que
a Europa explode hoje por conta da decisão de seus líderes de seguir a agenda do ex-presidente estadunidense Joe Biden de
pressão contra Moscou e por promoverem a ruptura irresponsável com o gás russo que abastecia o continente. O cenário europeu se agravou ainda mais com a crise no estreito de Ormuz, iniciada após os EUA lançarem guerra contra o Irã.
Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, Rodrigo Barros de Albuquerque, coordenador do Centro de Estudos sobre a União Europeia na Universidade Federal de Sergipe (Ceuro/UFS), explica que a perda do poder de compra que afeta a Europa reflete o aumento dos combustíveis, que tem repercussão imediata em vários produtos, porque afeta toda a cadeia global de logística.
"Quando a população percebe que o seu custo de vida ficou mais difícil, que os serviços antes ofertados agora estão em menor qualidade e ainda assim há algum tipo de aumento nos gastos militares, não tem como você não associar uma coisa à outra."
Há, ainda, outros fatores que contribuem para o aumento no custo de vida na Europa, como o turismo em massa e o avanço do Airbnb, por exemplo, que torna os aluguéis insustentáveis e, no caso da Itália, protestos de agricultores e caminhoneiros no Sul por protestos relacionados ao aumento do diesel.
"A população percebe a perda de capacidade de compra, perda de poder de compra, e vê que o país está anunciando novos pacotes bilionários, porque há previsão de um pacote de ajuda à Ucrânia já aprovado na União Europeia […]. Para o cidadão comum, isso é um 'tapa na cara'", avalia.
A desconfiança em relação às capacidades dos governos de responder às demandas da população também alimenta os protestos, conforme aponta o professor de relações internacionais na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) Rafael Miranda, onde é codiretor do Centro de Excelência Jean Monnet em Empresas e Direitos Humanos, financiado pela União Europeia (UE).
"Existe esse sentimento compartilhado entre esses países de que as condições de vida estão se tornando cada vez mais difíceis e de que as instituições políticas também não estão oferecendo respostas satisfatórias."
Ao podcast, ele detalha que, mesmo quando os índices inflacionários diminuem, isso não significa redução dos preços — apenas que a taxa pela qual aumentam fica mais lenta. Ou seja, os preços não retornam aos patamares anteriores e uma família continua a pagar mais caro por alimentação, energia, transporte e moradia.
"Acredito que existe também uma dimensão ainda mais profunda dentro desse cenário de conexão entre essas diferentes realidades, que é a percepção de ruptura de uma espécie de compromisso social que caracteriza boa parte da experiência europeia do pós-guerra."
Uma das consequências de manifestações como as
observadas na Europa costuma ser o fortalecimento de movimentos reacionários, o que influencia as respostas eleitorais, uma vez que há a percepção de que a democracia é capaz de melhorar as condições materiais de vida da população.
"A insegurança econômica não produz automaticamente posições extremistas, mas quando a gente combina com desconfiança institucional, sentimento de perda de reconhecimento social, ausência de alternativas políticas também convincentes dentro do cenário europeu, isso pode criar situações favoráveis para o fortalecimento de discursos autoritários e nacionalistas."
Miranda considera que não basta que uma economia cresça ou que o Estado seja seguro, é necessário que a população perceba que ela possui condições materiais, oportunidades, perspectivas para construir o seu futuro.
"Quando essa expectativa começa a desaparecer, a insatisfação também deixa de ser exclusivamente econômica e ela passa a ser um desafio político para a própria democracia. Eu acho que é isso que a gente tem observado no contexto europeu."
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