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Esquadrão inédito de drones da Marinha reforça liderança regional do Brasil, diz analista

A Marinha do Brasil ativou sua primeira divisão de drones com foco no auxílio de operações militares; atividades serão na proteção de áreas estratégicas e combate ao crime organizado.
Sputnik
No mês passado, a Marinha do Brasil deu um passo importante para a defesa brasileira ao ativar seu primeiro esquadrão de drones, o Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque no Batalhão de Combate Aéreo, situado no Complexo Naval da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro (RJ), sob responsabilidade dos Corpo de Fuzileiros Navais.
A aplicação de drones para defesa do território nacional é imprescindível visto o tamanho do território brasileiro. Além de 16 mil km² de fronteira com outros países da América do Sul, o Brasil possui uma costa litorânea de 7,5 mil km.
Ao adotar drones de forma estruturada, a força naval amplia sua capacidade de resposta em situações como proteção de áreas estratégicas, combate a atividades ilegais e apoio a operações de segurança.
O uso desses equipamentos também reduz custos operacionais e aumenta a rapidez na tomada de decisões, já que informações chegam com mais agilidade aos centros de comando. A iniciativa marca a entrada definitiva dessas tecnologias no planejamento estratégico das Forças Armadas, acompanhando uma tendência já consolidada em conflitos e missões militares ao redor do mundo.
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A princípio, o impacto dessas ferramentas será limitado, explica Paulo Henrique Montini dos Santos Ribeiro, doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Campina Grande e pesquisador do Grupo de Pesquisa Estatística Aplicada e Computacional do Departamento de Estatística da Universidade Estadual da Paraíba, à Sputnik Brasil.
O motivo para isso é que, como o país não está envolvido diretamente em conflitos há muitos anos, há um atraso no uso dessa tecnologia quando comparado ao cenário militar mundial, explica o pesquisador, membro do grupo Sociabilidades e Conflitos Contemporâneos (Sociatos).

"E é a possibilidade de um conflito dentro da América do Sul que parece ter movimentado um pouco mais a política de defesa no Brasil."

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Dessa forma, a adoção de drones pela Marinha e, subsequentemente, pelas demais forças, é "urgente e imprescendível", uma vez que resultará no aprimoramento do efeito dissuasório do Brasil, especialmente em áreas estratégicas como a Amazônia Azul.
A capacidade de vigilância contínua, com compartilhamento de informações entre Marinha, Força Aérea e Exército, aumenta o controle do território e a rapidez de resposta a eventuais ameaças. "Quando você mostra que está vendo tudo e que pode reagir de forma coordenada, o custo para qualquer ator hostil aumenta", reflete.
No entanto, ele ressalta que a tecnologia, sozinha, não resolve o problema. Sem interoperabilidade entre as Forças, o uso de drones tende a ficar fragmentado e perder parte de seu impacto estratégico. "Ter meios modernos sem integração limita muito o potencial da defesa. Em um cenário de crise, isso pode fazer toda a diferença". conclui.
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O uso e a integração de drones entre os diferentes braços das FAs é um elemento essencial das operações multidomínio, diz o pesquisador. Nelas, os meios militares atuam de forma coordenada nos ambientes terrestre, marítimo, aéreo, cibernético e espacial.

"Quando esses dispositivos são empregados, lançados de terra ou em navios, funcionam como multiplicadores de força, ampliando significativamente a área de monitoramento sem a necessidade de expandir proporcionalmente a frota."

Para ele, o desenvolvimento de doutrina interoperável e capacitação técnica desde já reduz assimetrias tecnológicas e eleva o grau de prontidão do país frente a ameaças futuras. "A incorporação desses sistemas aumenta a credibilidade estratégica do país e reforça sua liderança regional, ao demonstrar adaptação tecnológica e maior eficiência no emprego do poder militar."
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