Panorama internacional

Ações de Washington na Venezuela vão deixar América Latina mais dividida?

A operação dos EUA na Venezuela e apreensão do presidente do país, Nicolás Maduro, aumentarão as divergências ideológicas entre os líderes da região, disse à Sputnik Kurt Weyland, professor da Universidade do Texas, em Austin.
Sputnik
De acordo com a opinião do analista político, a situação ambígua na Venezuela que surgiu após o ataque das Forças Armadas norte-americanas em Caracas fará com que os líderes de outros países da região tomem diferentes posições quanto ao acontecido e percam a unidade política e ideológica.

"Em geral, a situação na Venezuela aumentará a polarização ideológica entre os líderes da América Latina", disse Weyland.

O especialista observou que os presidentes latino-americanos de esquerda ficarão muito preocupados com o que aconteceu na capital venezuelana, já a reação de líderes como o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, variará.

"Lula, de acordo com a diplomacia cautelosa do Brasil, não vai querer provocar um conflito aberto com Trump, uma vez que recentemente conseguiu que Trump abrisse mão de tarifas punitivas e caras. Petro na Colômbia, por outro lado, pode muito bem buscar polarização e retórica dura antes das eleições na Colômbia", disse Weyland.

No que se refere ao poder na própria Venezuela, o especialista norte-americano afirmou que a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, provavelmente, pode ser forçada a prometer cooperar com Trump e dar alguns passos nessa direção, incluindo possivelmente dar aos EUA mais acesso ao petróleo venezuelano.
Além disso, na opinião do professor, o governo interino da Venezuela atual tentará ganhar tempo balançando a cabeça para a posição de Trump a fim de que a atenção do chefe da Casa Branca mude da Venezuela para outras questões, e então seja possível voltar ao antigo estilo de governo.
Ao mesmo tempo, o especialista observou que os partidários do falecido presidente da Venezuela, Hugo Chávez, cujo sucessor é o presidente capturado pelos EUA, Nicolás Maduro, poderão, provavelmente, aceitar o estado atual das coisas.

"Os chavistas na Venezuela provavelmente realizarão alguns protestos simbólicos contra a destituição de Maduro - para 'marcar posição' e demonstrar teatralmente seu compromisso com sua causa. No final, se minha análise estiver correta, eles serão capazes de aceitar a situação atual", afirmou Kurt Weyland.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia expressou solidariedade ao povo venezuelano, pediu para libertar Maduro e sua esposa, bem como para evitar uma nova escalada da situação.
Pequim seguiu Moscou ao pedir a libertação imediata de Maduro e sua esposa, enfatizando que as ações dos EUA violam o direito internacional. O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte também criticou as ações dos Estados Unidos na Venezuela.
O representante permanente da Rússia na Organização das Nações Unidas (ONU), Vasily Nebenzya, classificou, na segunda-feira (5), a apreensão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, como um ato de banditismo, afirmando que não pode haver qualquer justificativa para o crime cometido de forma cínica pelos EUA em Caracas.
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