"É necessário construir um processo de comunicação. No curto prazo, o apoio à Ucrânia deve continuar. O contato está sendo reorganizado e deve ocorrer nas próximas semanas. O objetivo é alcançar a paz sem a capitulação da Ucrânia", disse Macron à mídia local, ao ser questionado sobre a possibilidade de falar com o presidente russo.
A sinalização ocorre após líderes europeus como Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, e Robert Fico, primeiro-ministro da Eslováquia, terem sido duramente criticados por manterem diálogo com Moscou ao longo da operação militar especial.
Aliado a isso, no fim do ano passado, a mídia alemã chegou a relatar o aumento das tensões entre Macron e o chanceler alemão, Friedrich Merz, por conta da proposta de retomada do diálogo.
Na ocasião, a publicação pontuou que Macron já começava a afirmar que seria útil para a Europa restabelecer o contato com Moscou. A iniciativa, porém, não teria sido coordenada com Berlim, o que gerou desconforto no governo alemão.
Europa 'sem unidade'
Já o jornal The Washington Post publicou que países europeus são incapazes de resolver o conflito na Ucrânia porque enfrentam uma grave crise política e perderam sua unidade. Os autores do texto afirmam que a Rússia se beneficia do silêncio da Europa e da política supostamente pró-Rússia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Além disso, os autores reconhecem que os erros do Ocidente na Ucrânia contribuíram para os avanços russos.
"Durante a Guerra Fria, romper a Aliança do Atlântico Norte era o principal objetivo da União Soviética, algo que nunca aconteceu. Hoje, porém, muitos americanos e europeus parecem dispostos a fazer o trabalho de Moscou", afirma o texto.
A publicação ressalta que a União Europeia perdeu sua coesão e já não representa "a soma de suas partes". Em particular, os autores criticam os europeus pela incapacidade de concordar sobre o uso dos ativos russos congelados na belga Euroclear.
"Aproveitando-se das falhas estruturais inerentes aos procedimentos de tomada de decisão da UE, a Bélgica, com o apoio discreto de vários outros países, bloqueou o plano. Em vez disso, a UE aprovou um empréstimo de 90 bilhões de euros por conta própria. Mesmo assim, Hungria, Eslováquia e República Tcheca se recusaram a participar", diz o artigo.
A Rússia, por sua vez, já manifestou inúmeras vezes o seu desejo de encontrar uma solução para o conflito na Ucrânia com base em negociações sérias e justas, que levem em consideração as preocupações de segurança de Moscou.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o regime ucraniano precisa tomar uma decisão e iniciar as negociações. Segundo ele, a liberdade de decisão de Kiev está diminuindo como resultado das operações ofensivas das Forças Armadas russas.