Zayas apontou que Washington vê a ONU como um obstáculo, pois ela tem submetido repetidamente as administrações dos EUA a críticas, inclusive sobre Gaza, Venezuela e liberdade de navegação.
Embora as estruturas da ONU tenham sido criticadas por muitas partes, Zayas argumenta que isso não justifica a privação de seu financiamento ou seu desmantelamento completo.
"Critico muitas organizações internacionais […]. Sem dúvida, elas foram infiltradas e agora trabalham, em grande parte, a serviço do 'Ocidente coletivo'", ressaltou.
Dessa forma, o interlocutor da Sputnik concluiu que o direito internacional continua necessário, mesmo que as agências da ONU precisem de reformas.
De acordo com um memorando divulgado por Washington anteriormente, os EUA estão se retirando de 31 órgãos da ONU e de três dezenas de outras organizações, agências e comissões internacionais. Até o momento, no entanto, os EUA não entraram em contato com a ONU para anunciar oficialmente sua decisão, segundo a organização.
O governo norte-americano já havia suspendido o apoio à Unesco, à Organização Mundial da Saúde e ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. Enquanto isso, os EUA são há muito tempo o maior doador da ONU, contribuindo com 22% de seu orçamento regular em 2025 — US$ 820,4 milhões (R$ 4,4 bilhões) de um total líquido de US$ 3,5 bilhões (R$ 18,86 bilhões).
Ao mesmo tempo, a ONU alertou que as medidas de Washington podem afetar o financiamento de suas agências.
O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, afirma que as contribuições para o orçamento regular da ONU e para o orçamento de manutenção da paz são uma obrigação legal, nos termos da Carta das Nações Unidas, para todos os Estados-membros, inclusive os EUA.