De acordo com a Agência Espacial Brasileira (AEB), a tecnologia representa um avanço para a soberania tecnológica brasileira na área espacial ao demonstrar a capacidade nacional de conceber e fabricar componentes críticos para missões espaciais.
O projeto é resultado de parcerias nacionais e internacionais e é considerado estratégico para o fortalecimento da tecnologia espacial brasileira. A iniciativa surgiu no contexto do projeto SARA — Satélite de Reentrada Atmosférica, liderado pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), com apoio e financiamento da AEB.
O satélite exigia um sistema de propulsão capaz de retirá-lo da órbita e redirecioná-lo à Terra ao final da missão.
De acordo com o professor Olexiy Shynkarenko, coordenador do Laboratório de Propulsão Química da Universidade de Brasília (LPQ) da Faculdade de Ciências e Tecnologias em Engenharia (FCTE), a falta de modelos consolidados no país obrigou a equipe a criar metodologias próprias para conceber um motor leve, compacto e apto a operar em ambientes extremos:
"Atuamos em uma área ainda pouco explorada no país. Não havia um histórico consolidado de motores fabricados por manufatura aditiva metálica que servisse como base direta. Isso exigiu o desenvolvimento de soluções próprias, conciliando os princípios clássicos de propulsão com as particularidades do processo de fabricação e as limitações de materiais, geometria e instrumentação", disse ele na divulgação do foguete.
A peça foi fabricada por meio de impressão 3D metálica no Instituto SENAI de Inovação em Sistemas de Manufatura e Processamento a Laser, em Joinville (SC).
"Com essa tecnologia, foi possível substituir um conjunto composto por dezenas de peças por uma única peça monolítica, produzida em dias, e não em meses", explica.
Com mais de 20 anos de experiência em pesquisas em propulsão espacial, a UnB vem desenvolvendo, desde 1999, motores-foguete híbridos e a nova invenção é resultado de mais de dez anos de pesquisa.
De acordo com a instituição, os primeiros estudos utilizaram oxigênio gasoso como oxidante e polietileno de alta densidade como combustível, em configurações com múltiplas portas de combustão.
Em 2004, foram feitos os primeiros lançamentos de foguetes com o par propelente óxido nitroso e parafina sólida. No ano seguinte, a UnB foi selecionada para aplicação dessa tecnologia pelo Programa UNIESPAÇO, parceria firmada desde 1997 entre a AEB e instituições de ensino, com foco no desenvolvimento tecnológico e na formação de recursos humanos para o setor espacial.
Os pesquisadores passaram a receber recursos de diferentes agências de fomento e hoje contam com o laboratório de testes de propulsores híbridos mais estruturado do Brasil.
Sobre a AEB e o Programa UNIESPAÇO
Autarquia pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Agência Espacial Brasileira (AEB) foi criada em 1994 e é responsável por formular, coordenar e executar a Política Espacial Brasileira.
Em 1997, a agência criou o programa UNIESPAÇO, um dos principais instrumentos de articulação entre o setor espacial e as universidades brasileiras, que reúne dezenas de projetos com a participação das principais universidades federais e institutos do país.
Entre os temas contemplados estão computadores de bordo para aplicação espacial, nanotubos de carbono e proteções térmicas para altas temperaturas, soluções de navegação espacial.