A assinatura ocorreu durante uma cúpula ministerial sobre minerais críticos convocada pelo governo do presidente Donald Trump, no Departamento de Estado norte-americano. O encontro se estendeu ao longo de todo o dia e reuniu autoridades de alto escalão dos EUA, como o secretário de Estado Marco Rubio, o vice-presidente JD Vance, o diretor sênior de gestão da cadeia de suprimentos, David Coplay, e o secretário adjunto de Estado para Assuntos Econômicos, Jacob Helberg.
A Argentina foi representada pelo ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, que, em nota, informou que o acordo busca fortalecer e diversificar as cadeias de valor, criar ambiente favorável à entrada de investimentos produtivos de longo prazo e responder ao aumento da demanda global por minerais utilizados em tecnologias avançadas.
O governo argentino informou ainda que no ano passado as exportações da mineração atingiram o recorde de US$ 6,037 bilhões (R$ 32 bilhões), alta anual próxima de 30%, impulsionadas pelo Regime Integrado de Mineração (RIGI).
Segundo o ministério, a mineração, em especial de minerais críticos como lítio e cobre, se tornou setor central para a ampliação das exportações, a geração de divisas e a criação de empregos qualificados.
O encontro reuniu representantes de 55 países, dentre eles México e Japão, além da União Europeia. Os EUA propõem expandir a produção e diversificar as cadeias de suprimento por meio de novos investimentos e marcos de cooperação.
"Queremos que os membros formem um bloco comercial entre aliados e parceiros, que assegure o acesso dos EUA aos recursos necessários para seu poder industrial", afirmou JD Vance durante uma reunião ministerial realizada pelo Departamento de Estado.
Segundo Vance, os países participantes terão acesso a financiamento privado e a fornecimento seguro desses insumos em situações de emergência ou contingência. Antes da assinatura, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que a Argentina terá papel relevante no setor.
Apesar de Brasil e Estados Unidos ainda não terem firmado um acordo governamental sobre minerais críticos, duas mineradoras com projetos avançados de terras raras em Goiás — Serra Verde e Aclara — já garantiram financiamentos do banco estatal americano DFC, abrindo caminho para que os EUA tenham prioridade no acesso à produção brasileira.
A mineradora já ajustou contratos com clientes chineses para permitir o envio de material a compradores ocidentais. Hoje, apenas refinarias na China e na Malásia conseguem separar os elementos de terras raras, mas os EUA têm investido bilhões para desenvolver sua própria capacidade industrial para poder competir com Pequim.