Segundo ela, os entendimentos entre os dois países já resultam em projetos em execução e novas iniciativas em preparação, especialmente no âmbito do Sul Global.
A ministra
mencionou o encontro no Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) entre o vice-presidente brasileiro,
Geraldo Alckmin (PSB), e o premiê russo,
Mikhail Mishustin, e disse que a relação dos brasileiros com os russos é "longeva".
Santos detalhou que a cooperação científica inclui chamadas públicas conjuntas, redes de pesquisa e projetos universitários envolvendo instituições brasileiras e russas, além de
parcerias nas áreas espacial e nuclear.
Segundo ela, o Brasil busca reduzir dependências externas e ampliar sua autonomia tecnológica, inclusive com o apoio de outras nações do BRICS. Ela mencionou a parceria de universidades russas com a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) e com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para pesquisas na Amazônia.
Outra parceria destacada é na área espacial, com a agência Roscosmos, e nuclear,
com a Rosatom.
"Nós estamos construindo o nosso RMB, o nosso reator multipropósito para nos tornar autônomos na área de radioisótopos e até sermos exportadores de radioisótopos. Mas essa cooperação é muito importante para que também a gente aprenda mais, a ter autonomia e soberania na produção desses radioisótopos."
A ministra ressaltou que a articulação do Brasil no Sul Global inclui Rússia, China e Índia, com projetos em cabos submarinos que vão passar por países do Sul Global, além de satélites, inteligência artificial, segurança cibernética, semicondutores e plataformas digitais próprias.
Segundo ela, a estratégia visa soberania, redução de vulnerabilidades externas e democratização da comunicação.
Ela mencionou também uma
dependência de big techs e da tecnologia Starlink, que o Brasil tem arquitetado como produzir suas próprias tecnologias, mas que é preciso investir em infraestrutura,
"seja de satélite de comunicação, seja de Internet de uma maneira geral, mas também de plataformas que deem mais segurança"."Nossa articulação no Sul Global é algo que nós perseguimos com muita determinação, claro, sem deixar de fazer as relações internacionais de cooperação com todos os países do mundo. O Brasil é um país aberto, da paz."
Outro ponto abordado na entrevista, de acordo com a ministra, é que a empresa gaúcha Ceitec "está mudando sua rota tecnológica, com foco no uso de carbeto de silício", para produzir semicondutores para veículos.
Ela informou que já foram destinados R$ 220 milhões para a aquisição de uma nova planta industrial e que o governo trabalha para resolver gargalos orçamentários decorrentes do fato de a estatal ser dependente do Tesouro.