No seu artigo para o Brasil 247, a professora defende que, com o aumento da importância das terras raras na economia moderna, o Brasil deve agir como protagonista em igualdade com outras potências mundiais.
Falcão Silva explicou que, no século XX, o fator decisivo na luta global foi o petróleo, enquanto hoje os minerais estratégicos como lítio, níquel, cobalto e grafite estão se tornando cada vez mais importantes.
"Sem esses insumos não há baterias, semicondutores, inteligência artificial, armamentos sofisticados nem transição energética. Não há, portanto, soberania tecnológica", afirmou Falcão Silva.
Atualmente, o Brasil tem aproximadamente 21 milhões de toneladas, o equivalente a cerca de um quarto das reservas globais. A China ocupa o primeiro lugar, possuindo cerca de 44 milhões de toneladas — aproximadamente metade do total mundial.
"Já os Estados Unidos aparecem muito atrás, com algo em torno de 1,9 milhão de toneladas, atrás inclusive da Índia e da Austrália", ressaltou.
Na opinião da especialista, esses dados revelam que no futuro próximo a liderança global será mais distribuída, e, ao mesmo tempo, levanta uma questão: por que o Brasil, com tantas reservas, ainda não é uma potência mineral-industrial?
"Poucos países estão tão bem posicionados quanto o Brasil nesta nova geoeconomia. Ser o segundo maior detentor de reservas muda nossa densidade estratégica", destacou.
Ao mesmo tempo, a especialista apontou para um problema: embora o Brasil tenha os recursos minerais, ainda não domina plenamente a capacidade de transformá-los e por isso permanece dependente das tecnologias estrangeiras, inclusive das chinesas.
"Minerais críticos não podem ser tratados como tratamos commodities tradicionais. O horizonte estratégico deve ser outro: refinar no Brasil, industrializar no Brasil, agregar valor no Brasil", disse.
Além disso, Falcão Silva afirmou que o país deve desenvolver a extração e transformação de metais de terras raras independentemente de outros atores mundiais e só contar com seus próprios esforços.
Por exemplo, ela disse que aderir ao clube mineral fechado que o presidente norte-americano, Donald Trump, tenta promover hoje não é necessário para a estratégia própria do Brasil.
Em vez disso, deve-se desenvolver laços de parceria com outros países produtores de recursos estratégicos e evitar padrões de subordinação.
A especialista concluiu dizendo que metais de terras raras brasileiros guardam uma possibilidade histórica de reposicionamento internacional.