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Mídia: exploração de petróleo no Brasil vive década estagnada e segue travada por licenças ambientais

A combinação entre preços internacionais mais baixos e entraves ambientais travou a abertura de novas fronteiras exploratórias no Brasil, que encerrou 2025 com a pior década em busca de novas reservas e sem perspectiva de retomada rápida, mesmo diante do risco de declínio futuro do pré-sal.
Sputnik
O Brasil encerrou 2025 com a confirmação de uma década de estagnação na abertura de novas fronteiras exploratórias de petróleo. A combinação entre preços internacionais mais baixos e entraves no licenciamento ambiental travou o avanço de projetos em bacias ainda pouco conhecidas, apesar dos esforços do governo para ofertar novas áreas. A expectativa dominante no setor é de que o ritmo lento persista, sobretudo diante da perspectiva de um petróleo barato nos próximos anos.
A exploração, etapa inicial para confirmar a existência de petróleo no subsolo, depende de pesquisas sísmicas e da perfuração de poços — processos caros, longos e sujeitos a autorizações ambientais complexas. O caso da Foz do Amazonas, onde a Petrobras perfura após um licenciamento conturbado, tornou-se emblemático das dificuldades. Segundo a Folha de S.Paulo, dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a atividade não se recuperou desde a crise de 2014, quando o barril despencou para US$ 40 (R$ 208,86) e atingiu níveis mínimos históricos em 2024 e 2025.
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No auge do pré-sal, o país chegou a perfurar mais de 100 poços por ano, mas esse dinamismo desapareceu. Em 2025, foram apenas 19 poços exploratórios — dez deles no mar — número muito distante do recorde de 2011, quando 150 poços marítimos foram perfurados. A última década registrou apenas 63 poços offshore, menos do que o total de um único ano no período de expansão.

Para analistas do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep), ouvidos pela Folha, a queda deixou de acompanhar a lógica dos preços e passou a refletir uma mudança estrutural na alocação de capital das petroleiras.

A Petrobras, principal agente exploratório do país, redirecionou esforços para desenvolver as reservas já descobertas no pré-sal, consolidando o Brasil como grande exportador. A estratégia tem ampliado reservas conhecidas — em 2025, a estatal descobriu 1,7 barril para cada barril produzido — mas não compensou a falta de novas fronteiras. A ANP destaca que apenas três bacias marítimas tiveram descobertas relevantes recentemente: Santos, Campos e Sergipe-Alagoas.
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Mesmo com críticas ambientais, governos sucessivos defenderam a necessidade de ampliar a exploração para compensar o declínio futuro do pré-sal. Leilões recentes elevaram o número de contratos exploratórios a um recorde de 420 em 2024, mas os investimentos seguem tímidos. As previsões da ANP indicam apenas 19 poços em 2026, sete em 2027 e oito em 2028, números sujeitos à evolução das pesquisas sísmicas e ao destravamento de licenças.
A própria Petrobras reduziu sua meta de poços exploratórios para os próximos cinco anos, de 51 para 40, e cortou o orçamento destinado à busca de novas reservas.
As apostas do setor concentram-se na margem equatorial e na bacia de Pelotas, ambas em estágio inicial. A Petrobras só deve concluir a análise sísmica de Pelotas em 2028, quando decidirá se há alvos para perfuração.
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