O secretário‑geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês), Kao Kim Hourn, destacou durante a Conferência de Segurança de Munique que a rivalidade entre EUA e China, ambos com presença naval ampliada no mar do Sul da China, pressiona ainda mais uma região já marcada por disputas territoriais envolvendo Pequim, Filipinas, Vietnã, Malásia e Brunei.
As tensões se intensificaram com operações conjuntas entre EUA e Filipinas, condenadas pela China como desestabilizadoras. De acordo com o South China Morning Post, em Munique, o ministro da Defesa de Cingapura, Chan Chun Sing, alertou que Estados frágeis podem virar peões no jogo geopolítico das grandes potências, embora rejeite a ideia de um confronto de soma zero entre Washington e Pequim.
Chan afirmou que ambos têm interesse comum na segurança das rotas marítimas e defendeu normas internacionais alinhadas ao direito marítimo da ONU. A ASEAN espera concluir ainda neste ano o Código de Conduta para o mar do Sul da China, em negociação há duas décadas, apesar das divergências sobre sua abrangência e caráter vinculante.
15 de dezembro 2025, 10:27
Além da disputa marítima, a região enfrenta os efeitos da guerra tarifária entre EUA e China. O ex‑embaixador indonésio Dino Patti Djalal disse que persiste forte incerteza sobre as políticas do presidente Donald Trump, mesmo após a trégua comercial, e classificou as negociações tarifárias com Washington como uma relação de "vassalagem".
A Indonésia, que enfrentou tarifas norte-americanas inicialmente anunciadas em até 32%, deve assinar um acordo de tarifas recíprocas durante visita de Estado a Washington. Outros países do Sudeste Asiático também negociaram reduções após ameaças de tarifas de até 49% sob a política do "Dia da Libertação".
Ainda de acordo com a mídia asiática, Djalal alertou que a competição intensa entre EUA e China tem levado países prejudicados por Washington a se aproximarem entre si, citando o BRICS como exemplo.