O dólar recuou 1,3% no ano e se aproxima da mínima em quatro anos, após já ter caído 9% em 2025. Uma pesquisa do Bank of America divulgada pelo Financial Times mostra que a exposição ao dólar caiu abaixo do nível registrado durante o choque tarifário de Trump no ano passado, atingindo o posicionamento mais negativo desde 2012.
O ambiente geopolítico e a pressão sobre instituições como a Reserva Federal (Fed) alimentam dúvidas sobre o dólar como porto seguro. Dados do CME Group indicam que apostas contra a moeda superam as favoráveis, revertendo a tendência do fim de 2025. Grandes gestoras afirmam que investidores institucionais buscam proteção contra nova desvalorização e reduzem exposição a ativos denominados em dólar.
As apostas em queda frente ao euro atingiram níveis vistos apenas durante a pandemia de COVID-19 e após anúncios tarifários recentes. Para a Vanguard, a volatilidade levou investidores a rever níveis historicamente baixos de hedge em ativos norte-americanos, contribuindo para o enfraquecimento da moeda. A JPMorgan Asset Management também ampliou posições vendidas, avaliando que cortes do Fed devem reduzir a vantagem das operações de arbitragem de juros.
A nomeação de Kevin Warsh para o Fed trouxe alívio inicial, mas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, pressionando o novo presidente do banco central, reacenderam temores sobre a independência da instituição. No entanto, ainda segundo a mídia britânica, analistas do Bank of America observam que a escolha não elevou a demanda por dólares nem restaurou o otimismo sobre ativos norte-americanos.
A crise diplomática envolvendo a Groenlândia e ameaças de tarifas contra aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) alimentaram expectativas de que investidores estrangeiros pudessem reduzir posições nos EUA. Gestores relatam aumento de fluxos de repatriação, com detentores de dólares convertendo recursos para moedas locais.
Medidas recentes de Washington, como apoio ao peso argentino e intervenções indiretas na taxa iene-dólar, reforçaram suspeitas de que o governo poderia aceitar — ou até estimular — um dólar mais fraco. Comentários de Trump celebrando a queda da moeda ampliaram a incerteza.