"O Brasil pratica a política externa que chamamos de pendular. Ou seja, há momentos em que estamos mais alinhados aos Estados Unidos, e momentos nos quais estamos mais distanciados. Mas, até mesmo em um governo que se diz de centro-esquerda, como o do presidente Lula, ainda assim sofre pressões diretas dos EUA", observou.
"Todo ano eleitoral influencia a ação de quem está no pleito, e nós já vimos que o presidente Lula vai concorrer à reeleição neste ano. Aqui no Brasil, existe essa pecha de 'vai para Cuba' [usada de forma pejorativa]. Apesar de sabermos que Cuba não tem uma representatividade forte no sistema internacional, ainda é vista como uma ameaça no imaginário brasileiro. Isso é totalmente resquício do golpe militar de 1964 e de toda a influência que os Estados Unidos exerceram aqui", complementou.
Política Externa Altiva e Ativa 2.0
"Quando a política externa altiva e ativa foi instituída, o cenário internacional não tinha um crescimento tão grande da extrema direita, estou falando da ultradireita, que beira o nazismo e o fascismo. Com isso, a política externa teve que se adaptar. Isso significa que, atualmente, no seu terceiro mandato, o presidente Lula tem praticado uma política de submissão aos Estados Unidos? Não, longe disso. Ele não pratica política de submissão, mas não adota posturas tão assertivas quanto as que adotou nos seus primeiros mandatos", comentou.
"Não existe espaço no cenário internacional para o Brasil agir como mediador. Vivemos uma era de extremos. Temos um presidente estadunidense muito extremado, que no seu primeiro mandato era muito de retórica e ninguém levava muito a sério quando ele falava de ações mais duras. Agora, já tomamos mais cuidado. Isso é muito diferente dos primeiros mandatos do presidente Lula, quando o multilateralismo tinha muita força, apesar de já haver questionamentos à ONU, mas não era como hoje, em que os EUA não consultam ninguém antes de agir", concluiu.