Notícias do Brasil

Exportação é essencial para a indústria de defesa, diz Alckmin ao citar Engesa, Avibras e Embraer

O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, (PSB), defendeu nesta segunda-feira (23) a retomada da indústria nacional com foco em exportação, como forma de ampliar a escala de produção.
Sputnik
Durante encontro com empresários na Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), o também vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mencionou a Embraer como exemplo de como escala e mercado externo são determinantes para a competitividade do setor, ao contrário, segundo ele de empresas como Avibras ou Engesa.

"Só a indústria e tecnologia, o que agrega de valor é uma coisa impressionante. Então, é fundamental a questão da retomada da indústria no país, se a gente quer passar de renda média para renda mais alta", afirmou.

Alckmin destacou que determinados segmentos industriais dependem do mercado externo para sobreviver. Ao mencionar o caso da Engesa, empresa de defesa que encerrou atividades nos anos 1990, afirmou.
"Você não tem como manter uma indústria de defesa só vendendo para o seu país. Não tem escala."
Por outro lado, apontou a Embraer como exemplo de sucesso baseado na internacionalização. "Por que a Embraer é esse sucesso? Porque vende nos cinco continentes", declarou, citando ainda acordo recente da fabricante brasileira com empresa indiana para ampliar vendas no mercado da Índia.
Ele também mencionou a Avibras ao falar das dificuldades enfrentadas por empresas do setor de defesa quando há restrições à exportação. "A Avibras, por que teve dificuldade de exportação?", questionou. "Determinados tipos de indústria, se você não exportar, não consegue ter escala para poder avançar ainda mais."

"Se não exportar, não tem viabilidade. Por que a Engesa, na minha região do Vale do Paraíba, fechou? Porque você não tem como manter uma indústria de defesa só vendendo por seu país. Não tem escala."

Notícias do Brasil
Alckmin considera tarifa global de 15% anunciada por Trump positiva para o Brasil

Indústria e geopolítica

Alckmin afirmou que a China é hoje o principal destino das exportações brasileiras. "O maior comprador do Brasil é a China. Segundo, a União Europeia; o terceiro, Estados Unidos", mas o perfil das compras varia entre os parceiros.
A China adquire principalmente commodities, como minério, soja ou carne, enquanto os Estados Unidos têm peso relevante na indústria de transformação. "Quem compra produto industrial — avião, máquina, motor, equipamento — são os Estados Unidos", afirmou.
O vice-presidente comentou ainda medidas tarifárias adotadas por Washington. Ele classificou como "problemão" a combinação de tarifas que incidiam sobre produtos brasileiros.
Apesar das tensões, o vice-presidente afirmou estar "muito otimista" quanto ao diálogo com os americanos.
Para Alckmin, o fortalecimento do comércio exterior e a redução do chamado "custo Brasil" — com medidas como o Portal Único de Comércio Exterior e acordos comerciais do Mercosul — são centrais para ampliar investimentos e recuperar a competitividade industrial. "Se a gente simplificar o máximo que puder em termos de custos e burocracia, ajuda muito uma indústria mais competitiva."
Notícias do Brasil
'Grande vitória': após 3 anos de paralisação, Avibras vê retomada das atividades no horizonte

Mercosul-UE

Alckmin afirmou que é preciso avançar nas negociações envolvendo a legislação comercial da União Europeia, mencionando que as investigações envolvem temas como desmatamento e pirataria.
Ele ressaltou que o desmatamento na Amazônia caiu 50% e defendeu o reforço no combate ao contrabando e à concorrência desleal, citando inclusive "um país vizinho" ao Brasil como um dos principais polos de produtos piratas.
Por fim, ele defendeu que o país avance também na chamada indústria verde, destacando biocombustíveis, energia eólica e solar e a produção de combustível sustentável de aviação (SAF). Segundo o vice-presidente, Brasil, Índia e Estados Unidos têm potencial nesse mercado.
"A indústria está supertributada. O Brasil já tem uma carga tributária elevada, 33%. Os nossos concorrentes: China, 22%; Índia, 20%; México, 18%", declarou.
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!

Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.

Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).

Comentar