Desde a invasão do Iraque em 2003 que Washington não mobilizava tanto poder de fogo, nem concentrava tanto poder aéreo no Oriente Médio, em uma preparação para possíveis ataques contra o Irã enquanto mantêm negociações diplomáticas. A mobilização inclui dois grupos de porta‑aviões, caças distribuídos entre bases da Jordânia e do Catar, submarinos e destróieres armados com Tomahawk, além de baterias Patriot e THAAD.
Essa força levou semanas para ser reunida. A operação começou no fim de janeiro e só estará completa em meados de março, evidenciando que, embora aviões se desloquem rapidamente, o grosso do poder aéreo depende de navios e estruturas conjuntas.
Para reforçar a presença, os EUA recorreram a uma combinação de meios navais, terrestres e aéreos, demonstrando que o poder aéreo vai muito além da Força Aérea.
Alguns analistas interpretam o aumento como sinal de que os EUA precisam de uma Força Aérea maior, mas um artigo de opinião do Defense News argumenta que isso é um diagnóstico equivocado. A missão de negação aérea, por exemplo, recai cada vez mais sobre o Exército, enquanto a guerra eletrônica é liderada pela Marinha, e a capacidade de ataque persistente depende de navios e submarinos.
No caso de uma retaliação iraniana, a defesa aérea seria um esforço conjunto. Patriot e THAAD do Exército, apoiados por destróieres da Marinha, seriam responsáveis por neutralizar mísseis e drones, enquanto caças da Força Aérea atuariam como camada intermediária. Isso contrasta com a visão tradicional da Força Aérea, centrada na superioridade aérea ofensiva.
O artigo destaca ainda que a guerra eletrônica reforça essa mudança. A plataforma mais avançada disponível é o EA‑18G Growler da Marinha, essencial para neutralizar radares iranianos. O F‑35 ainda não integra plenamente mísseis antirradiação, o que coloca a Marinha na liderança dessa função — uma área que já foi domínio da Força Aérea.
O texto argumenta que plataformas sofisticadas não garantem persistência, elemento crucial para efeitos estratégicos duradouros. Ataques pontuais, como o realizado por bombardeiros B‑2 no ano anterior, podem causar danos significativos, mas não produzem resultados estratégicos sustentáveis. Para isso, é necessária presença contínua e pressão prolongada.
As lacunas reveladas pela atual mobilização não estão na capacidade ofensiva da Força Aérea, mas na habilidade do Exército de manter negação aérea prolongada, nos estoques de munição e na frota de reabastecimento aéreo. Investir apenas em bombardeiros e caças de altíssimo custo não resolve esses problemas estruturais.
Washington precisa abandonar a ideia de que "poder aéreo" é sinônimo de "Força Aérea". O controle aéreo moderno depende de múltiplos ramos militares e de capacidades distribuídas. Enquanto o orçamento não refletir essa realidade, os EUA continuarão financiando a Força Aérea que desejam — e não o poder aéreo de que realmente precisam, conclui.