"O que está acontecendo é uma conscientização social. Se observarmos os episódios recentes, veremos que todos os golpes ocorreram após ondas de protestos, como em 2014 e 2022, quando houve forte mobilização interna. Nesse contexto, os militares assumem o poder com o argumento de restabelecer a ordem no Estado. No caso mais recente, que levou o atual presidente ao poder, a justificativa apresentada foi a de que ou os militares intervinham ou o radicalismo acabaria assumindo o controle em Burkina Faso", explica.
Reflexos da queda de Kadhafi na Líbia
'Arcabouço colonial francês no século XXI'
"A questão dos recursos, dos minérios, a questão da moeda e, em certa medida, as questões de infraestrutura, assim como o comércio internacional dos países africanos, são os pilares do neocolonialismo francês. Isso não foi uma opção dos países africanos, foi uma imposição da França para que fosse dada a independência. Então eles continuam controlando a segurança, continuam controlando a moeda, continuam controlando a exploração dos recursos e continuam controlando o próprio comércio internacional desses países", resume.