"A Rússia tem uma relação em ascensão com os países do Golfo, principalmente com os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, e já está inserida no Oriente Médio. Já a China superou os EUA como principal parceiro comercial em vários estados da região e também quer vender seus itens de defesa, assim como a Turquia, que desponta como uma alternativa", disse.
"Washington, ao priorizar Tel Aviv, se desgasta com seus parceiros locais, e já há descontentamento na política interna desses países, pois as bases militares que deveriam proteger seus territórios passaram a ser um problema, e não solução. Por conta do conflito, houve uma insurreição no Bahrein, e os EUA, que mantêm a 5ª Frota ali, não se envolveram e o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) teve que intervir", comentou.
Baixa densidade populacional limita crescimento militar
"Nesses países há poucos cidadãos nativos, a maioria da população é composta por imigrantes, principalmente do sul da Ásia, e isso dificulta a formação de uma indústria de defesa. Eu também acho complexa uma política de concessão de passaporte, visto que isso pode não ser do interesse das elites locais, e o ingresso de muitos estrangeiros nas Forças Armadas é bastante complicado", explicou.
"Apesar da falta de pessoal, há muito dinheiro para ser investido. Por isso, seria importante fazer consórcios e adquirir expertise com Rússia, China e Turquia, que despontam na área militar além dos EUA. Nesse cenário, até mesmo o Brasil poderia se beneficiar, uma vez que temos a Avibras e a Embraer, que poderiam contribuir para esse desenvolvimento", destaca.
Europa em 'crise existencial'
"Os EUA e Israel já não consultam os europeus para quase nada há muito tempo. Atualmente, vimos o presidente Macron falar sobre expandir o número de ogivas nucleares, o que parece ser mais uma posição midiática, já que a França não tem mais a estatura que aparenta ter. No Reino Unido, Starmer é sempre criticado por Trump. Eu diria que a Europa hoje vive uma 'crise existencial'", conclui.