"Não creio que haverá uma corrida armamentista na América Latina. Contudo, observo que pode haver uma modernização armamentista ideologizada, porque os países que não estão nessa aliança vão reagir. Por exemplo, vimos a fala de Lula com seu homólogo sul-africano sobre a necessidade de investir em defesa, o que já indica uma política de contenção", disse.
"Esse projeto é uma recolonização das Américas que visa ampliar a presença estadunidense e diminuir a soberania nacional. Esses estados, submissos a esse pacto, terão suas riquezas drenadas para atender os EUA, o que pode levar a muitas turbulências sociais, com contradições políticas terríveis e desdobramentos no campo social", enfatiza.
Presença militar dos EUA traz instabilidade regional
"Com a adesão do Paraguai ao SOFA, que prevê a presença de militares estadunidenses com equipamentos, veículos e aeronaves em território paraguaio que não serão submetidos à justiça local, já se demonstra a disparidade na relação. Isso pode gerar instabilidade regional. Nesse contexto, o Escudo das Américas servirá também como um dispositivo para os EUA intervirem militarmente", comenta.
"O Escudo das Américas visa bloquear todo projeto de desenvolvimento autônomo, como a aproximação com o BRICS e com países como China e Rússia, além de tentar enfraquecer o Mercosul. O mais grave é que os aparatos de segurança, policiais e militares, estarão praticamente sob ordens da Casa Branca, o que aumenta o perigo de golpes de Estado em ações de guerra híbrida", pontua.
Integração latino-americana na berlinda
"A integração regional já vinha perdendo fôlego desde a posse de Milei na Argentina. Outro fator a ser observado são as crises no Peru e no Equador, além das sanções e de toda a violência contra a Venezuela e Cuba. Agora, com o Escudo das Américas, isso vai se ampliar, principalmente no Caribe. Apesar disso, diria que a integração latino-americana não está comprometida, mas sim paralisada", destaca.
"A narrativa que vemos hoje no governo Trump sobre a guerra às drogas tem a mesma lógica da Guerra Fria e da política do governo Reagan nos anos 1980. Mas isso é um pano de fundo para os EUA serem interventores nos assuntos políticos e econômicos latino-americanos, e esse plano foi atualizado com o Escudo das Américas", conclui.