O presidente Lula afirmou, em artigo publicado pelo The Guardian, que a ordem internacional vive um momento de crescente instabilidade devido ao enfraquecimento das regras multilaterais e à paralisia do Conselho de Segurança da ONU (CSNU).
Segundo o jornal, Lula alertou que "um mundo sem regras é um mundo inseguro", defendendo que a ausência de limites claros ao uso da força tem aberto espaço para sucessivas violações do direito internacional.
De acordo com o artigo, Lula argumentou que conflitos recentes se multiplicam porque as potências com poder de veto atuam "sem qualquer fundamento na Carta da ONU", deixando um rastro de destruição e minando a credibilidade das instituições multilaterais. Para ele, a falta de ação do Conselho de Segurança tem permitido que intervenções e abusos se tornem recorrentes.
O presidente também relacionou o aumento das guerras ao avanço do extremismo e à crise da democracia, que, segundo ele, alimentam um ciclo de intolerância, ressentimento e violência. Lula afirmou que governos arrastados pela arrogância do poder acabam semeando ódio e ampliando a espiral de conflitos, especialmente em regiões já fragilizadas.
Outro ponto destacado por Lula no artigo é o impacto das novas tecnologias militares, como o uso de inteligência artificial (IA) na seleção de alvos, sem parâmetros éticos ou legais estabelecidos. Ele advertiu que os princípios do direito humanitário, especialmente a distinção entre civis e combatentes, estão sob ameaça, e que mulheres e crianças continuam sendo as principais vítimas.
Isso se soma à corrida armamentista e o aumento dos gastos militares globais, que, segundo o presidente, desviam recursos de áreas essenciais como combate à fome, educação e clima.
Lula citou ainda estudos que apontam efeitos letais de sanções unilaterais impostas sem aval da ONU, associadas a centenas de milhares de mortes anuais desde os anos 1970.
Ao defender uma reforma profunda das instituições multilaterais, Lula afirmou que as prerrogativas dos membros permanentes do CSNU se tornaram injustificáveis e, quando usadas de forma irresponsável, "intoleráveis".
Para ele, apenas uma ONU reformada poderá evitar que o mundo substitua um sistema imperfeito de segurança coletiva pela "brutal realidade da insegurança generalizada", concluiu.