"A gente pode falar que essa Zona do Código Polar Ártico pode ser vista como uma válvula de escape, e a Rússia, como tem o controle dos navios quebra-gelo e toda a infraestrutura de apoio logístico necessário, acaba tendo, sim, uma grande vantagem em relação aos outros", disse.
"Segundo o estudo do Conselho do Ártico, houve aumento no movimento na Rota do Mar do Norte devido ao trânsito concentrado entre Rússia e China, enquanto em Ormuz é algo mais diluído com outros países. Isso mostra que já há operacionalidade e é um fluxo em expansão."
Nova Rota da Seda Polar 'aquece' o Ártico
"Escrevi outro artigo sobre o trânsito de navios-contêineres, e os chineses estavam testando um serviço na Rota do Mar do Norte e foi monitorado o itinerário da China até a Europa para o abastecimento em setembro no verão ártico. Foi uma forma encontrada pelos chineses para operar na metade do tempo e para facilitar a travessia para o Atlântico e o Pacífico", relata.
"Enquanto a China entra com o ímpeto econômico, a Rússia tem toda a infraestrutura, ou seja, acaba sendo uma combinação necessária para suprir toda a cadeia de abastecimento, que permite o trânsito naquela zona polar", pontua.
Pontos de tensão podem 'aumentar a temperatura'
"Na região há a presença dos Estados Unidos e da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte], o que pode deixar o cenário tensionado. Há pouco tempo, Washington reivindicou a anexação da Groenlândia, mas isso é algo que vem desde a Segunda Guerra e segue até hoje. Os EUA veem o Ártico como seu entorno estratégico", discorre.
"Como já acontece com a própria Groenlândia, onde os EUA via OTAN determinam ali em quais pontos da ilha terão bases, acredito que tanto Finlândia, Suécia e Noruega possam ser usadas por Washington para aumentar a presença na região para um eventual ataque ou algo do tipo", conclui.