Os pulsares surgem quando estrelas massivas colapsam após esgotar seu combustível nuclear, formando remanescentes tão densos que uma simples colher de chá de sua matéria pesaria milhões de toneladas. Esse colapso gera campos magnéticos intensíssimos e acelera a rotação da estrela, que pode girar centenas de vezes por segundo.
Quando emitem radiação de seus polos, esses objetos funcionam como faróis cósmicos, produzindo pulsos regulares que chegam à Terra com precisão impressionante.
Por isso, muitos pulsares são usados como "relógios" naturais para estudos astrofísicos de alta precisão.
No entanto, de acordo com a nova pesquisa — que analisou cerca de 200 pulsares de milissegundos, comparando sinais de rádio com dados de raios gama — em aproximadamente um terço deles, os cientistas detectaram ondas de rádio vindas de duas ou mais regiões ao redor da estrela, muito além dos polos. Entre estrelas de nêutrons mais lentas, esse comportamento é raríssimo.
O alinhamento entre esses pulsos de rádio e as explosões de raios gama observadas pelo Telescópio Espacial Fermi revelou que ambos os sinais se originam das mesmas áreas distantes, associadas a uma "folha de corrente" de partículas carregadas que gira junto com o pulsar. Isso indica que a emissão não polar é mais comum e mais importante do que se pensava.
Essa descoberta também ajuda a explicar por que alguns pulsares apresentam perfis de rádio irregulares ou fragmentados. O que os telescópios detectam depende da orientação do pulsar e de quais regiões emissoras estão voltadas para a Terra — seja o polo, a folha de corrente ou ambos.
Além de ampliar o entendimento sobre a física extrema desses objetos, o estudo sugere que pulsares de milissegundos podem ser mais fáceis de detectar do que o previsto, já que emitem ondas de rádio em uma faixa angular mais ampla. Isso beneficia projetos que usam pulsares como ferramentas para medir fenômenos como ondas gravitacionais.