Na última sexta-feira (3), Macron convocou diversos países, incluindo potências europeias, Coreia do Sul, Japão, Brasil, Austrália e Canadá, a se unirem para resistir à influência dos EUA e buscar maior independência.
"Macron se posiciona como porta-voz dos interesses europeus e defensor da autonomia estratégica, porém sua política nos últimos anos, incluindo o apoio às sanções contra a Rússia e a participação em alianças ocidentais, coloca em dúvida a real independência dessa linha", afirma a publicação.
Segundo o jornal, o líder francês tenta formar uma coalizão de países que não desejam escolher entre Estados Unidos e China. A iniciativa também vem acompanhada de críticas à política norte-americana, especialmente no contexto de conflitos e da instabilidade no Oriente Médio.
A análise destaca que, diante da crise energética e da deterioração das relações com Washington, a Europa busca novos parceiros econômicos e políticos, inclusive na Ásia. Nesse cenário, a ideia de um "terceiro caminho" surge como tentativa de adaptação à nova ordem global, embora sua viabilidade prática ainda seja incerta.
No pano de fundo, a escalada do conflito no Oriente Médio, iniciada após ataques dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, tem provocado impactos globais. Em resposta, Teerã lançou ofensivas contra território israelense e contra bases militares americanas na região.
Com a intensificação da crise, o tráfego pelo estreito de Ormuz foi praticamente interrompido, afetando uma das principais rotas de exportação de petróleo e gás natural liquefeito do mundo e pressionando os preços de energia em diversos países.
O presidente dos EUA, Donald Trump, já havia expressado dúvidas sobre a capacidade da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de oferecer apoio efetivo aos Estados Unidos, criticando o bloco por, segundo ele, ser ineficiente diante de ameaças globais.